Ando. Ando pelas areias. Ando sobre as conchas, raspando os pés descalços na fina camada d’água que vai e vem. Uma pedra pontiaguda perfura meu pé esquerdo.Ando. Ando pelas areias. Ando pelas areias com a minha companheira, dor. Ela me desloca da paisagem paradisíaca para um universo paralelo, onde é protagonista: grita, me paralisa e consome. Um pouco de sangue escorre e se dissipa na onda que bate em meu calcanhar. Abaixo-me para verificar a profundidade do corte. Coisa pouca, bobagem. Ando. Ando pelas areias. Ando pelas areias com a minha companheira, dor, a quem peço, quase em súplica: por favor, fale um pouco mais baixo – preciso ouvir o som do mar.




