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Coluna

Equilíbrio

24 março 2023 - 07h00

Conta-se uma história de que, certa vez, um agricultor encarregou um dos seus empregados para cuidar de um campo de arroz. No primeiro ano, o serviçal zelava para que não faltasse a água necessária ao sustento da lavoura. O arroz cresceu forte, proporcionando uma abundante colheita. No segundo ano, o empregado teve a ideia de acrescentar adubo na terra. E o arroz cresceu rápido, e a colheita foi mais abundante. No terceiro ano, entusiasmado com o progresso obtido, aumentou a quantidade do fertilizante. A colheita foi maior, mas os grãos de arroz nasceram pequenos e sem brilho. O empregado ficou sem entender o que tinha acontecido e foi consultar o agricultor, dono da lavoura. Este, então, o advertiu dizendo: “Se continuar aumentando a quantidade de adubo, não terá nada de valor na próxima colheita”. O que tinha acontecido, na verdade, foi que ele tinha ultrapassado o ponto de equilíbrio, pois colocou adubo em quantidade maior do que era necessário e isso inibiu o crescimento. Na vida, nem sempre mais significa mais, isso só acontece na matemática.

Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), filósofo grego, é autor de uma frase que diz: “O equilíbrio é a perfeição”. Em outra ele completa: “A virtude consiste em encontrar o meio-termo entre dois extremos”.  Assim é tudo na vida. Uma temperatura corporal muito baixa pode matar; uma temperatura muito alta, também. Muita comida faz mal; pouca, mais ainda. Ambiente com temperatura muito elevada incomoda; muito fria, igualmente. Remédio foi feito para curar, mas, se ingerido em excesso, pode matar.

Sempre é necessário encontrar o ponto de equilíbrio.  Necessariamente “ponto de equilíbrio“ não significa o meio, e sim quando os extremos se completam. Na física, equilíbrio significa “uma posição estável de um corpo, sem oscilações ou desvios”, ou ainda, segundo outra vertente, “condição de um sistema em que as forças que sobre ele atuam se compensam, anulando-se mutuamente”, determinando o equilíbrio estático e o dinâmico.

Pôncio Pilatos, governador romano de 26 a 36 d.C., ao lavar as mãos no julgamento de Jesus, não estava demonstrando equilíbrio, muito pelo contrário, estava ficando em “cima do muro”, assumindo uma posição de omissão e covardia, como muitos fazem até hoje.       

Nas contas públicas busca-se alcançar o equilíbrio fiscal, que se traduz por “estabilidade” econômica, situação em que as despesas são cobertas pela arrecadação. Para isso aplica-se a “política fiscal”, onde os tributos são aumentados ou reduzidos para se alcançar o desejado equilíbrio. A fórmula é bem simples, mas por pressão política muitas vezes o caminho da pretendida estabilidade é desvirtuado.   

Passando para a área humana, encontramos o “equilíbrio emocional”, que consiste numa competência comportamental onde se reconhece a influência das emoções e, como resposta, permitir exercer o autocontrole sobre elas, a fim de obter reações mais centradas, racionais e harmônicas, mesmo diante de situações extremas, como crises. A falta de equilíbrio emocional gera como consequência, irritabilidade, reações impulsivas, culminando com problemas na saúde física.            

O universo está em equilíbrio. Albert Einstein (1879 – 1955), físico teórico alemão, passou por essa área ao ensinar: “Viver é como andar de bicicleta. É preciso estar em constante movimento para manter o equilíbrio”.