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Taz

Movimento #OcupaPrefeitura volta a ocupar a praça na tarde desta quarta-feira (19)

Atuação dos agentes da Prefeitura e da Polícia Militar é repudiada

20 agosto 2015 - 10h06

NICIA CARVALHO

 

             

“O porão era embaixo das escadas da delegacia, o lugar disponível para sentar era uma privada e por companhia um preso. Eu estava apenas de saia e biquíni quando recebi um jato de água fria na presença de ou­tros policiais. As seis pessoas que foram presas comigo ouvi­ram enquanto eles debochavam, inclusive quando eu tive crise de convulsão, por duas vezes. Meus olhos ardiam e só fui levada para a UPA cerca de duas horas de­pois. Uma sensação horrível de humilhação e indignação. Mas vamos resistir”. Com as palavras saindo firmes e avançando como uma dura pancada no lamen­tável episódio de anteontem, a cantora Taz Mureb retomou, na tarde de ontem, o lugar que vi­nha ocupando nos últimos dias: a frente da Prefeitura de Cabo Frio. Desta vez, além dela e dos artistas de rua, pai, mãe, tios, ir­mãos e até o filho de seis anos da cantora aderiram ao manifes­to #OcupaPrefeitura.

– A atitude arbitrária deles (po­lícia e Fiscalização de Postura) só me deu mais força para continuar na luta, até porque reivindico um direito adquirido. Fomos tratados como bandidos, marginais, até mesmo pelos comissionados que gravavam e vaiavam da janela da prefeitura nosso pedido de ajuda – desabafou a rapper, na tarde de ontem, enquanto aguardava para fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

             

Ela conta que o exame não pôde ser feito na terça, dia do embate com a Polícia Militar e os fiscais de Posturas, porque ha­via vários corpos esperando por autópsia, segundo alegaram os próprios funcionários.

Os depoimentos da cantora sobre o comportamento dos po­liciais e dos fiscais de Postura, que pode ser conferido em vídeo postado pela Folha no Facebook anteontem, vai acarretar investi­gações internas dos órgãos com­petentes para julgar se realmente houve excesso ou não.

 

Autoridades prometem investigação dos fatos

 

De acordo com a delegada Flávia Monteiro de Barros, ti­tular da 126º DP (Cabo Frio), toda a atuação dos agentes da lei ser investigada. Ela afirma ainda que, anteontem, além da autu­ação por desacato a autoridade que deteve Taz Mureb e outros cinco ativistas na delegacia, foi registrado também um Registro de Abuso de Autoridade para apurar se houve excesso na atu­ação dos policiais civis, quando os manifestantes já estavam den­tro da delegacia.

 

Intervenção na praça é criticada

 

A falta de tato, para dizer o mínimo, da atuação da Polícia Militar e dos agentes da Supe­rintendência de Fiscalização e Posturas da Prefeitura de Cabo Frio na desocupação forçada de artistas da Praça Tiradentes, an­teontem, gerou manifestações de repúdio no circuito político da cidade. A atitude foi classificada de “truculenta”, “desnecessária” e que “o pagamento só sairá por conta da pressão dos artistas”. Por outro lado, há quem consi­dere que a ação tenha sido reali­zada como forma de conter ma­nifestantes exaltados.

Na opinião do vereador Aqui­les Barreto (SD), a manifestação da cantora Taz Mureb e dos ar­tistas que se uniram a ela ganhou força nas redes sociais e a atua­ção da polícia “legitimou ainda mais o protesto”.

– A comoção pelo protesto, que era legítimo, foi muito gran­de e isso pressionou o prefeito. Creio que ele vá pagar por con­ta da pressão dela e dos artistas. Não cabia à PM agir de forma truculenta. Se ela se excedeu, caberia até pedido para que ela se retratasse, mas nunca spray de pimenta no rosto – afirmou.

O deputado federal Marqui­nho Mendes (PMDB) criticou a atitude dos agentes da lei, que chamou de “desnecessária”.

– Sou contra esta atitude, ainda mais por se tratar de uma manifestação pacífica, justa, or­deira, que tem que ser respeitada por todos os governos e pela po­lícia. Existe um programa [Pro­edi] que é lei e não está sendo cumprido. Não havia necessi­dade de spray, era uma mulher rendida – afirmou o ex-prefeito.

O vereador Marcello Corrêa (PP), que é presidente da Câmara e filho do prefeito Alair Corrêa, considerou que a ação da Polícia Militar deve ser averiguada pela própria corporação.

– Mesmo com a promessa de pagamento do Executivo, o gru­po decidiu continuar acampado em frente à Prefeitura. Além disso, a vida pessoal do prefeito também se tornou alvo dos ma­nifestantes, o que é desrespeito­so. Sou a favor de o indivíduo lutar por direitos, mas que faça isso através de manifestações e atos pacíficos, e acima de tudo, com coerência e respeito. A PM fez a parte dela, que foi conter o grupo que se exaltou quando foi solicitada a sua retirada – disse.

 

*Leia a matéria completa na edição impressa desta quinta (20)