Assine Já
sábado, 17 de abril de 2021
Região dos Lagos
28ºmax
19ºmin
http://www.alerj.rj.gov.br/
Tropical mobile
TEMPO REAL Confirmados: 33571 Óbitos: 1249
Confirmados Óbitos
Araruama 8610 270
Armação dos Búzios 4092 54
Arraial do Cabo 1165 61
Cabo Frio 8993 441
Iguaba Grande 3308 82
São Pedro da Aldeia 4591 188
Saquarema 2812 153
Últimas notícias sobre a COVID-19
Português

Navegando pelo mar salgado: a travessia dos autores lusitanos para o Brasil

Portugal apresenta nomes de peso na literatura

26 setembro 2015 - 10h27

GABRIEL TINOCO

Quando Vasco da Gama des­bravou o horizonte, as grandes navegações iniciaram uma nova era. Não se sabe ainda se o heroico navegador esbarrou com o gigante Adamastor, do camo­niano ‘Os Lusíadas’. Fato é que a bravura lusitana encontrou na literatura a sua travessia. Do mar salgado, foram derramadas as lágrimas de Pessoa. Os ser­mões do Padre Antônio Vieira orientavam o navio como uma bússola. A descoberta: especia­rias como Eça de Queirós, Gil Vicente e José Saramago. Con­vido você, leitor, a seguir nesta grande navegação.

Se a caravela tivesse um co­mandante, certamente seria Luís de Camões (1524-1580). O poeta navegou por temas como o amor espiritual e as aventuras dos heróis portugueses. Passou pela poesia como sonetista – adepto ao Classicismo. ‘Os Lu­síadas’ (1572) é a grande obra do autor e uma brilhante versão da descoberta das Índias. A epo­peia é composta por dez cantos, 1102 estrofes e 8816 versos.

Fernando Pessoa (1888-1935) é como o vento para a caravela portuguesa. Os hete­rônimos Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro remavam pelas múltiplas faces. Alvaro de Campos é um en­genheiro que se sentia um es­trangeiro no mundo inteiro – a versão mais crítica do poeta. Já Ricardo Reis é um latino mo­narquista, com bucolismo em seus versos. Alberto Caeiro é o mestre dos heterônimos. Sem estudos, o camponês se irritava com as buscas da metafísica.

Com a bênção de Antônio Vieira (1608-1697), a frota por­tuguesa içou âncora no Brasil, onde o padre espalhou ensina­mentos sobre filosofia, teologia e metafísica. O jesuíta nos dei­xou 700 cartas e 200 sermões. Sua obra mais célebre é o “Ser mão da Sexagésima’ (1655).

Nessa jornada literária, Eça de Queirós (1845-1900) remou contra a corrente do romantis­mo para adentrar ao mar do re­alismo. A publicação do roman­ce ‘O Crime do Padre Amaro’ (1875) despertou a ira católica ao questionar a impunidade da instituição. Eça também escre­veu obras como ‘O Primo Basí­lio’ (1878) e ‘Os Maias’ (1888).

Ao que parece, o talento por­tuguês embarcou em terra fir­me com José Saramago (1922-2010). Numa época em que os romances lusos já haviam con­quistado o mundo, Saramago mostra que não se cansa de ino­vações. A escrita pontuada por vírgulas deixa as ações fluirem com mais facilidade, enquan­to o narrador mostra forte pre­sença na história. As críticas à Igreja Católica renderam cen­suras ao autor. O romancista escreveu ‘O Ano da Morte de Ricardo Reis’ (1984), onde dá vida ao heterônimo de Pessoa, que conversa com o espírito do poeta. Ele também lançou clás­sicos como ‘Ensaio Sobre a Ce­gueira’ (1995), ‘Levantado do Chão’ (1980) e ‘O Evangelho Segundo Jesus Cristo’ (1991).

Que esta rica história ainda possa ser contada em outras linhas, afinal, navegar ainda é preciso.