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Ecos da alma em poesia

Poetisa e pianista Viviane de Cássia reúne cem poemas em 'Partituras de Uma Vida'

Obra terá lançamento em live no próximo sábado (5)

29 novembro 2020 - 11h40Por Redação
Poetisa e pianista Viviane de Cássia reúne cem poemas em 'Partituras de Uma Vida'

A paixão pelas palavras e, sobretudo, pela poesia veio da infância no interior mineiro. Quase ao mesmo tempo surgiu o amor pela música na vida da poetisa, escritora e musicista Viviane de Cássia.  E são exatamente esses dois lugares de afeto que a artista retrata no livro ‘Partituras da Vida’ (Sophia Editora, 128 páginas). A obra, que já está à venda no site da editora, será lançada oficialmente no sábado (5), em live de Viviane de Cássia com as escritoras Jaqueline Brum e Andréa Rezende. Nesta entrevista, a colunista da Folha fala sobre suas memórias e como essas experiências pessoais influenciam na sua arte e nas ‘partituras’ expressas no livro.

– Em cada verso há um pouco de mim. O quanto amo, o quanto liberto, o quanto me torno, o quanto anseio deixar.

Folha dos Lagos – Como e quando começou a se dedicar à escrita?

Viviane de Cássia – Aos nove anos, em Paracatu – MG, me encantei com as primeiras rimas em trechos de Gonçalves Dias, retratando a saudade da nossa nação, em Canção do Exílio. Foi o primeiro poema que declamei. Ao lê-lo, minha alma parecia uma segunda pessoa em mim. Foi um divisor de águas precoce. Aos 11 anos, na cidade de Barbacena – MG, ouvi um poema meu, na voz do locutor de uma rádio AM, conhecido como Bolinha. O bem que me causou decidi proporcionar. Esta, definitivamente, tem sido minha causa diária.

Folha – Como sua relação com a música impacta seu trabalho como escritora?

Viviane – Na mesma fase em que arrisquei as primeiras rimas, iniciei uma história peculiar com as teclas do piano. O instrumento naquela época não era tão acessível aos meus olhos e mãos. Silenciava e me rendia aos sons dos eruditos, especificamente ao período romântico, eternizado por jóias raras como Frederic Chopin, Robert Schumann, Johannes Brahms e Pyotr IIitch Tchaikovsky. Dentre outros motivos, pela valorização da interpretação expressiva. Não menos importante, ocupando lugar de destaque em meu coração, está Ludwig Van Beethoven, do período clássico. Há uma fusão inerente que me encanta. Esse bailar das mãos sobre as teclas, num ecoar contínuo da alma. Ouvir me proporcionava mágicos e inspiradores instantes. Era tudo muito definido. Os sons me transportavam a uma dimensão que jamais poderia ou poderei explicar. O anseio era de viajar o mundo em concerto. Não sendo possível, por particulares motivos, passei a reger as letras nas estrofes de cada poema, que me definem muito bem.

Folha – Por que o título ‘Partituras de Uma Vida’? 

Viviane – Levando em consideração de que ‘Partitura’ é qualquer folha de papel com construção musical, decidi partilhar ecos da minha alma, regendo as letras em composições contínuas, com batutas esferográficas, mais conhecidas como canetas. Faz tempo que Partituras de Uma Vida deixou de ser parte, tornando-se este ‘todo' em fragmentos. Em cada verso há um pouco de mim. O quanto amo, o quanto liberto, o quanto me torno, o quanto anseio deixar.

Folha – Conte um pouco sobre o trabalho de produção das poesias que estão no livro. Como foi o processo de escrita? De onde vem a inspiração? 

