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Pagamento do Proedi é adiado pela quarta vez

Edital deveria ter sido pago em janeiro, mas Prefeitura pede mais 60 dias

11 junho 2015 - 09h14Por Nicia Carvalho
Pagamento do Proedi é adiado pela quarta vez

Nicia Carvalho

 

O ano do quarto centenário de fundação de Cabo Frio se transformou em mês e, ao que parece, as atividades comemorativas andam mais comprometidas do que a Prefeitura de Cabo Frio quer admitir. Um exemplo são os projetos contemplados com o Programa Municipal de Editais de Fomento e Divisão Cultural (Proedi), alusivo ao aniversário da cidade, em 13 de novembro, e que sofre novo adiamento: desta vez para daqui a 60 dias. A medida deixou os proponentes indignados.
– É uma falta de responsabilidade. São projetos maravilhosos que têm a fundação da cidade como tema e não vai dar tempo de ficar pronto. Como executar em três meses, caso seja pago realmente em 60 dias? Já deveria ter sido pago em janeiro. A festa dos 400 vai ser um fiasco. É lamentável toda essa situação. Sem contar que muitos artistas estão endividados – disparou a jornalista Maria Werneck, que foi contemplada na faixa de R$ 20 mil para criar o Portal Márcio Werneck, historiar e escritor, além de pai da jornalista.
Faz coro Carlos Henrique dos Santos Ferreira, proponente do projeto Almanaque da Imprensa Cabofriense, que prevê a impressão de mil exemplares do livro que aborda a história da mídia local. Contemplado na faixa de R$ 10 mil, ele cogita fazer a impressão por meios próprios, uma vez que a prefeitura adia pela quarta vez o pagamento dos recursos. Inicialmente a verba seria paga antes do Carnaval, mas logo em seguida foi anunciada para depois da folia e, em março, para 90 dias, que se encerrariam este mês.
– Município sem lei. Prefeitura de Cabo Frio não cumpre mais um prazo para o pagamento do Proedi. A desculpa é outra, sobre prestação de contas, até porque a da “crise” não convenceu ninguém. Para os 28 projetos culturais “contemplados” sobram prejuízos, como no meu caso que agora vou pagar ainda mais caro pela impressão dos livros porque o preço foi acertado com a gráfica ano passado – reclamou.
A produtora cultural e editora Rosa Peralta também lamentou o atraso e por falta de recursos apresenta a Mostra de Feira Madre: Meio Ambiente, Direitos e Educação de forma reduzida nas escolas. O projeto total, ganhador na faixa de R$ 10 mil, prevê exibição de filmes ambientais, palestras, feira agroecológica e debates acerca do tema.
– Fizemos parceria com uma escola pública de São Cristóvão e uma universidade para realizar as palestras e os filmes, coisa pequena porque junho é o mês do meio ambiente. Mas é lamentável porque justamente no ano dos 400 a Cultura não tem recursos – lamentou.
Em março deste ano, a secretaria de Cultura tinha anunciado adiamento por 90 dias para pagamento do edital, no valor total de R$ 600 mil, em três faixas: de R$ 10 mil, R$ 20 mil e R$ 40 mil. A alegação da prefeitura para o atraso, de acordo com os contemplados, continua sendo a crise dos royalties, a mesma informada pelo secretário José Facury, no início do ano.
– A prefeitura parou com todos os projetos por conta da crise. Só podemos fazer quando tiver verba e o prefeito pediu mais 60 dias para tentar contornar. É preciso aprender a conviver com essa dificuldade, atrasos podem acontecer e isso não é privilégio de Cabo Frio. O governo federal, por exemplo, pagou este ano projeto contemplado em setembro do ano passado pelo Prêmio Myriam Muniz – contemporizou.
 

 

Matéria completa na edição impressa da Folha de hoje.