Assine Já
sábado, 26 de setembro de 2020
Região dos Lagos
29ºmax
19ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
TEMPO REAL Confirmados: 8076 Óbitos: 418
Confirmados Óbitos
Araruama 1625 102
Armação dos Búzios 483 10
Arraial do Cabo 242 15
Cabo Frio 2555 140
Iguaba Grande 671 36
São Pedro da Aldeia 1323 51
Saquarema 1177 64
Últimas notícias sobre a COVID-19
junior

Junior Carriço lança 'Recovecos' neste sábado (21)

Livro de poesias do músico cabista estará no Charitas, às 18h 

21 outubro 2017 - 11h27Por Rodrigo Cabral
Junior Carriço lança 'Recovecos' neste sábado (21)

De bate-pronto, Junior Carriço revela qual poesia de Victorino Carriço (1912-2003) está guardada no cantinho mais especial de sua memória afetiva: – Numa casa a gente nasce. Na mesma casa a gente cresce. Nela casa-se e se ama. E nela a gente envelhece. Nela se morre; acabou. E a casa permanece – declama ele os versos do avô, deixando o silêncio derradeiro ser cortado apenas por um suspiro:

– É maravilhoso...

Na casa de Victorino, que o chamava carinhosamente pelo apelido de “Tatá”, morou até os 20 anos e se nutriu do amor pelas palavras. De lá para cá, Junior alicerçou o próprio condomínio poético: professor, músico e compositor, ele agora reúne 56 letras de suas composições no livro ‘Recovecos’ (Editora Comunicação). O lançamento é hoje, no Charitas, às 18h, em evento do Grupo Flores Literárias.

– Recovecos é, na verdade, o título de uma das músicas. É uma palavra do espanhol. Tem vários significados. Pode significar cantinho, mas, também, uma fenda – explica ele, que fez questão de sua poesia predileta de Victorino no final da obra.

Não foi por acaso que a palavra estrangeira calhou de ser eleita para intitular o livro. Junior, que aos 17 anos começou a tirar o próprio sustento da venda de bijuterias, em Arraial, decidiu aos 20 dar uma rearrumada geral na vida: partiu para Buenos Aires, na Argentina, onde trabalhou uma década como gerente de alguns dos mais requisitados bares na noite portenha.

Morou perto do La Bombonera, estádio do clube de futebol Boca Juniors. Em dia de clássicos, a vibração da torcida era tamanha que a sensação era de estar na arquibancada. E foi assim, conta Junior, entre um gole de vinho e uma dedilhada no inseparável violão, que surgiu uma de suas letras:

– Se você presenciar um gol, um corpo livre a ponto de explodir, um casamento de elegância e precisão ou um acidente, uma colisão de um uniforme que desvirginando o ar desequilibra a rede, o pescador e a estratégia, vira a onda de expansão monossilábica respondendo a vida... Gol. Em seu processo criativo, a construção da poesia geralmente vem depois do nascer de uma melodia no violão – instrumento que aprendeu a tocar ainda criança, na comunidade cristã S8, e cujas possibilidades mais inimagináveis lhe foram apresentadas pelo tio, José Victorino Filho, dono de um talento “brutal”, segundo Junior. Mas, é claro, há exceções à regra.

– Há uma música, por exemplo, que se chama “Toureiro”. Um dia, me veio uma frase à cabeça: “toureando pensamentos tortos”. Gostei da frase, achei boa. E, a partir dela, desenvolvi a melodia.