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Coluna

Padrão ouro

21 janeiro 2022 - 10h34

Em 1964 foi lançado nos cinemas o filme “007 contra Goldfinger”, inspirado no livro de Ian Fleming (1908 – 1964) e estrelado pelo ator Sean Connery (1930 – 2020). O enredo mostra a tentativa de Auric Goldfinger em querer assaltar o Fort Knox, prédio da reserva federal de ouro dos Estados Unidos, irradiando o ouro com bomba de cobalto e iodo, inutilizando-o. Com isso provocaria uma escassez do metal, gerando, como consequência, o aumento do seu valor no mercado internacional e desestabilizando a economia americana.

Fort Knox ou “United States Bullion Depository” é um edifício fortificado que funciona como “cofre forte” das reservas de ouro dos Estados Unidos e fica localizado no estado de Kentucky. No mundo real é inexpugnável, jamais foi invadido, em razão do aparato de segurança que o cerca, e de sua própria estrutura física.

Todo esse ouro armazenado pelos Estados Unidos representa um fator preponderante para assegurar a importância econômica do país e justifica a grande aceitação e valorização da sua moeda oficial, o dólar americano. Essa prática é chamada de “padrão ouro”, hoje em desuso pela maioria dos países.

No padrão ouro era obrigatório que cada país mantivesse uma parte de seus ativos em forma de ouro, criando reservas financeiras lastreadas por esse metal. O regime cambial era fixo. Isso significava que o valor da moeda era fixado conforme a quantidade de ouro que o país possuía. Esse sistema vigorou desde o século XIX até a primeira Guerra Mundial. Em 1944, na Conferência de Bretton Woods, realizada na cidade de mesmo nome nos Estados Unidos, os 45 países aliados, reunidos, tiveram como objetivo acertar uma série de disposições, definindo o gerenciamento econômico internacional, bem como as regras para as relações comerciais e financeiras, tendo o dólar como parâmetro. 

Existem muitas histórias envolvendo o ouro. No Brasil, em 1964 tivemos uma campanha com o seguinte slogan: “ouro para o bem do Brasil”, onde as pessoas eram motivadas a doar qualquer objeto de ouro que possuísse; anéis, alianças, cordões, pulseiras, relógios, entre outras joias, eram depositadas em urnas, sendo posteriormente recolhidas pelas autoridades responsáveis. Essa iniciativa partiu do grupo jornalístico dos Diários Associados, e tinha como objetivo ajudar o país a arcar com a dívida externa, equilibrar as finanças do Estado brasileiro, atenuar os efeitos da inflação e valorizar a moeda nacional. Entretanto, até hoje ficou obscura a forma como os recursos foram aplicados.

Nos Estados Unidos há o registro da “corrida do ouro”, quando aproximadamente 300.000 pessoas, oriundas de todos os estados americanos e de várias partes do mundo, correram para a Califórnia em busca do precioso metal, na expectativa de ficarem ricos, e muitos efetivamente ficaram.

Temos em nosso país uma área denominada “Serra Pelada”, no estado do Pará, que na década de 80 atraiu uma verdadeira corrida de pessoas, provenientes de toda parte do território nacional, em busca do precioso metal. Muitos enriqueceram, outros perderam a vida, e os que ficaram vivem em regime de pobreza sócio econômica no acampamento, que mais tarde se transformou numa vila do município de Curionópolis. Recentemente foi descoberta existência de mais ouro em uma área que estava abandonada, o que tem atraído garimpeiros novamente para a região. Entretanto, Minas Gerais é o estado brasileiro que mais produz ouro de forma oficial, através de empresas mineradoras.

No mundo, a China é o país que apresenta a maior produção, seguida da Austrália, Rússia e Estados Unidos. O Brasil ocupa a 13º posição no ranking mundial.

Ouro é um elemento químico classificado como metal de transição, de símbolo Au, sendo seu grau de pureza estabelecido conforme o seu quilate (K). Há o de 24 K, com 100% de pureza, e o de 18 K, com 75% de pureza, sendo este o mais comum, encontrado na maioria das joias comercializadas. Além da sua aplicação na ourivesaria, o ouro é utilizado sob a forma de barras como reserva de valor e investimento; na indústria eletrônica como condutor de eletricidade em placas de computadores e outros aparelhos. 

Não é sem motivo que um dos presentes levados ao menino Jesus, pelos Reis Magos, foi ouro significando sua realeza. 
Um provérbio alemão diz: “Gold Regiert Die Welt” (O ouro governa o mundo).