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"Já compus um tema inspirado na ressurgência", revela Danillo Caymmi em entrevista à Folha

Compositor se apresenta neste sábado na Praça do Cova, em Arraial do Cabo

09 janeiro 2015 - 20h20Por Rodrigo Branco
"Já compus um tema inspirado na ressurgência", revela Danillo Caymmi em entrevista à Folha
Conservando um ar de vila de pescadores, Arraial do Cabo remete ao cancioneiro do samba de roda baiano tão presente na obra do cantor e compositor Dorival Caymmi (1914-2008), que continua a receber uma série de homenagens pelo centenário do seu nascimento. E sua música continua viva por meio de sua família, a mais famosa da Música Popular Brasileira. 
É o que público terá a oportunidade de presenciar em mais uma edição do ‘Verão Musical’, promovido pela prefeitura da cidade, que recebe hoje a partir das 21h, o cantor, compositor e flautista Danilo Caymmi, filho de Dorival e Stella Maris, irmão de Nana e Dori e pai de Alice, mais nova e ilustre representante do clã. Com sua voz grave e aveludada, o intérprete vai entremear clássicos de ‘Algodão’ – apelido de Dorival – como ‘Maracangalha’ e ‘Marina’ com sucessos autorais, a exemplo de ‘Andança’ e ‘O Bem e o Mal’. 
Em entrevista exclusiva à Folha dos Lagos, Danilo fala sobre o que espera de sua apresentação, que acontecerá na Praça do Cova, e faz revelações surpreendentes como a de que o fenômeno marinho da Ressurgência, típico da região, já lhe serviu como fonte de inspiração. 
– Já compus um tema instrumental inspirado na Ressurgência, mas não cheguei a gravar – revela.
Folha dos Lagos – O que o público de Arraial do Cabo pode esperar do seu show?
Danilo Caymmi – Representar a obra da família Caymmi basicamente. Interpretar as músicas de meu pai e meus irmãos, os sucessos deles. Até 30 de abril ainda estamos no ano do centenário do meu pai. No ano passado, fizemos vários lançamentos: disco, livro, uma infinidade de produtos. Então esse show é dedicado a ele, mas também vai ter sucessos meus como ‘Andança’ e ‘Casaco Marrom’ e trilhas que compus para minisséries como ‘Riacho Doce’. Será um show muito dinâmico; pois eu gosto muito do palco. Quem for pode se preparar para se divertir muito.
Folha – Já tinha se apresentado na cidade?
Caymmi – Essa é a terceira vez que me apresento na cidade. Já participei de alguns projetos bacanas nas praças da cidade.
Folha – Apesar de a obra de seu pai ser associada à Bahia, você é carioca. Qual a sua referência de Arraial do Cabo e da Região dos Lagos em geral?
Caymmi – Eu sempre recomendo às pessoas que em vez de viajarem para fora do Brasil e só ir até aí, pois vocês têm as praias mais bonitas. E tem ainda esse fenômeno da Ressurgência. Nos anos 90, inclusive, fiz um tema instrumental inspirado nesse fenômeno, mas não cheguei a gravá-lo. Na verdade, tenho que recuperá-lo, não sei onde foi parar.
Folha – De certa forma, Arraial do Cabo ainda conserva traços de vila de pescadores, que é um universo próprio da obra dos Caymmi. Esse show tem uma atmosfera especial por conta disso?
Caymmi – Tem tudo a ver. Tem um significado todo especial. É um lugar muito bonito, como meu pai dizia, um local contemplativo. Não tem como ver aquela beleza e não contemplar, se admirar. Arraial tem aquela cor do mar e muitas pessoas não sabem dessa beleza.
Folha – Quais são os músicos que se apresentarão com você? Vai se apresentar com a flauta?
Caymmi – Vão se apresentar comigo o André Siqueira, no violão e Davi Mello, também no violão. Eles trabalham comigo há algum tempo e temos um bom entrosamento. Quanto a tocar flauta, com certeza. Eu sempre toco flauta nos meus shows.
Folha – O que acha de iniciativas como o ‘Verão Musical’ de levar grandes nomes da MPB para o grande público?
Caymmi – É muito bom poder representar a obra de Dorival Caymmi, que é um ícone da cultura nacional. Quanto mais divulgá-la para o grande público, melhor. Acho louvável e muito interessante quando sou convidado para um evento desse tipo. 
Folha – Você acha está aumentando o interesse do público, sobretudo o mais jovem, pela obra de Dorival Caymmi?
Caymmi – Com certeza, mas isso requer muito trabalho. Caymmi pertence ao Brasil e não à família. A intenção é que a obra fique conhecida e impregnada no público, inclusive nas crianças. Aliás, quem puder, deve levá-las ao show.
Folha – Como você avalia o atual cenário da MPB e os novos compositores e artistas que estão surgindo, inclusive a sua filha, Alice?
Caymmi – Muito bem.  A Alice e toda essa geração estão quebrando paradigmas. Ela já está fazendo seu próprio caminho independente de uma série de coisas. Estou ouvindo conselhos dela para estratégias de lançamento do próximo disco que vou lançar e abordará a obra de Dorival Caymmi sob o ponto de vista dos jovens, que era o que faltava. A produção será do Domenico Lancelotti e do Bruno di Lulo. 
Folha – Qual o título do trabalho e quando será lançado?
Caymmi – O disco vai ser lançado no dia 30 de abril, data que meu pai faria aniversário. Ele se chamará ‘Don Don’, que é o nome de uma música inédita, feita numa parceria inusitada com Assis Chateaubriand, aquele mesmo, um dos maiores empresários da comunicação do Brasil.
Folha – Falando na Alice, como vê sua carreira?
Caymmi – Alice já parte do princípio de que educação se ganha de casa. Ela sempre viveu num ambiente musical. Ela se formou em Artes Cênicas pela PUC. É uma pessoa preparada e que está entrando no mercado como deve ser feito. Ela sempre foi apoiada em todas as coisas e ideias que teve. A criação sempre foi muito valorizada. Essa foi a tônica.
Folha – Fale um pouco da influência que o seu pai teve na sua vida e na sua carreira.
Caymmi – Eu faço com a Alice o que meu pai fazia comigo. Ela é minha amiga como eu era dele. A gente dividia tudo, falava sobre tudo: política, atualidades. Acho que isso é o princípio de tudo. Não é uma coisa apenas de paternidade, e sim de amizade. Meu pai era uma pessoa muito bem-humorada e, graças a Deus, esse humor passou para toda a família.