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feir de livros

​A fantástica viagem dos livros na Praça Porto Rocha

Número de jovens na feira surpreende vendedores

11 março 2017 - 10h54
​A fantástica viagem dos livros na Praça Porto Rocha

O mundo da literatura é uma viagem alucinante. Na Praça Porto Rocha, leitores serpenteavam pelos estandes de livros e, como num passe de mágica, acabavam no século XVII, ao lado de Machado de Assis, numa conversa sobre o humanitismo do filósofo Quincas Borba, caricato personagem do Bruxo de Cosme Velho. Os mais ousados subiam a escadaria do tempo à Montanha Mágica do alemão Thomas Mann e testemunhavam os crimes desvendados pelo detetive Hercule Poirot, da lendária Agatha Christie, a Rainha do Crime.

Neste mundo que explora o imaginário social, escritores brasileiros clássicos ganham espaço nas estantes cabofrienses. “O autor mais vendido aos gringos é Jorge Amado”, disse o vendedor Joaquim Pereira, 33, que completa: “O último livro que li foi ‘A Morte de Quincas Berro D’Água’. Já tinha visto o filme e gostei muito. É um livro fininho, de rápida leitura. Mas o que se destaca é a qualidade”.

O vendedor se surpreende com o número de jovens que frequentam a feira. De acordo com ele, 70% da saída é feita pelos mais novos. O exemplar que ele tinha em mãos, no entanto, era a memória de uma época que ninguém dessa idade viveu: a Ditadura.

– Um que é bem interessante que vende aqui no estande é o ‘Brasil Nunca Mais’. Procuram muito esse livro. Tem uma história curiosa sobre ele: o livro tinha o nome de vários torturadores. O tempo foi passando e os nomes foram tirados por processos na Justiça. Agora não tem mais nenhum – conta ele.

O garçom Wagner Souza, 34, chegou à feira em busca do famoso ‘Eram Os Deuses Astronautas’. Wagner é cliente antigo e já tinha visitado a feira itinerante quando ela estava em Magé.

– Diz a tese desse livro que fomos visitados por nós mesmos só que mais evoluídos. Ninguém sabe se é verdade, mas acho plausível. É sempre bom obter um segundo ponto de vista – pontua.

Os clientes podem se perder por um mar de variedade na feira. Nela, são encontrados desde o controverso ‘Minha Luta’ (escrito por Adolf Hitler) até um apanhado do Partido Comunista Brasileiro. Aos olhos dos fregueses estão clássicos, literatura fantástica, best-sellers, obras religiosas e de auto ajuda. A badalada escritora J.K. Rowling com o segundo livro da saga Harry Potter (‘A Câmara Secreta’) fazia companhia ao solitário Jean Paul Sartre com uma bela edição de ‘A Náusea’. Nas tendas entre o coreto e a Igreja de Nossa Senhora da Assunção, uma autobiografia do chileno Pablo Neruda: ‘Confieso Que He Vivido’, assim mesmo, em bom espanhol.

O vendedor Ivan Eyck, 56, vê os livros de historiografia ganharem destaque. Curiosamente, ele acabou de ler 1808, do jornalista Laurentino Gomes, que narra de maneira divertida a vinda da Família Real Portuguesa ao Brasil.

– As vendas estão boas. Eu tenho que ler de tudo para vender bem também. Para mim não há problema. Basta ter qualidade – explica o vendedor.