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Leandro Miranda

Queda de dirigível em Arraial durante 2ª Guerra vira tema de novo livro da Sophia ​Editora

Leandro Miranda lança 'K-36 - O Zeppelin Que Caiu no Cabo' no dia 24, durante a Semana Teixeira e Sousa

16 março 2017 - 08h55Por Texto: Rodrigo Branco | Foto: Francyne Ribeiro
Queda de dirigível em Arraial durante 2ª Guerra vira tema de novo livro da Sophia ​Editora

Madrugada de 17 de janeiro de 1944. O choque de um blimp – espécie de dirigível – dos Estados Unidos com um morro na Ilha do Farol, localizado onde hoje fica a cidade de Arraial do Cabo, colocou a Região dos Lagos no mapa do conflito global. Os prosaicos detalhes do acidente, que aconteceu em plena Segunda Guerra Mundial, são contados pelo autor Leandro Miranda no livro ‘K-36 – O Zeppelin Que Caiu no Cabo’ (Sophia Editora, 168 págs. R$ 35), que será lançado no próximo dia 24, durante a Semana Teixeira e Souza, em Cabo Frio.

– Ali era uma zona de passagem para um hangar para reparos que fica até hoje em Santa Cruz (Zona Oeste do Rio). Foram vários erros, como o pouco preparo do piloto, e de carta de navegação. Os faróis são apagados no período de guerra, mas Arraial era uma vila de pescadores, sem luz elétrica. Ele ficou perdido no meio do nevoeiro e, quando foi procurar, já estava em cima do morro – relata Leandro.

Apesar do impacto, apenas dois dos dez tripulantes ficaram feridos levemente. O grande susto, contudo, não teve a devida documentação pelas autoridades norte-americanas e brasileiras na época, o que exigiu de Leandro, que é tecnólogo em petróleo e gás, um minucioso trabalho de pesquisa que durou cerca de dois anos e custou cerca de R$ 4 mil do próprio bolso. As informações necessárias para a conclusão do trabalho foram obtidas graças a uma rede de entrevistados que expandiu-se pouco a pouco e incluiu veteranos de guerra, aficionados pela Segunda Guerra, como o baterista João Barone, dos Paralamas do Sucesso, e as quatro pessoas locais que testemunharam os fatos, incluindo um primo. A medida foi fundamental, uma vez que, para ele, o episódio foi escondido pelos órgãos militares dos dois países.

– Consegui informações que nem mesmo a Marinha tinha.

Segundo o autor, apenas duas partes dos destroços encontram-se em Arraial, uma no Museu da Marinha e outra na casa do pesquisador Reynaldo Fialho, falecido no ano passado. Nas mãos de Leandro, sobraram do incidente um alicate produzido para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e fotos que comprou de uma universidade norte-americana. De um amigo ianque, hoje com 97 anos, ganhou um patch (distintivo de tecido ou borracha usado em fardas militares) alusivo às Forças Armadas. Mas o autor cabista de 43 anos pede mais pela preservação da memória, para que outros tenham interesse pela História do seu lugar como ele teve quando criança.

– Há pouco incentivo à preservação da cultura local. Daqui a pouco, essas pessoas que são a memória viva vão embora.