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Coluna

Valor

11 outubro 2021 - 11h37

Ao contrário do que muitos pensam, preço e valor não são a mesma coisa, apesar de todo preço ser representado por um valor. Segundo o Google, existem 116 sinônimos para essa palavra, dentre eles, quantia, montante, serventia, aplicação e benefício. O valor está relacionado ao grau de percepção de cada pessoa, tendo como parâmetro o princípio da necessidade. Alguns bens têm preço, mas se você não se sentir motivado a adquirir ou não tenha necessidade deles, eles não terão valor. Por outro lado, se a necessidade é grande, seja qual for o preço, haverá motivação para comprar em função do valor agregado. Volto a trazer uma citação de Warren Buffett, quando ele disse: “Por algum motivo, as pessoas se baseiam nos preços e não nos valores. Preço é o que você paga. Valor é o que você leva”.  Efetivamente, existem muitos bens que têm preço, mas não agregam valor, simplesmente por não apresentarem utilidade para quem poderia pagar por eles. Outros agregam tanto valor que não há preço que possa justificar sua comercialização. É o caso da vida. Quanto vale uma vida? Não tem preço, mas tem valor, embora no mercado marginal hajam valores atribuídos a uma vida. A história bíblica registra o “valor” que foi atribuído à vida de Jesus, trinta moedas de prata; o valor correspondente a vinte moedas de prata foi o preço estipulado pelos irmãos de José para vendê-lo a mercadores midianitas.  

 Mesmo nas coisas mais simples, o preço torna-se incrivelmente aviltado em relação ao valor que um bem ou serviço agrega, ou extremamente elevado, dependendo da necessidade de cada pessoa. Honra, honestidade, caráter, são características próprias do ser humano, não têm preço, mas têm valor. Uma citação popular diz que “todo homem tem seu preço”, mas, nesse momento, ao ser precificado, está perdendo seu valor.

No ambiente econômico, várias teorias foram concebidas para explicar a atribuição do valor de um bem ou serviço. Aristóteles (384 AC – 322 AC) foi um dos primeiros a discutir a questão do valor de uma mercadoria. Seguido por Adam Smith (1723 0 1790) e David Ricardo (1772 – 1823), que desenvolveram estudos mais sistematizados e completos sobre o tema. Posteriormente Karl Max (1818 – 1883) entrou na discussão acrescentando outro elemento, que foi a exploração do trabalhador pelo capitalista, criando sua própria teoria do valor “trabalho”. Max foi contestado pela economia marginalista, que propôs a teoria do valor “utilidade”, ou seja, uma tese segundo a qual seria a utilidade do bem que determinaria o seu valor monetário, ou preço. Ele sistematizou a teoria do valor da mercadoria ao defini-la como sendo portadora simultaneamente de valor de uso e valor de troca.

Atualmente o valor econômico é definido como a importância que uma pessoa dá a determinado bem ou serviço, seja para uso pessoal, seja para troca. Observa-se aí o aparecimento de outro viés que é a subjetividade, chamada de teoria subjetiva do valor ou teoria do valor marginal. Essa teoria preconiza que o valor de um bem ou serviço não está em si mesmo, mas sim na mente de quem quer adquiri-lo. Em última análise, os produtos só têm valor porque as pessoas desejam estes produtos. Logo, quanto mais as pessoas querem esses produtos, maior será o valor.  

Como podemos explicar, por exemplo, a razão pela qual um trabalhador que cuida da limpeza de um determinado local, recebe o valor equivalente a um salário mínimo e quem trabalha em outra função neste mesmo local, ganha cinco, seis vezes mais? 

  E uma obra de arte? Como explicar os elevados valores que algumas obras alcançam, enquanto outras, até com demonstração de mais talento, nem tanto?

A sociedade moderna estabeleceu seus próprios padrões para a palavra valor. Um amigo me perguntou certa vez: “Quanto tens no bolso?”. Respondi quanto tinha. Aí ele me disse: “Pois é isso que o mundo acha quanto vales”.  Exagero? Pode ser, mas é assim que o mundo nos vê.

Encerro com uma frase, muito utilizada no marketing: “Não fale o seu preço antes do cliente entender o seu valor”.