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Meio ambiente

Literatura que ensina e transforma: a Laguna de Araruama em cores e formas

Livro de colorir 'Aventuras na Laguna' leva importância da preservação às crianças da Região dos Lagos

28 setembro 2021 - 19h35Por Gabriel Tinoco

A candura das crianças que correm descalças, risonhas, sob as gaivotas suspensas no céu e ao lado de um barco atracado no lago, contrasta com as águas ardentes da “maior laguna hipersalina do mundo”. No semblante descontraído da garotada, a esperança no olhar que marca quem possui ainda uma vida inteira pela frente. A capa do livro de colorir ‘Aventuras na Laguna’ (Sophia Editora, 2021), da bióloga Jaqueline Brum, não traz somente a mera contemplação do passado, quando banhistas enxergavam pelo espelho d’água cardumes de uma laguna ainda não devastada pela poluição, mas sim a mensagem cristalina: pouco a pouco, com a preservação de nosso maior patrimônio natural, poderemos resgatar os tempos memoráveis, como o silente pescador que recolhe seus anzóis ao alvorecer. Mas cabe a você, caro leitor, por meio da literatura como agente transformador, pintar as páginas dessa história até agora em preto e branco. 

— Tenho muitas lembranças e memórias afetivas da minha infância: momentos felizes e brincadeiras na Laguna de Araruama. Recordações com a minha avó, os meus irmãos, o meu pai. O amor vem daí. A vontade de que outras pessoas possam passar pela mesma experiência. Ou seja, que possam ter a vivência com a laguna limpa como era no passado — rememora Jaqueline com certa nostalgia, mas ao mesmo tempo sem perder a fé no futuro.

A professora e bióloga costuma ancorar o barco na questão ambiental. Ao velejar pela rica biodiversidade da cidade natal, lançou o primeiro livro: ‘Cabo Frio Conhecer Para Preservar’. Em ‘Aventuras na Laguna’, a escritora reforça a urgência da construção de uma consciência ambiental coletiva para que os leitores não sejam apenas mais um grão de areia na luta pela salvação da laguna.

— Sempre vi a necessidade de livros que abordem a realidade local e a importância dos nossos patrimônios histórico, ambiental e cultural. O livro veio através da experiência com o meu filho principalmente, o Gui, que é o personagem que apresenta a história. Portanto, é bem real o que aconteceu. Desde pequeno tento inseri-lo nesse mundo, mostrando a importância de todo patrimônio ambiental de Cabo Frio. Tanto que o livro fala sobre o Parque do Mico-Leão-Dourado, que fica aqui na cidade, dentre outros pontos, mas apresenta o favorito do Gui que é a Laguna de Araruama. Mostra a importância desse que é o maior patrimônio ambiental da Região dos Lagos e a maior laguna hipersalina em estado permanente do planeta. Ressalta a importância da formação dessa geração de crianças, para que elas possam estar inseridas dentro desse contexto ambiental, com uma consciência da preservação e cuidado com a natureza — expõe.

Mockup 2

Ao se deparar com seu lugar favorito, Gui exibe todo o repertório de atividades recreativas propiciadas pela laguna. Grife a palavra. Isso. Laguna mesmo, pois, como bem explica o protagonista, a lagoa “dá as mãos ao mar através do canal do Itajuru”.

Desse modo, a Lagoa de Araruama, tela emoldurada por seis municípios (Cabo Frio, Arraial do Cabo, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Araruama e Saquarema), vira um verdadeiro parque de diversões para a mente aventureira de Gui. O que não é de se espantar, posto que a laguna possui a vasta superfície de 220 km² e um volume d’água de 636 milhões de m³.

— É cada vez mais urgente e necessário que falemos sobre a questão ambiental, mas que não fiquemos só no discurso, pois já vivemos a era da informação. Precisamos de ação. Portanto, inserir as crianças nesse meio para o despertar de uma consciência ambiental se faz urgente. Ainda mais falando de uma região de onde nós estamos cercados por uma natureza incrível, exuberante e sobretudo muito rica. Estamos dentro de uma área de mata atlântica. Temos uma reserva de mico-leão-dourado, que é um animal em risco de extinção. Temos praias lindas, dunas, restinga, manguezal, a  própria Laguna de Araruama. Enfim, muito o que cuidar e preservar. Precisamos propagar essa cultura — reitera a escritora.

Mockup 3

Responsável pela arte, o ilustrador Felipe Freitas acredita que o livro seja um convite para explorar melhor os meandros da natureza da região.

— A história é muito fiel à região. Tentei seguir com essa visão, levando em conta o olhar infantil. Quis criar cenários que mostrassem locais reais de uma forma que a diversão começasse naquelas páginas, colorindo e imaginando, e levasse a um passeio em família para conhecer verdadeiramente o lugar — pontua.

 

Se depender da recepção da jovem Letícia, 4, o resultado surtiu efeito. A reação dela ao receber o livro já era esperada. Quando resolvemos perguntar se havia gostado do livro, a resposta foi radiante:

— Amei. A gente tem que cuidar muito bem da natureza.

Através desses pequenos gestos, conduzimos os pequenos a fazer o bem — revela, orgulhosa, a tia Marília Ramirez.

Alvaro do Valle, pai das meninas Sarah, 7, e Larah, 5, vê o livro como uma ferramenta para pintar um mundo com mais cidadania.

— Livro de didática precisa. Além de valorizar a cultura da cidade, coopera ao desenvolvimento da criança de modo geral — avalia.

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