Assine Já
quinta, 24 de setembro de 2020
Região dos Lagos
24ºmax
17ºmin
Mercado Tropical
Mercado Tropical Mobile
TEMPO REAL Confirmados: 7942 Óbitos: 418
Confirmados Óbitos
Araruama 1581 102
Armação dos Búzios 477 10
Arraial do Cabo 231 15
Cabo Frio 2555 140
Iguaba Grande 649 36
São Pedro da Aldeia 1284 51
Saquarema 1165 64
Últimas notícias sobre a COVID-19
Márcio Werneck

Acervo do historiador Márcio Werneck é digitalizado e organizado em site

Projeto agraciado pelo Proedi é da filha do pesquisador, a jornalista Maria Werneck

04 setembro 2016 - 09h53Por Gabriel Tinoco I Foto: Reprodução
Acervo do historiador Márcio Werneck é digitalizado e organizado em site

O historiador Márcio Werneck (1944-2004) tem um vasto material de pesquisa – que engloba entrevistas, cartazes fotografias e estudos sobre a Região dos Lagos. Bastou a filha do pesquisador, a jornalista Maria Werneck, ser agraciada com o Programa Municipal de Editais de Fomento e Difusão Cultural (Proedi) para os registros ganharem o mundo digital: www.acervomarciowerneck.com.br (ACESSE AQUI). O restante do acervo será digitalizado até o fim do ano. O processo começou em 2012, com parceria do Instituto Federal Fluminense (Campus Cabo Frio) e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

– Em 2012, a família decidiu que queria firmar uma parceria com o Iphan para dar um fim ao acervo do meu pai. O Iphan, por sua vez, fez uma parceria técnica com o IFF, porque não tinha um local físico tão amplo para todos os procedimentos: digitalizar, selecionar, higienizar, catalogar... Então, fui premiada com o Proedi e ganhei o projeto para o término dessa finalização – conta Maria Werneck.

A jornalista ressalta a facilidade de pesquisa sobre a história da região proporcionada pela digitalização do acervo.

– Há pouca fonte de pesquisa sobre a história da região, tanto virtualmente quanto fisicamente. Não consigo achar informações. Já pesquisei muito na Biblioteca Nacional e até mesmo lá é difícil achar informações sobre Cabo Frio. O papel da digitalização é dar um lugar para as pessoas encontrarem material de pesquisa, principalmente de fonte primária, onde tem historiadores por trás embasando o fato. Não na base do achismo, mas dentro de normas da academia. É preciso tirar o acervo de dentro da casa das pessoas e democratizar a informação. Lá, a história acaba se perdendo. Até porque criar sites como esse é um projeto barato de se fazer. É basicamente isso, criar um site que possa ser percursor de vários outros nesse sentido de preservação – explica.

– O mais importante do acervo do meu pai são os trabalhos que ele realizou, do jeito que fez: bem organizado, dentro de inventários e levantamentos. As pessoas conseguem acompanhar de uma maneirmelhor. Por exemplo, o Inventário do Patrimônio Histórico de Cabo Frio é muito completo. Se você tiver a fonte de pesquisa primária, poderá fazer melhor uma pesquisa. Além disso, há muitas fotos interessantes. As pessoas vão se identificar com uma Cabo Frio que não existe mais, através de fotografias das décadas de 1970 e 1980. O meu pai também trabalhou com a área de comunicação antes de virar historiador. Portanto, há a parte audiovisual do acervo, como um CD que ele fez na época com o Rick Ferreira. O Rick tocou muitos anos com o Raul Seixas. Até as pessoas que não conhecem ele podem se interessar por essa faceta. Há também matérias que falam sobre a pesquisa dele.

Maria Werneck teve ampla ajuda para o site.

– Eu e meu marido, Vinícius Paixão, que é webdesigner e técnico de informática, tivemos muito trabalho. Ele fez toda a parte do layout, da construção do conteúdo na internet. Eu me foquei nos textos, na digitalização e na seleção do material. O site ainda não terminou, tem um material imenso sobre Búzios, sobre as Perynas, sobre o transporte de Cabo Frio, que disponibilizaremos aos poucos. Também há muita foto. Até o fim do ano acredito que tudo esteja disponibilizado – prevê.

Marcio Werneck da Cunha nasceu em Botafogo, no Rio de Janeiro. O carioca cursou Direito na PUC e trabalhou na parte de artes gráficas e fotografia na revista Contacto, através do Centro Acadêmico Eduardo Lustosa. Na mesma época, atuou na área publicitária na Agência Denison Propaganda S/A.
Nos meados da década de 70, Márcio desembarca em Cabo Frio. Participou de campanhas políticas e chegou a ser secretário de Turismo da cidade, onde teve gestão destacada por campeonatos de surfe e shows. No início da década seguinte, Márcio se mudou para Arraial.

Em 1989, o pesquisador abriu a UNA Estudos do Patrimônio Cultural – onde fez o levantamento da história de Cabo Frio. O material fez com que o pesquisador viesse a escrever livros: ‘Viagem à Terra do pau-brasil’ (1992), ‘Armação dos Búzios’ (2002) e ‘América de Américo’ (2003). O último foi publicado um mês antes de sua morte, que ocorreu por um câncer no pulmão.

As pessoas vão se identificar com uma Cabo Frio que não existe mais, através de fotografias das décadas de 1970 e 1980

Maria Werneck, jornalista e filha de Márcio