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Cultura

O adeus ao pai da Bossa Nova

Músicos da Região comentam influência e morte de João Gilberto

09 julho 2019 - 09h04
O adeus ao pai da Bossa Nova

FERNANDA CARRIÇO

Uma perda que representa também o fim de uma era. Uma época criada pelo até então jovem músico, trancado no banheiro e recluso do convívio social. Imerso nas partituras inventadas pela sua mente e que se transformaram em um movimento sem precedentes pra Música Popular Brasileira. O cantor, violonista e compositor João Gilberto (1931-2019), pai da Bossa Nova, movimento musical inventado por ele nos anos 60, morreu no sábado e foi enterrado ontem no Cemitério Parque da Colina, em Niterói, sob homenagens do mundo inteiro. Músicos, intelectuais, artistas de uma forma geral, registraram o pesar pela perda do imortal. E na Região dos Lagos não foi diferente. 

Apesar de ter vivido os últimos anos recluso e sem fazer shows, a figura de João Gilberto e toda a influência que ele conferiu a várias gerações musicais estiveram presentes em todas estas décadas.  É como diz a cantora Sarah Dhy:  “Me sinto órfã com uma herança vitalícia”. O legado do homem que foi considerado um gênio ficará pra sempre em cada nota musical inventada por ele. 

– A Bossa Nova sempre me encantou. A mistura do samba com Jazz, a harmonia e as letras falando de amor... Em minhas pesquisas encontrei na figura de João Gilberto uma grande influência. Meu conterrâneo de voz suave e violão mágico – declara Sarah Dhy. 

O músico Diego Matos, que sempre foi fã de João Gilberto, ressalta a influência musical que recebeu dele. 

– Sempre ouvi João Gilberto, adorava o seu estilo, o modo de tocar  com o violão atrasado e a voz na frente... Um grande musico e também era muito critico. Ele me influenciou desde o inicio da minha história como músico, quando comecei a poder solar suas musicas lendo o caderno de partituras de Bossa do meu professor Grai – relembra. 

Cantor e violonista, Junior Carriço descreve a importância de João Gilberto para o  cenário mundial.

– Revelou ao mundo a complexa exuberância de um país miscigenado no hemisfério sul da América. E o mundo se rendeu. E a Meca do Jazz se serviu fartamente de sua criação. Tom Jobim, Vinicius de Moraes e João Gilberto formaram a Santíssima Trindade da Bossa Nova, e João era o Espírito Santo. Nada seria igual depois de sua chegada. Todos mudaram : cantores, violonistas, baixistas, bateristas e arranjadores  – disse Junior, que ainda ressaltou:
– João Gilberto  redesenhou o intérprete e o instrumentista. Trocou a grandiloquência, a virilidade  e os vibratos por sofisticação e precisão extremas. Se utilizou do Swing e da técnica para construir um violão revolucionário, que trouxe em si o perfume dos nightclubs da zona sul do Rio, dos tamborins e do surdo do samba e da harmonia do impressionista Debussy – pontuou.

Ivan Morini, músico autor do projeto ‘Águas de Março’, de Bossa Nova, já prometeu que no ano que vem João Gilberto será o homenageado. 
– Depois de João Gilberto gravar ‘Chega de Saudade’, a nossa música mudou. Transformou-se na Bossa Nova e influenciou até o Jazz ... Depois  veio  ‘Desafinado’, que ganhou o mundo! O Águas de Março do próximo ano irá homenageá-lo. Sua influência  é total em meu estilo. O Águas de Março é e será sempre a Bossa Nova. – declara Ivan Morini. 

Para o músico Rodrigo Revelles, Joao Gilberto foi e é um orgulho nacional. 

– Falar de João Gilberto é falar de um criador, um influenciador. Ele teve  a peculiaridade de inventar uma batida diferente no violão, que mais tarde ganhou o nome de Bossa Nova... E é um orgulho para o nosso país porque ele conseguiu colocar essa música para o mundo inteiro. João Gilberto é um orgulho nacional. O cara inventar uma história para o mundo inteiro praticar é realmente um legado que ele deixa – diz Rodrigo.

Alvinho Santos, cabofriense que acompanha a cantora Alcione, relembra dos momentos que morou na Europa e o que a Bossa representou.

– Morei na Europa oito anos, e sofri total  influência dessa pessoa aí. Maravilhoso, um fenômeno... Também morei no Japão e João Gilberto era dominador lá, se igualou aos Beatles lá. Para se ter uma ideia da influencia desse senhor, a mim mudou completamente o modo de tocar. E eu uso até hoje as coisas dele, as artimanhas... Ele gravava uma mesma música várias vezes: a primeira é com o violão na frente, a voz para trás; depois o violão vai para trás e a voz vai pra frente; depois ele grava sol grave; depois ele grava o grave e o agudo;  quatro vezes você pode ouvir a mesma musica, com quatro sonoridades diferentes... É um fenômeno. E influenciou tanta gente, né?  – finaliza Alvinho.