Viviane – Confesso que muito me emociona falar sobre este livro. São peculiares instantes que me salvam, a cada dia, da realidade contraditória. Cada poema tem uma história e as inspirações são reais, visto que utopia de poeta é sorrir em meio às lágrimas. Passei por memoráveis circunstâncias no processo de criação. Os dias me desafiaram. Não foi fácil. Recordo certo assalto e uma perda de dez poemas que haviam sido escritos durante uma viagem naquela mesma tarde. Chorando perguntei a Deus: "E agora?". A resposta veio imediatamente, como bálsamo:"Eu Sou nascente; Você é fonte. Permaneça em movimento". Naquele instante nasceu o poema Recipiente. Em outro momento, depois de caminhar na tempestade, a caminho de casa, lágrimas rolaram dos meus olhos em fusão com as gotas da chuva. Uma inspiração interessante. Pisava em solo brasileiro, com o pensamento em solo italiano. Sentia meus pés nas pedras do caminho, imaginando o estalar de folhas secas e a fragrância de cada flor, distante daquele caos. Assim nasceu Gosto Peculiar. No poema Tantos Giros, eternizo o anseio de um ouvinte, após uma das minhas palestras, de que o mundo precisa conhecer a nota VI. Apenas detalhes. São cem poemas. Fragmentos meus, carinhosamente orquestrados em particular concerto, para cada leitor. Enquanto houver fôlego em mim, haverá Partituras de Uma Vida. Deus é a nascente, sou fonte em constante movimento, e minha inspiração, sem dúvida, é esta arte incontestável denominada ser humano.

Folha – Tem alguma poesia do livro que te represente mais como autora? Qual você destacaria? 
 
Viviane – Que difícil! O livro inteiro me representa. Cada estrofe é um convite a respirar, que traduz minha intenção poética. Levando em consideração esta arte tão linda que é viver, brindo este instante com o poema Tablado Meu. Ele retrata este descortinar das coxias, e nos convida a seguir em cena, seja em reflexivo monólogo, dialogando com nosso próprio eu, entendendo os propósitos que nos movem, e nos recordando a responsabilidade com a plateia intitulada humanidade.

Tablado Meu
 

Cada noite, a despertar-me, surge ela
Melodia, ritmada inspiração
Chega leve, silenciosa, sorrateira
Embalando pensamento e intuição

Construindo solo em base firme
Refrigério acalentando minha alma
Poesia, certamente, meu critério
Traduzindo, agitação que acalma

Seja dia ou surgindo a madrugada
Sonhando, silenciosa a contemplar
Rimo a construção da própria vida
Versando a intenção do verbo amar

Totalmente fora da zona de conforto
Nas trincheiras dos meus pensamentos
Externando apreço pela humanidade
Compartilhando despretensiosos argumentos

Tal missão, aqui, chamo de escrita
Causa tão nobre, já afirmada antes
Peculiar atuação nas entrelinhas
Cada leitor, precioso coadjuvante

Distinto ato a estrear nobre roteiro
Neste contexto, certamente, apropriado
Representando: — Corpo, alma e coração
Mãos sobre a pauta, cada estrofe, meu tablado.

Folha – Além do livro, você também se tornou colunista da Folha dos Lagos e tem publicado crônicas da vida real. Como tem sido esse trabalho?

Viviane – Precisaria de um livro inteiro para descrever o carinho desse convite. Passa um filme na memória. Uma menina que teve seus primeiros registros em papel de pão. Colecionava poesias e crônicas de recortes de jornais. Comprava pão todos os dias, na expectativa de encontrar um bom poema no verso da embalagem. Me perguntava: - E se meu poema estivesse nesta embalagem? Seria tão bom arrancar sorrisos nas entrelinhas! Pensando bem, quantos não's eu ouvi, ao sugerir tal possibilidade. Vale lembrar que há anjos bons nesta terra. Um deles tem nome e sobrenome. Rodrigo Cabral, além de meu editor, é quem topa as minhas sugestões sem contestar. Acredita e confia em cada ideia. Dono dos sim’s mais preciosos que já recebi, fazendo valer cada noite em claro, cada lágrima sobre o papel. O lindo desta coluna, é poder ser geradora de sorrisos. Tirar vidas do anonimato, por um instante que seja, proporcionando homenagens em vida. Sim, em vida, onde se pode contemplar, reagir a instantes memoráveis.

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