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MEMÓRIA

Discos voadores com Bonifácio, show na Porto Rocha e felicidade: a entrevista de Elza Soares à Folha

Em bate-papo de 1995, cantora falou com ansiedade do lançamento da biografia e da satisfação da volta a Cabo Frio, onde morou

22 janeiro 2022 - 10h25Por Redação

Em 91 anos de vida e mais de 70 de carreira, a cantora Elza Soares, que morreu na última quinta-feira (20), deu inúmeras declarações marcantes. Elza não tinha papas na língua, como bem soube Ary Barroso ao tentar debochar dela em seu programa de rádio e ouvir da então novata que ela veio do 'Planeta Fome'.

Já consagrada como uma das maiores intérpretes da música brasileira de todos os tempos, Elza esteve em Cabo Frio para uma apresentação na Praça Porto Rocha, e concedeu uma entrevista histórica à Folha, publicada na edição de 16 de agosto de 1995, durante a qual enfileirou respostas com a mesma desenvoltura com que soltava o vozeirão rouco em clássicos como 'Se Acaso Você Chegasse'; 'Mulata Assanhada'; e 'Boato' e 'Cadeira Vazia'.

No bate-papo, a cantora falou com animação de sua primeira biografia - 'Cantando para Não Enlouquecer', de José Louzeiro, lançada em 1997 - e contou uma passagem curiosa de sua trajetória, que envolveu o atual prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio. No começo da década de 1980, durante o primeiro governo de Zé, Elza morava na cidade e fazia um show no Iate Clube, quando algo estranho teria ocorrido. A cantora jurou ter visto 'OVNIs' enquanto se apresentava. 

Se a presença de vida extraterrestre não é cientificamente comprovada, a visão de estranhas luzes verdes e azuis no céu da Região dos Lagos impressionou a diva naquela temporada cabo-friense.

Detalhe da capa da Folha dos Lagos de 16 de agosto de 1995

"Saiu todo mundo correndo e quando olhei para o céu, estava cheio de discos voadores. Bonifácio viu também. Eu não vi sozinha. Ficamos apavorados. Estava hipnotizada, não conseguia correr", declarou a cantora, na ocasião. 

Na matéria, Bonifácio confirmou a versão das luzes no céu relatada pela cantora e se disse ansioso pelo lançamento do livro. 

"Elza levou a Música Popular Brasileira para o exterior. Teve uma vida sentimental com Garrincha e viveu vários outros fatos que nos deixam curiosos", disse o prefeito, que na época da entrevista cumpria o segundo mandato, entre 1993 e 1996.

Na entrevista, Elza se disse feliz pela volta a Cabo Frio. A cantora vivia uma boa fase, depois de passar por tantos momentos de altos e baixos no campo profissional e na vida sentimental, sobretudo em sua relação com o craque botafoguense, morto em 1983, coincidentemente num 20 de janeiro, assim como ela. 

Nas últimas décadas, Elza Soares renovou o seu público e aliou ao já incomparável suingue um forte discurso de empoderamento contra a injustiça social, a homofobia, o machismo e o racismo. Na entrevista concedida há 27 anos, uma artista madura já dava aula de como lidar com a vida, com todas as suas desventuras e alegrias.

"Ela (felicidade) sempre existiu. Agora está mais clara, mais bonita. Foi preciso entender que me amo", disparou.

 

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