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Casa da Poesia reabre para celebrar 103 anos de Victorino Carriço

Imóvel onde poeta morou por décadas passou por reforma

28 julho 2015 - 09h17Por Rodrigo Branco

Eleito com a maior votação da história de Cabo Frio, o então vereador Victorino Carriço, na condição de presidente da Câmara, sucumbiu à pressão e, em momento único da história política da cidade, renunciou ao cargo. Ele não se acostumara com os recorrentes e, muitas vezes nebulosos, métodos empregados na política.

De fato, a sensibilidade à flor da pele, traduzida em sempre inspiradas combinações de palavras, frequentemente inquietava a alma do artista que não dava mesmo para os cargos de gerente de banco, delegado de polícia ou funcionário da Companhia de Álcalis, alguns dos quais passou ao longo de uma vida inteira dedicada ao universo poético.

É esse homem de múltiplas facetas, cuja obra segue acessível às novas gerações graças à devoção, zelo e culto de sua família que terá mais uma vez a memória celebrada com pelo menos dois acontecimentos que prometem tornar especial o ano que marcaria o 103º aniversário do ‘Santinho’, apelido pelo qual Victorino é conhecido. A começar pela reabertura nesta quarta-feira, mesma data do nascimento do poeta e compositor, da Casa da Poesia de Arraial do Cabo. O imóvel, de propriedade da família, serviu-lhe de residência por muitos anos e abriga boa parte do acervo e material de trabalho do profícuo autor de rimas e poemas. Motivo, é claro, de incontáveis lembranças.

– O que mais me vem à memória era quando ele escrevia e a gente fazia barulho. Ele dizia assim: “Por favor, estou escrevendo e não posso ser perturbado agora senão não sai nada agora”. Ele sentava nas canoas que ficavam na Praia dos Anjos, junto com mamãe, de frente para o mar e escrevia. Ele era muito sensível e divertido – rememora Ercília Carriço Porto, sua filha e colunista do caderno F+.
Também herdeira do ‘Santinho’ no gosto e, sobretudo, no bom uso das palavras, a jornalista Fernanda Carriço, não se contém ao relembrar as inúmeras histórias sobre o avô. O processo criativo de Victorino, cuja inspiração podia vir a qualquer hora do dia ou da noite, povoa de forma viva as reminiscências da chefe de reportagem da Folha, desde que era apenas uma menina.

– Ele não usava máquina de escrever, era tudo na mão. E quando vinha a poesia, ele tinha que escrever na mesma hora. Ele era mesmo um artista. Eu me lembro que quando assumiu a gerência do banco de Arraial, o número de empréstimos sem garantia subiu muito. Quando ele foi questionado sobre isso, disse que a garantia era a palavra dada e de fato o banco não tomou nenhum calote. Era extremamente humano – emociona-se Fernanda.

Mais do que recordações familiares, a obra de Victorino Carriço deixou um legado inconteste na cultura de toda a região. Nascido no Baixo Grande, em São Pedro, mas fortemente identificado com Cabo Frio e, principalmente, Arraial, o poeta não apenas compôs os hinos dessas cidades, como soube traduzir os encantos de cada uma delas em sonetos e versos dodecassílabos. Para Célio Mendes, que apesar de vinte anos mais novo, conviveu com ele, Victorino pode ser colocado no panteão dos grandes das letras cabofrienses, assim com Teixeira e Sousa e Terra Cardoso. Contudo, para ele, sua popularidade é maior.

– Comecei a publicar em 1978, bem depois do Santinho, mas não deixo de tê-lo como inspiração. Ele foi um marco na história da poesia de Cabo Frio, além de ser muito popular. Declamava suas poesias no meio da rua. Fazia versos para os amigos – recorda-se o intelectual, que tem cadeira na Academia Cabofriense de Letras da qual Victorino foi presidente e um dos fundadores.
Condecoração deve
ser em novembro

Após um período fechado para reformas e dedetização, a Casa da Poesia reabre nesta quarta-feira, às 19 horas, fazendo jus à inequívoca vocação cultural cabista. Além do coquetel, o evento, aberto ao público, terá oficinas de poesia. Com relação à condecoração com a medalha Tiradentes, indicação do deputado Janio Mendes (PDT), a previsão é que a solenidade seja marcada em novembro, coincidindo com as comemorações pelos 400 anos da cidade.

– A Casa da Poesia é um local não apenas para a valorização da obra do meu avô, mas de incentivo à arte local. Ao longo dos anos, incentivou muitos jovens para o exercício da leitura. A Casa da Poesia é um patrimônio de Arraial – complementa Fernanda Carriço, sobre o espaço que contém boa parte do acervo criativo daquele que pode ser considerado um verdadeiro ‘usineiro de palavras’.

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