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​O ‘alienígena’ da ocupação cultural fala à Folha

Marcus Sepa, que se identificou como extraterrestres a manifestantes, esclarece situação

18 julho 2019 - 14h45
​O ‘alienígena’ da ocupação cultural fala à Folha

E o “alienígena” falou com a Folha. Anteontem, a coluna Informe dos Lagos, na edição impressa do jornal, publicou nota sobre um homem que se identificou assim, como extraterrestre, a artistas que fiziam a ocupação cultural no Charitas, tirando fotos sem se identificar – primeiro, ele disse ser jornalista e, depois, um ET.

O jornalista foi acusado pelos manifestantes de ter entrado sorrateiramente na ocupação e ter fotografado tudo sem nem se apresentar. Ele lamentou o ocorrido e, com bom humor, disse que não é alienígena: “Na verdade, eu seria o tal alienígena. Mas eu não sou alienígena. Ou melhor, se sou, nunca foi provado”.

Marcus Serpa entrou em contato com o Facebook do jornal para esclarecer o ocorrido. Disse que já realizava um trabalho de TV digital em Araruama e que está arrendando a Cabo Frio TV – canal que irá reinaugurar na próxima semana. Segundo ele, tinha ido ao Charitas para uma reunião com Milton Alencar – com quem vem negociando o arrendamento desde fevereiro –, e o secretário de Cultura estava atendendo outra pessoa. Marcos, ao esperar, viu a ocupação e uma cena o chamou a atenção quando tirou uma foto. Foi nesse momento que teria começado o desconforto com os artistas. 

 – Vou contar desde o começo, para esclarecer bem: eu faço TV em Araruama (Canal 10 TV - Região dos Lagos), e assumi a criação do Novo Canal 10 TV, antiga Cabo Frio TV, há três meses. Vamos estrear nossa nova programação a partir do dia 22 (olha o merchan...). Tenho contato profissional desde então com o Milton Alencar, proprietário da Cabo Frio TV e uma das partes envolvidas nessa confusão, e questionei a ele sobre umas postagens agressivas no Facebook feita pelo grupo SAL, que o ameaçavam. Perguntei a ele se toparia falar comigo se eu fosse no local e fizesse uma reportagem sobre as demandas dos manifestantes e a posição dele, como secretário. Sinceramente, não me senti incapacitado para fazer isso por conta de conhecer melhor uma das partes, pois eu sei do meu profissionalismo e quem me conhece, também. O problema é que, aqui em Cabo Frio, pouca gente me conhece, sou de Araruama – esclareceu.

Leia a seguir a resposta completa de Marcos, que assina o texto exatamente assim: “Marcos Serpa – direto do planeta Araruama”.

"Em relação à nota "Alienígena", veiculada na edição de terça da Folha, gostaria de esclarecer alguns detalhes sobre o publicado:

1) Na verdade, eu seria o tal alienígena. Mas eu não sou alienígena. Ou melhor, se sou, nunca foi provado;

2) Eu não entrei na ocupação, eu entrei na Casa de Cultura onde estava havendo a ocupação, com uma intenção que eu diria, até, nobre (não faço isso todo dia), como explico na minha postagem anexa;

3) Sabe aquele momento em que você vê uma coisa interessante, pega o celular e fotografa? Quem é jornalista, sabe. Então: eu tirei 1 (uma) única foto lá dentro, sem absolutamente qualquer preocupação em me esconder, muito pelo contrário;

4) Imaginemos que milhares de fotos tivessem sido tiradas: o que haveria lá para ser tão ocultado? Tempestade em copo d´água é o termo. Juro que ainda não entendi;

5) "Interpelado" é uma forma carinhosa de dizer "intimidado". Fui acusado até de estar lá para roubar. Não acreditaram que eu era jornalista;

6) Uma das pessoas que "interpelou", me provocou fisicamente, moralmente, xingou, deu ombrada, catucou, quase meteu o nariz no meu olho, por várias vezes, pensando que eu iria reagir com violência. Logo eu, que não aguento uma porrada;

7) Eu perco os dentes mas não perco a piada. Não acreditando que eu sou um jornalista, eles queriam que eu me identificasse. Achei graça e me apresentei como um extraterrestre. Não acreditaram que eu era jornalista, mas acho que levaram fé na piada do ET;

8 - O cara que fez isso, no outro dia veio no Messenger conversar. Me bloqueou logo depois que enviou um áudio me xingando. Se quiserem ler a conversa é só pedir, está muito interessante; 

9) Acho que eles entraram na onda do surrealismo proposta acidentalmente por mim e estão divulgando vídeos, dizendo, entre outras teorias conspiratórias, que eu teria saído de lá e ido para a Prefeitura. Eu nunca pus os pés na prefeitura de Cabo Frio e nem sei onde fica. A única coisa que poderia de alguma forma me interessar na Prefeitura de Cabo Frio seria um banheiro, em caso de dor de barriga. Mas eu estava de boa naquele dia, já tinha ido na casinha pela manhã antes de sair. Em algum lugar deve ter câmeras de segurança que mostrem o meu trajeto, caso seja necessário conferir;

10) Enfim, não moro em Cabo Frio, e com um pouco de sorte, nunca mais terei que interagir com nenhum desses jovens culturais locais. Mas deixo o registro: já passei várias situações ridículas nos meus 48 anos de vida, mas poucas como essa...  

11) Agora fiquei em dúvida: tem banheiro na prefeitura de Cabo Frio? Só pra saber, vai que... né? Na de Araruama eu sei que tem, é meio sujo mas quebra um galho...

12) Poxa, sacanagem ninguém da imprensa cabo-friense me conhecer. Vocês me conhecem, sim... Bora marcar um chope...

* E se eu fosse alienígena de verdade, a primeira coisa que iria fazer, seria dizer: "Levem-me ao seu líder!". 
Ia dar merda do mesmo jeito.

Att,
Marcos Serpa, direto do planeta Araruama"