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Arraial

Reconhecimento que vem pelo mar

Pesca artesanal é declarada patrimônio cultural imaterial de Arraial

20 julho 2015 - 09h58

Pensar em Arraial do Cabo é quase que imediatamente se remeter aos seus ‘causos’, sua gente e principalmente à atmos­fera de eterna vila de pescado­res. Ir, por exemplo, ao mirante da Praia Grande e não se deparar com a habilidade de um velho trabalhador do mar fiando a sua rede pode ser considerada uma experiência incompleta.

Pois a pesca artesanal, ati­vidade econômica responsável pelo sustento de inúmeras fa­mílias cabistas ao longo das úl­timas décadas, acaba de ganhar o reconhecimento oficial e ser declarado patrimônio cultural imaterial da cidade.

Iniciativa do vereador Rena­tinho Vianna (Pros), o projeto de lei 1804/13 foi aprovado por unanimidade no plenário da Câ­mara e sancionado pelo prefeito Wanderson Cardoso de Brito, o Andinho. Com a medida, a ativi­dade passa a ser tombada, com a obrigatoriedade de ser protegida em sua características.

 – A pesca artesanal de Arraial, praticada há várias gerações, resiste, garantindo não só uma profissão, mas um modo de vida tradicional, associado às condi­ções ambientais desses ecossistemas. Caracteriza-se, principal­mente, pelo uso de instrumentos simples por pescadores autôno­mos, atuando sozinhos ou em parcerias, e pelo sistema de re­muneração através da divisão da produção em partes – argumenta o vereador, em sua justificativa.

Como não poderia ser diferente, a notícia foi bem recebida no meio cultural da cidade.
– A pesca artesanal tem uma relação intrínseca com a identidade cabista. Ou seja, a população em geral tem alguma relação familiar ou história que à ela remete valor. Sem contar os aspectos econômicos relacionados ao mar que são naturais em nossa região. Criar mecanismo de proteção para esse patrimônio é fundamental – comentou o superintendente municipal de Cultura, Fernando Rezende.
Já o presidente da Associação dos Pescadores de Arraial do Cabo, Joaquim Rodrigues de Carvalho, fala em ‘reconhecimento’. Apesar de celebrar o fato, Quinzinho, como é conhecido, também pede providências para garantir o sustento a longo prazo dos pescadores.
– É bom saber que nós, pescadores, somos prioridade. É mais conceito para a gente, porque tem pessoas que não valorizam a atividade, que tem que ser mais divulgada. Além disso tem que ter mais fiscalização da Guarda Marítima e do ICM-Bio, porque atuamos em área de reserva e precisamos de proteção contra quem usa rede pribida, por exemplo – ponderou ele.