segunda, 05 de outubro de 2026
segunda, 05 de outubro de 2026
Cabo Frio
23°C
Coluna

Há pessoas e pessoas

Há pessoas e pessoas. Há pessoas que amamos. E outras que aprendemos a amar. Há pessoas que desgostamos. E outras que aprendemos a desgostar.  Há pessoas que amamos e desgostamos: tem as que amamos mais do que desgostamos e, porventura, aquelas que desgos

22 agosto 2018 - 18h36

Há pessoas e pessoas. Há pessoas que amamos. E outras que aprendemos a amar. Há pessoas que desgostamos. E outras que aprendemos a desgostar.  Há pessoas que amamos e desgostamos: tem as que amamos mais do que desgostamos e, porventura, aquelas que desgostamos mais do que amamos. Mas, justamente por sermos pessoas, sabemos que, no final das contas, bom mesmo é o amor, porque de desgosto morreu a solidão.

Há pessoas que esbarramos na rua, para nunca mais. E há as que surgem do acaso, do acaso fazem permanência e da permanência perpetuam paz. 
Há pessoas que chegam para partir. Outras que chegam para ficar. E ainda aquelas que já partiram, embora finjam estada. 

Há pessoas que sequer conhecemos, mas que, numa esquina qualquer, nos presenteiam com um sorriso aberto. Gesto pequeno, singelo. E enorme de importância. Gestos pequenos e singelos podem mudar os dias das pessoas. Há pessoas que se importam. Outras, simplesmente, não.

Há pessoas que nos abrem avenidas de possibilidades, de sentimentos, de emoções. Há aquelas que nos dão as mãos e mostram o caminho. E outras que somente nos sinalizam o destino, com o complemento: “se vira, pessoa!”. Também há aquelas que nos dão informação errada, por pura tolice ou má intenção – arapuca detectada.

Há pessoas que são a poesia em Pessoa: não são nada, nunca serão nada, não podem querer nada; à parte disso, têm todos os sonhos do mundo. E há aquelas que não estão fora da curva do Poema em Linha Reta, escrito pelo gigante poeta lusitano sob o heterônimo Álvaro de Campos: “Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”. 

Observe aqui outra coisa: o heterônimo. Uma pessoa inventada. Há pessoas e pessoas – mas só o escritor pode se inventar em outras pessoas.

Há pessoas que nos deixam saudades. Saudades eternas. Saudades até deixarmos de ser. De ser pessoas. Há pessoas que nos marcaram tanto que acabam fazendo parte de nós. Porque somos, em nossa particularidade, amálgama de tantas e tantas outras pessoas... Somos todas em uma só. Somos pessoas: múltiplas e singulares, apaixonadas e desinteressadas, cheias de certezas e errantes, sensíveis e pedras brutas... Complexas, complexas, complexas.  Há pessoas e pessoas.