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Festa de São Cosme e Damião diminui por intolerância religiosa

Líderes espirituais e devotos em Cabo Frio reclamam de preconceito com os santos cristãos

28 setembro 2017 - 11h08Por Gabriel Tinoco
Festa de São Cosme e Damião diminui por intolerância religiosa

Reza a tradição que os árabes Cosme e Damião curaram o filho do imperador romano Diocleciano. Impressionado com os milagres, o chefe de Estado ordenou que os gêmeos usassem seus dons apenas com ele e que o adorassem. A dupla, canonizada em 630 d.C., recusou o pedido, pois só reconheciam Jesus como seguidor. A recusa lhes custou a vida em 303 d.C. pela intolerância religiosa. 
Atualmente, a tradição religiosa de distribuir doces dos santos, aos poucos, vai sumindo das ruas. Os devotos alegam que a maior razão da perda de força do costume é, ironicamente, a intolerância religiosa que, há séculos atrás, matou os médicos seguidores de Cristo.  
Para Dom Joanir, da Igreja Católica Brasileira, os fiéis têm medo do julgamento de outros cristãos.
– A intolerância religiosa influencia bastante. Se alguém pega doce, ganha o estigma de espírita, o que inclui a Umbanda, o Candomblé ou o Kardecismo. Muitos devotos daqui sentem vergonha de participar por causa desse estigma. Eles têm medo das críticas dos vizinhos, dos colegas de trabalho – analisa.
Se antes era possível ver filas quilométricas de crianças à espera dos doces, hoje a adesão já não é a mesma. Devota da Umbanda, Andreia Fernandes, 38, sente que o preconceito de cristãos ainda afasta a garotada da festa.
– A tradição veio diminuindo ao longo do tempo, principalmente pela questão da intolerância religiosa. Mas, nesse ano senti mais crianças nas ruas. No ano passado, tinha que ficar procurando quem quisesse. Mas isso ainda é muito pouco. Não dá para comemorar. Ainda temos muita luta. Quando era criança, saía de casa pela manhã e voltava à noite com a mochila lotada de doces – explica a integrante da Casa de Caridade Pai Mané e Boiadeiros.
E a tradição é mantida não sem sacrifício para muitas pessoas. Criada no Espiritismo, Gabriela Silva, 42, por exemplo, mantém a fé viva apesar de alguns constrangimentos.
– Pela minha lembrança, faço isso há pelo menos 35 anos. Infelizmente, hoje é preciso um pouco de cautela, devido à triste intolerância. Já passei por algumas situações chatas como ouvir de uma criança de oito anos que não poderia aceitar, pois os pais alegavam ser “do inimigo”! Já saí corrida algumas vezes por receio e até mesmo pelo constrangimento de um escândalo dos pais – conta.
Ao citar uma parábola do apóstolo Paulo, o presidente do Conselho dos Pastores de Cabo Frio, William Barcelos, afirmou que a recomendação é evitar a “Mesa dos Ídolos”, que em outras edições foi traduzida como “Mesa dos Demônios”. Ao ser indagado, o pastor preferiu não comentar sobre a demonização de Cosme e Damião por “considerar o debate amplo”, mas ressaltou que idolatrias devem ser evitadas pelos cristãos. 
– Entendemos também que a veneração a tais “santos” não tem recomendação e aprovação bíblica;  em sua essência isto é idolatria, e a mesma  substitui  Deus, sua Palavra, suas Leis e seu modelo de vida pra nós. Entendemos ser uma prática que está intimamente ligada ao sincretismo religioso. Nós, evangélicos não temos tais práticas ainda que respeitamos todas as manifestações históricas/religiosas. Nossa regra de fé e prática é a Bíblia e se ela diz pra fazer, fazemos. Se diz pra não fazer, não fazemos – declarou o pastor. 

*Confira matéria completa na edição impressa desta quinta (28) da Folha dos Lagos.