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"É O FIM DO CAMINHO"

Crise leva o Som do Mar, em Cabo Frio, a fechar as portas

Anúncio do encerramento das atividades do centro cultural da Passagem foi feito neste sábado (18)

18 abril 2020 - 21h09Por Rodrigo Branco

Onde havia os acordes precisos do violão, as batidas sincopadas no pandeiro e o abraço dos corpos suados ao som do forró, agora há silêncio. Se a calmaria já imperava na casa de arquitetura colonial, que foi moradia da ativista ambiental Amena Mayall, desde o início da quarentena imposta pela epidemia do novo coronavírus; neste sábado (18), foi anunciado o encerramento definitivo das atividades da casa de cultura Som do Mar, mistura de bistrô e espaço cultural da Passagem, que era ponto de encontro de artistas e intelectuais de Cabo Frio desde outubro de 2018. O comunicado foi feito por um dos sócios do espaço, o músico Azul Casu.

A crise financeira que se esboçava antes mesmo do problema de saúde pública que o mundo inteiro atravessa, se acentuou com a interrupção obrigatória por causa da Covid-19, tornando inviável o pagamento das despesas e a manutenção da casa, que abrigava exposições, shows, cursos e oficinas; e era parceira da Folha dos Lagos desde a sua fundação.

A notícia do encerramento das atividades do Som do Mar causou comoção não apenas na classe artística da região, como no público em geral, que desenvolveu uma relação de afeto com o local, palco por excelência para os artistas locais e de outros estados, que agora estão ‘órfãos’.

À Folha, Azul Casu disse que se emocionou ao ler as dezenas de mensagens de amigos e frequentadores. O artista e empresário disse que não há previsão para uma eventual reabertura, que será estudada após a crise, e preferiu enaltecer a história escrita pela casa de cultura, e as parcerias construídas ao longo de um ano e meio de existência.

– Nesse momento, a gente só sabe que a semente foi lançada. No que vai dar daqui pra frente a gente não consegue fazer nenhum prognóstico agora. Realmente, a empresa faliu, dificuldade que toda microempresa já passa. Com o agravamento da crise pelo corona, por não conseguir abrir, aconteceu isso. Acho que fica a vontade de contar a história da cultura de Cabo Frio, a vontade de unir os artistas, a vontade de respeitar o público – declarou.

Presença constante na casa, onde também dava cursos, o violonista Júnior Carriço falou com emoção sobre a notícia do fechamento. O músico se referiu ao local como ‘templo do sagrado e do profano da arte’. Para Júnior, o que aconteceu no Som do Mar, durante sua existência, não encontra paralelo na história da cultura da região.

– É um movimento, no meu ponto de vista, que não se viu até hoje o tamanho, na Região dos Lagos. Vai ficar marcado, e provavelmente não vai acabar porque se o espaço físico termina, as pessoas estão aí, com a sua inquietação, o carinho e o amor que reuniu toda essa rapaziada, e essa criatividade gigantesca – acredita.

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