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É campeã: Imperatriz faz Ramos voltar a sorrir depois de 22 anos

Na estreia do carnavalesco Leandro Vieira, Verde e Branca da Leopoldina deslumbra Sapucaí visitando o universo do Nordeste de Lampião e fatura título que não vinha desde 2001

22 fevereiro 2023 - 18h40Por Rodrigo Branco

De Ramos para o sertão nordestino. A Imperatriz Leopoldinense foi longe para retornar ao lugar que não ocupava há mais de duas décadas: o topo do Carnaval carioca. A escola da Zona da Leopoldina esbanjou luxo e criatividade para contar o enredo “O aperreio do cabra que o Excomungado tratou com má-querença e o Santíssimo não deu guarida”, uma fábula que especula o destino do cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, após a sua morte, em 1938. Passeando pelo universo da literatura de cordel, a escola encantou o público e convenceu os jurados, conquistando o primeiro lugar, com 269,8 pontos, um décimo acima da Unidos do Viradouro. A diferença para a quinta colocada, a Mangueira, foi de apenas sete décimos. 

O equilíbrio foi presenciado pela Folha dos Lagos que, pela sexta vez seguida, representou a imprensa escrita do interior do estado do Rio no Sambódromo, cobrindo presencialmente os dois dias de desfiles da elite das escolas de samba do Rio de Janeiro. Na resenha publicada no site da Folha nesta quarta-feira (22), a manchete antecipava as agremiações que tinham as maiores chances: “Vila, Imperatriz e Viradouro elevam nível e são favoritas ao título do Grupo Especial”.

O título da Imperatriz consagrou novamente o trabalho do carnavalesco Leandro Vieira, que chegou ao quinto título do Carnaval carioca, contando o Grupo Especial e a Série Ouro (divisão de acesso do samba). Pela escola de Ramos, Leandro já havia conquistado o campeonato de 2020, na reedição do enredo de 1981 (Só dá Lalá), resultado que levou a agremiação de volta ao desfile principal. 

Na sua estreia pela Imperatriz no Grupo Especial, Leandro Vieira apresentou um trabalho com as suas digitais artísticas, conhecidas desde que foi revelado pela Caprichosos de Pilares, em 2015. Alegorias e fantasias com alto grau de requinte, detalhamento e esmero no acabamento.  O título também foi um prêmio ao investimento da escola na parte musical, que contou com o também estreante Pitty de Menezes no carro de som, entoando com segurança o valente e original samba de enredo, amparado pela cadência da bateria de Mestre Lolo. Uma apresentação tecnicamente perfeita, como aquelas da década de 1990, que lhe valeram o apelido “Certinha de Ramos”. 

Um show inesquecível e também uma tremenda volta por cima de uma gigante do Carnaval carioca, que agora soma nove títulos, assim como o Salgueiro e o Império Serrano. De rebaixada a campeã, em quatro anos. Uma reviravolta quase da mesma distância entre o subúrbio carioca e o interior do Sergipe, onde Lampião morreu para virar lenda e agora enredo campeão do Carnaval do Rio.

Confira a classificação final do Grupo Especial do Rio: 1º) Imperatriz – 269,8 pontos; 2º) Viradouro – 269,7 pts.; 3º) Vila Isabel – 269,3 pts.; 4º)Beija-Flor – 269,2 pts.; 5º) Mangueira – 269,1 pts.; 6º) Grande Rio – 268,6 pts.; 7º) Salgueiro – 268,5 pts.; 8º) Tuiuti – 268,3 pts.; 9º) Tijuca – 268,2 pts.; 10º) Portela – 267,7 pts.; 11º) Mocidade – 266,6 pts.; 12º) Império Serrano – 265,6 pts. (rebaixada para a Série Ouro).