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AMOR A CADA FOLHEADA

Feira do Livro fica na Praça Porto Rocha até o próximo sábado (30)

Cabo-friense fala da relação com a leitura em tempos de pandemia

24 janeiro 2021 - 11h30Por Rodrigo Branco

Em sua canção ‘Livros’, de 1997, Caetano Veloso disse que eles são “objetos transcendentes”, mas que “podemos amá-los do amor táctil”. Esse sentimento de proximidade e afeto do folhear das páginas é novamente aceso no cabo-friense a cada vez que a tradicional feira da Associação Brasileira do Livro (ABL) é montada na Praça Porto Rocha, como ocorre no momento e assim continuará até o próximo dia 30 de janeiro. 

Montadas no coração da cidade que legou o romancista Teixeira e Sousa para a literatura brasileira, as tendas chamam a atenção de quem passa apressado pelo local. Não há quem, ao menos, espiche o olho para as prateleiras repletas de centenas de títulos que vão da poesia de Carlos Drummond de Andrade a best-sellers como ‘Inferno’, de Dan Brown. 

Biografias, crônicas, autoajuda e literatura espírita também dividem democraticamente o espaço, que obedece às determinações sanitárias em tempos de pandemia, com frascos de álcool gel espalhados pelas estantes e funcionários com máscaras. O número de tendas também está reduzido em relação aos anos anteriores.

Com o estímulo ao distanciamento social, a mudança nos hábitos sanitários por causa da circulação do coronavírus veio acompanhada da reconciliação de muitos cabo-frienses com o prazer da leitura, do qual estavam divorciados por falta de tempo ou de interesse.

A tese é confirmada pela pedagoga e estudante de Psicologia Anne Kelly, de 47 anos, que não desgrudava os olhos da seção de livros de arte e fotografia, enquanto já carregava seis debaixo do braço.

– Tenho tantos livros em casa, que já posso até montar uma banca como essa (risos). É quase que um vício, é muito bom ler. Você ocupa o tempo, distrai a mente e constrói conhecimento com a leitura. Para quem gosta de ler, a pandemia intensificou o hábito – observa Anne, que tem preferência por obras de Psicologia e de temática gospel.

Se oferece opções mais densas de leitura, a feira também reserva espaço para que os mais jovens comecem a tomar gosto pelas histórias contadas. Em uma das tendas, livros de colorir e com enredos clássicos da literatura universal despertam, de forma lúdica, o interesse pelo universo do saber. Com o intuito de complementar o processo de aprendizagem do filho, a professora Priscila Moraes levou o pequeno Pedro, de sete anos.

Para ela, as narrativas de aventura já rivalizam com o celular e os aparelhos eletrônicos, tão caros à criançada nos dias de hoje.

– Ele fez o primeiro ano no ano passado e a gente o está estimulando com a leitura e a escrita. Como ele está nesse processo, estamos sempre buscando livros para ele ter esse hábito estimulado. E ele lê até para a irmãzinha de três anos – relata a docente.

Do outro lado da feira, a universitária Bárbara Ísis, de 20 anos, olhava compenetrada para os títulos de aventura dispostos na prateleira. Ela buscava algum dos episódios da saga Harry Potter, da escritora britânica J.K. Rowling, mas não descartava levar por impulso alguma coisa que lhe despertasse o interesse de última hora. 

Para ela, o que importa é manter o contato físico com as obras literárias, a despeito do advento dos modernos e-books, que são os livros digitais disponíveis para a leitura em celulares e tablets. Afinal, nada substitui o manuseio das folhas; o ‘amor táctil’ a que Caetano fez referência na canção citada no começo desta reportagem.

– Não tem coisa melhor, é muito gratificante ter o armário cheio de livros. Sempre estão à disposição; se quiser ler é só pegar, não precisa ficar abrindo celular. Podemos levar os livros para qualquer lugar. Leio no médico e na fila do banco – relata a estudante.

Em sua maior parte, os valores das obras na Feira variam entre R$ 5 (formato de bolso) e R$ 35. Para os fãs de música e cinema, também há uma seção de CDs e DVDs.

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