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Cultura

Mangueira faz desfile emocionante e se coloca entre as favoritas para vencer o Carnaval

Com apresentações sólidas, Vila Isabel e Portela também se credenciam a voltar entre as campeãs

05 março 2019 - 14h07Por Rodrigo Branco

Como sempre ocorre, as apresentações de segunda-feira na Marquês de Sapucaí engrossaram a lista de favoritas ao título de campeã do Carnaval carioca, mas entre as sete escolas que pisaram no Sambódromo no segundo dia desfiles, sobressaiu-se a Estação Primeira de Mangueira. A Verde e Rosa fez uma apresentação contundente e emocionante sobre a História do Brasil normalmente deixada de lado nos livros oficiais e didáticos. Em um degrau abaixo, ficaram Portela, que falou sobre um dos seus ícones, Clara Nunes, e a Unidos de Vila Isabel, com uma suntuosa homenagem à cidade de Petrópolis. Mocidade pode surpreender, assim como a São Clemente, enquanto Paraíso do Tuiuti e União da Ilha devem ficar em posições intermediárias. As especulações serão concretizadas, ou não, na apuração das notas, marcada para esta quarta-feira de cinzas (6).

SÃO CLEMENTE

Livre das amarras impostas por um enredo clássico, como o do ano passado, o carnavalesco Jorge Silveira usou e abusou da criatividade nas fantasias e alegorias, durante a reedição do enredo ‘E o Samba Sambou’, proporcionando à escola de Botafogo uma das apresentações mais divertidas do ano. O carro de som, com Leozinho Nunes e Bruno Ribas, conduziu muito bem o samba, sem maiores percalços no andamento, fazendo o componente cantar bastante. Um desfile que pode fazer a Amarelo e Preto sonhar com a presença no G6, assim como no desfile de 1990.

VILA ISABEL

Uma apresentação para se credenciar à disputa do título, sem dúvidas. Marca registrada do carnavalesco Edson Pereira, o gigantismo das alegorias impressionou o público, assim como o bom gosto e requinte das fantasias usadas para ajudar a contar a história do município de Petrópolis. Entre os carros, destaque para o Criticado no ano passado pela aceleração, o andamento da bateria foi adequado com as intervenções do Mestre Macaco Branco. Na volta do excelente intérprete Tinga, os componentes também cantaram com garra o apenas razoável samba. No fim, ficou a impressa de que a Azul e Branco da terra de Noel Rosa tem tudo para conseguir uma das vagas no Desfile das Campeãs, que não vem desde 2013, ano do último título da escola.

PORTELA

Depois de anos de espera, a escola de Oswaldo Cruz trouxe o enredo sobre Clara Nunes, sempre pedido com fervor pela comunidade. Mas se a escola não chegou a decepcionar, também não empolgou o público. O enredo teve alguns problemas de desenvolvimento pela carnavalesca Rosa Magalhães que também optou por desenvolver o tema com alegorias de menor porte. Como ponto forte, o carro de som, brilhantemente liderado pelo intérprete Gilsinho, e a sempre competente bateria, a Tabajara do Samba. No balanço final, a tradicional agremiação pode aspirar um lugar entre as primeiras colocações, mas dificilmente deve disputar o título.

UNIÃO DA ILHA

Quarta escola a se apresentar, a Tricolor Insulana levou para a Marquês de Sapucaí um enredo cultural, sobre a obra dos escritores cearenses Rachel de Queiroz e José de Alencar e a ligação com o estado natal. Se na parte estética, a escola até foi bem, com o trabalho sempre requintado do carnavalesco Severo Luzardo, de outro lado; teve problemas na parte musical. O samba apenas razoável não empolgou os componentes e o público, proporcionando uma apresentação muito fria, bem distante das tradições da escola. Apesar dos pesares, não deve correr risco de rebaixamento.

PARAÍSO DO TUIUTI

A expectativa criada em torno da escola, após o vice-campeonato do ano passado, acabou não se justificando. Assim como em 2019, o carnavalesco apostou num tema com forte conotação política, sobre a história do bode Ioiô, eleito em pleito no Ceará no século passado, no lugar dos políticos tradicionais. A história teve certos problemas no desenvolvimento e por vezes, tornou-se repetitiva, pela grande número de bodes e chifres usados nas fantasias e alegorias. De positivo, o bom desempenho do samba valente, cantado pelos intérpretes Celsinho Mody e Grazzi Brasil e também da bateria. A evolução foi prejudicada por problemas no último carro, mas a escola não se atrasou. Não deve repetir a colocação de 2019, mas aparentemente não tem motivos para se preocupar.

MANGUEIRA

Uma catarse. Assim pode ser definido o desfile da Estação Primeira de Mangueira na Marquês de Sapucaí. O samba mais aclamado do ano cresceu ainda mais de rendimento durante a apresentação, tomando o público de uma grande emoção. O enredo ‘A História que a História não conta’, sobre figuras históricas esquecidas como Dandara de Palmares e Cunhambebe, foi desenvolvido com grande criatividade e uma roupagem estética mais tradicional por parte do carnavalesco Leandro Vieira, a começar pela comissão de frente, dos coreógrafos Priscilla Motta e Rodrigo Negri. Durante os 75 minutos de desfile, a história do ponto de vista das classes oprimidas passou diante dos olhos das arquibancadas e escrevendo mais uma linda página da trajetória do carnaval carioca. No fim, os gritos de ‘é campeã’ chancelaram o que foi visto ao longo da brilhante apresentação, colocando a Verde e Rosa como a principal favorita ao título.

MOCIDADE INDEPENDENTE

Em posição ingrata após a grande apresentação da Mangueira, a Estrela Guia de Padre Miguel saiu-se bem para defender o difícil enredo sobre o tempo, do carnavalesco Alexandre Louzada. O samba, apontado como um dos melhores do ano, rendeu muito bem, muito em função da grande performance do intérprete Wander Pires e da bateria de Mestre Dudu. Outro ponto alto foi a apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira Marcinho e Cris Caldas. Já a parte plástica teve altos e baixos. Houve belos momentos, como o do carro do deus grego do tempo, Cronos, todo decorado em roxo; entremeado por outras alegorias, sem a mesma inspiração e acabamento. No fim das contas, a escola da Zona Oeste premiou aos que resistiram até o fim com um bonito encerramento do já histórico Carnaval de 2019.