Assine Já
quarta, 04 de agosto de 2021
Região dos Lagos
22ºmax
14ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 46523 Óbitos: 1889
Confirmados Óbitos
Araruama 11454 362
Armação dos Búzios 5517 58
Arraial do Cabo 1588 87
Cabo Frio 12706 765
Iguaba Grande 4804 116
São Pedro da Aldeia 6205 275
Saquarema 4249 226
Últimas notícias sobre a COVID-19
Cultura

Reabertura do Teatro Municipal é aguardada com apreensão

​Entrega do espaço é agora um dos principais desafios de novo secretário de Cultura de Cabo Frio

03 julho 2019 - 09h04
Reabertura do Teatro Municipal é aguardada com apreensão

TOMÁS BAGGIO

Um dos principais desafios do novo secretário de Cultura de Cabo Frio, Milton Alencar, será assegurar reabertura do Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb para agosto, conforme previsto. Milton disse ontem para a reportagem da Folha que está tomando pé da situação, após ter assumido o cargo oficialmente na última segunda (1º), e que poderá dar mais detalhes em breve.

Ao deixar o comando da pasta, a ex-secretária Meri Damaceno explicou que a obra está em andamento e que a previsão de entrega é na segunda quinzena de agosto. O primeiro obstáculo, no entanto, é imediato: a luz do teatro está cortada.

– Tive uma conversa com o secretário de Fazenda. Ele se comprometeu a liberar o recurso referente à conta de luz. Mas, com esse atropelo todo, não deu para resolver – disse Meri, referindo-se à mudança feita na gestão da secretaria. 

O pagamento da conta de energia é importante para que as obras no espaço cultural não sejam prejudicadas. A intervenção é feita pela empresa W.C Construções e Serviços. O valor total da obra é de R$ 123.038,95. Destes, R$ 13.805,60 já foram pagos à empresa, segundo o Portal de Transparência da Prefeitura. Uma outra parcela estaria prestes a ser paga.

– A empreiteira está para receber uma parcela de R$ 30 mil. Já foi feita uma vistoria pelos nossos fiscais, assinei os documentos e a transferência só não foi feita ainda porque, com as exonerações que ocorreram, o Fundo Municipal de Cultura ainda estava sem tesoureiro. Mas é uma coisa que o novo secretário consegue resolver rapidamente – disse a ex-secretária antes de deixar o cargo.

Entre as intervenções estão a colocação de portas apropriadas para evacuação em caso de pânico e a ampliação dos espaços entre as fileiras dos assentos da plateia. O palco também está recebendo melhorias, especialmente no fosso que fica sob o assoalho, que permite o uso de recursos cênicos. A parte externa do prédio receberá uma nova iluminação e troca de pisos, com a colocação de um revestimento antiderrapante.

O local ganhará, ainda, dois painéis em grafite: um no foyer e um na entrada, no lado externo, próximo à bilheteria. As obras de arte serão feitas por artistas locais a devem ser selecionadas por meio de um concurso.

Apesar de estar com as atividades suspensas nas áreas do palco e da plateia desde outubro do ano passado, as atividades pedagógicas não foram interrompidas e são realizadas em uma sala anexa.

Para os artistas da cidade, é grande a expectativa de reabertura do espaço. O ator Rodrigo Rodrigues lembra que, além de fundamental para o trabalho dos artistas locais, o teatro é importante no acesso da população à cultura.

– É muito importante não apenas ter o prédio funcionando, com luz, água, limpeza, mas principalmente em sua essência maior, que é ser o lugar sagrado de nascimento da arte, aonde podemos, no valor menor da coisa, ganhar o dinheiro que é fruto do nosso trabalho, ou seja, ter um lugar para ficar em cartaz. Mas muito além disso, para mim, está a possibilidade de que publico tenha acesso à arte. Com o teatro funcionando isso é muito mais acessível, seja para estudantes, jovens ou qualquer pessoa. É muito bom quando a população tem o costume de ir ao teatro e ver a arte viva. O que é o 3D de hoje o teatro já oferece há muito tempo - brinca ele.

A atriz Rafaela Solano, da Trupe Fabricarte, lembra que o Teatro Municipal de Cabo Frio foi, por muito tempo, o único espaço cultural formador de novos artistas na região.

– O teatro é um espaço fundamental para toda a classe artística da cidade, e por muito tempo foi para a região, atendendo às cidades mais próximas, pois era o único espaço teatral que possibilitava o desenvolvimento de novos artistas. Foi o palco que iniciei minha trajetória artística, que me deu muitas alegrias e formou meu fazer artístico, mas que agora me deixa triste por não poder estar em seu palco e por saber que muitos que ali poderiam estar forjando sua arte, estão impossibilitados disso. A reabertura é imprescindível, necessária e urgente, pois a cidade é e sempre foi um celeiro de artistas, que têm sede de mostrar o seu fazer. Em tempos de extremismos, os espaços em que a arte pode ser realizada são necessários. Estamos todos em expectativa com a reabertura tantas vezes prometida – considera ela.

Outro que está ansioso para ter o espaço novamente à disposição é o comediante Douglas Carvalho, que também é produtor do festival de comédia Risotril. Para ele, o teatro nunca recebeu o devido valor.

– Não vejo a hora das obras terminarem para definitivamente as atividades serem retomadas. Nosso teatro nunca recebeu o seu devido valor pelos políticos da cidade, tudo que foi feito foi graças aos diretores que o amavam e que têm a arte como oxigênio. Isso muito me revolta, visto que, indiscutivelmente, o teatro é fundamental na formação cultural e pessoal de qualquer um. Nas crianças, o teatro ajuda no desenvolvimento e na formação, despertando o desejo por conhecimento. Sem sombra de dúvidas, ele deveria ser acrescentado na educação básica de todo cidadão, pois traz entretenimento, informação e cultura de forma prazerosa e lúdica – afirma Douglas.

Imagina então para quem produz o principal evento de artes da região, com nada mais, nada menos, que 14 edições nas costas. Pablo Alvarez, produtor do Fesq (antigo Festival de Esquetes, agora repaginado para Festival de Teatro e Artes), lamenta as perdas provocadas pela situação do Teatro Municipal nos últimos anos e espera que o local volte a ser a casa do aclamado evento.

– O teatro é de extrema importância para o nosso município. Ficar com o teatro fechado durante dois anos foi de grande perda para nós, produtores, como para a sociedade como um todo. Durante o tempo de não funcionamento do teatro, fiquei muito frustrado pois não pude realizar o Fesq, que, em sua grade, necessita diretamente do Teatro Municipal. Espero que possamos contar realmente com essa abertura para que o espaço seja o mais democrático possível e possa ser a casa de tantos artistas de nossa cidade – deseja ele.