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Coluna

Estratégia

14 maio 2022 - 18h43

O termo “estratégia” é de origem militar e etimologicamente vem da palavra grega “strategos”, que se entende como “arte do general”.  Em muitas situações misturamos “estratégia” com “tática”, mas há distinção entre estas duas palavras.  Conceitualmente, estratégia representa o planejamento, o plano a ser executado, o traçado do caminho, enquanto tática é a ação, a execução do plano ou da estratégia. Entretanto, há de se considerar que uma complementa a outra.

Sun Tzu (544 – 496 a.C), estrategista e filósofo chinês, autor do livro “Arte da Guerra”, escreveu que: “Todos podem ver as táticas de minhas conquistas, mas ninguém consegue discernir a estratégia que gerou as vitórias”.

Esopo (620 – 564 a.C), escritor e fabulista grego, é autor da fábula “O Corvo e o Jarro”, que ilustra bem o que é estratégia e o que é tática.  “Conta-se que um corvo estava sucumbindo de sede, então, viu do alto um jarro. Na esperança de achar água dentro, voou até lá com muita alegria. Quando o alcançou, descobriu, para sua tristeza, que o jarro continha pouca água em seu interior, e que era impossível retirá-la de dentro. Ainda assim, ele tentou de tudo para alcançar a água que estava dentro do jarro, mas como seu bico era curto, todo seu esforço foi em vão. Então ele começou a pegar tantas pedras quanto podia carregar e, uma a uma, colocou-as dentro do jarro. Ao fazer isso, logo o nível da água subiu e ficou ao alcance do seu bico, desse modo pôde beber, salvando assim sua vida”. Em situações difíceis ou de confronto é necessária a formulação de uma estratégia para solucionar o problema, que na fábula foi a necessidade do corvo em conseguir elevar o nível da água dentro do jarro, a fim de poder usar seu bico para bebê-la. A tática foi a ação de lançar pedras dentro do jarro para fazer a água subir e ficar ao alcance do seu bico.

O termo estratégia tem sentido semelhante a planejamento, diferindo apenas no aspecto efetividade. O planejamento apresenta grande flexibilidade e é altamente teórico, enquanto a estratégia é objetiva e já define o plano de ação quando elaborada. Muitas empresas erram por estabelecer objetivos sem saber como alcançá-los. Sabemos que a razão da existência de uma empresa tem como fundamento a obtenção de lucro, o que nem sempre ocorre de imediato, frustrando seus administradores. É necessário um período de maturação, de construção de um conceito mercadológico, consolidação da marca ou posicionamento no mercado, essas são as estratégias. Sun Tzu ensina em seu livro que muitas vezes é necessário recuar para aglutinar forças e a seguir avançar, para alcançar a vitória. Nesse sentido, Philip Kotler, considerado o pai do marketing, escreveu que: “É mais importante adotar a estratégia correta do que buscar o lucro imediato”.   

Considerado um dos maiores estrategistas da história, Napoleão Bonaparte (1769 – 1821), militar e imperador da França, foi vencido em uma guerra exatamente pela estratégia adotada pelo inimigo. Avançava ele com seu exército de 600.000 homens no congelado território russo e só encontrava povoados desertos e incendiados. Após alguns meses, teve que recuar, mas já era tarde, pois seus soldados morriam de fome e frio. Dos 600.000 só retornaram 30.000. O inimigo havia utilizado a estratégia de atrair o exército de Napoleão para dentro do seu território até exauri-los pela fome e pelo frio.

No campo do entretenimento, encontramos exemplo de utilização da estratégia, como nos episódios do Chapolin Colorado, personagem muito conhecido em programas de televisão, interpretado pelo humorista Roberto Bolanõs (1929 – 2014), o Chaves. Ele utiliza um bordão interessante ao final de cada tarefa bem concluída, quando exclama: “Não contavam com minha astúcia”.  Esta “astúcia” a que se refere é nada menos que a estratégia usada para derrotar os vilões.

Em todas as atividades, para sermos bem sucedidos, precisamos traçar uma estratégia. Nas empresas, o lançamento de um produto no mercado precisa levar em conta o público alvo, a época do ano, a cultura do povo, o poder de compra.  No ambiente corporativo é que a estratégia alcança sua maior relevância, pois representa ações de direcionamentos planejados e adotados pela empresa para ganhar vantagem competitiva frente aos concorrentes no seu cenário de atuação.

Por mais paradoxal que seja, devemos aprender com a “estratégia” da água a adequar-se às situações que se apresentarem. Se obstáculos aparecerem, contorna-se; se não tiver como contornar, deixa-se elevar até poder passar por cima; se estiver muito frio, passa para o estado sólido; se as condições forem favoráveis, adota o estado líquido; se o calor for insuportável, evapora para posteriormente retornar sob a forma de chuva.

Há momentos em que a maior sabedoria (estratégia) é parecer não saber nada. (Sun Tzu)

(*) Clésio Guimarães é empresário, professor, administrador de empresas e representante do CRA-Conselho Regional de Administração.