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Santo Samba comemora 50 edições em edição especial neste domingo, na Passagem

29 julho 2016 - 21h50
Santo Samba comemora 50 edições em edição especial neste domingo, na Passagem

Seguramente, o samba é uma das formas mais brasileiras de cantar as dores, os amores, as quedas, as alegrias e os reencontros da vida. Amanhã, a partir das 15h, o bairro da Passagem terá oportunidade de testemunhar o retorno de um dos principais projetos culturais da cidade, o Santo Samba, ao seu palco original, a Praça São Benedito.

A volta às origens, após algumas apresentações em locais fechados, acontece em uma ocasião bastante especial, a 50ª edição da roda que, mesmo itinerante nos últimos tempos, manteve o público fiel. Mas é lançando mão dos versos de Chico Buarque, que a idealizadora e espécie de “faz-tudo” do evento, Luciana Branco, fala da emoção de voltar para ‘casa’.

– Tem uns versos de uma música do Chico (‘De Volta ao Samba’), assim: ‘Pensou que eu não vinha mais, pensou, pensou que fosse o meu fim, acenda o refletor, apure o tamborim, aqui é meu lugar, eu vim’. Tomo estes versos para mim. Aliás, para o Santo Samba. Aquele Largo, com aquela igreja, com aquelas árvores, casas e ruas estreitas.Tudo faz tanto sentido que sei que foi conspiração do universo pararmos lá – filosofa a produtora cultural.

O convidado principal da edição histórica é um velho conhecido dos cabofrienses: o cantor e músico Makley Mattos, figura carimbada do Santo Samba e de outras rodas, como o Samba do Trabalhador, no Rio.  Assim como o capixaba, outros artistas já fizeram sua poesia ecoar pelas históricas travessas de casario colonial do bucólico bairro. Isso fora o time fixo que recruta alguns dos melhores músicos da cidade. 

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Para ‘atravessar’ o ritmo, apenas as dificuldades de patrocínio e de infraestrutura encontradas nos últimos anos, principalmente após a Prefeitura ter retirado o apoio ao evento. Mas como mostra de vigor e criatividade, o Santo Samba segue se reinventando e, mesmo migrando para ambientes fechados, continuou com seus admiradores. Apesar de reconhecer que o evento foi concebido para acontecer ao ar livre; sem apoio financeiro, a produtora não se arrisca a falar sobre o futuro.

– Sempre acho que a edição do mês que produzo é a última. Minha equipe já não me leva mais a sério (risos). Pensei o Santo Samba na rua. Adoro arte nas ruas. Temos bons exemplos na cidade, como o Bossa na Rua, Se Essa Rua Fosse Minha e o Portinho Boêmio. Mas evento na rua demanda uma estrutura diferente da de lugares fechados. Aí primordiais são as parcerias da gestão pública e empresários da cidade. São poucos os que entendem como o apoio cultural gera propaganda inteligente – pondera. 

Mas os percalços do projeto e a valentia em superá-los são a prova de que o samba, assim como na canção do baluarte mangueirense Nélson Sargento, agoniza mas não morre. Diferente do que se imagina, a produtora olha os tropeços em retrospectiva sem mágoas, tampouco se desarvora quando pensa nas contas a pagar da próxima apresentação. Prefere pensar nas amizades cultivadas e momentos vividos.
– Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi – finaliza, parafraseando Roberto Carlos, cuja ligação com o samba só é lembrada pelo desfile vitorioso da Beija-Flor de Nilópolis, 2011.

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