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Coluna

Crediário: bênção ou maldição?

22 julho 2021 - 14h20

O apóstolo bíblico Paulo deixou-nos um ensinamento bem interessante ao escrever sua primeira epístola aos Coríntios. Disse ele: “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas me convêm”. Ele quis dizer que existem coisas que podemos fazer, mas devemos evitar. Como a Bíblia é o livro da razão e do equilíbrio, não devemos ignorar. Falo isso como introdução ao assunto de hoje, crediário e sua parentela, como o empréstimo, o financiamento, o consignado, e o cartão de crédito, que é a ovelha negra desta família. Quando o dinheiro é “curto”, a solução de sete entre dez brasileiros é recorrer ao crediário, que é uma forma de comprar hoje para pagar depois. E as empresas utilizam a oferta de crédito ao consumidor como forma de promoção. Propaganda do tipo: “Compre hoje e pague somente daqui a 90 dias” ou “parcele em dez vezes sem juros no cartão de crédito” são sempre atrativos para realizar uma compra. A maioria não resiste. Ainda mais se for pelo cartão de crédito, pois a compra é feita sem qualquer tipo de burocracia. A difusão do crédito, além de gerar uma receita marginal para a empresa pela inserção de juros, embutidos ou não, serve também como uma estratégia de marketing, acelerando vendas e promovendo o produto ou serviço.

 A facilidade em obter e utilizar o cartão de crédito, muitos possuem mais de um, torna-o um inimigo perigoso. Tempos passados, pouquíssimas empresas ou bancos administravam contas de cartão. Hoje, qualquer lojista ou instituição pode lançar um cartão com sua bandeira, o que o torna bem popular. O que era um atributo de status social passou a ser uma ocorrência normal na vida de qualquer cidadão, a única distinção ocorre pelo limite atribuído a cada titular, número de estrelas ou cor do cartão. Bancos e empresas administradoras chegam a incomodar de tanto que insistem para que você adquira um.                                                                                                             

Dados divulgados pelo SERASA indicam que na média, 29,2 % dos brasileiros utilizam esta forma de pagamento. Mas quando se faz um corte por faixa de renda, verifica-se que 60,7% dos que ganham até R$ 1.100, fazem uso dele. Caso o usuário faça a opção em pagar o valor mínimo da fatura, aí estará mesmo perdido, pois os juros podem chegar a 340% ao ano. Isto porque as empresas de cartão de crédito são classificadas como prestadoras de serviços, não estando sujeitas às regras do sistema bancário. 

Outra situação que se apresenta muito séria, é a utilização dos chamados “empréstimos consignados”, aqueles cujas parcelas são retidas diretamente na fonte pela empresa pagadora da renda que as repassam aos financiadores. O valor da prestação fica automaticamente descontado do salário do trabalhador ou aposentado. Para quem concede o empréstimo, o risco de inadimplência é praticamente nenhum. 

Mas, por uma questão de justiça, quando se fala em crediário, nem tudo são espinhos. A tomada de recursos para investimento é uma excelente opção para quem não tem capital. Isto se explica pelo motivo de que o recurso vai ser utilizado para montagem de um empreendimento e consequentemente geração de renda, que possibilitará o pagamento do valor tomado como empréstimo. Algumas modalidades de financiamento oferecem inclusive um período de carência para inicio dos pagamentos.

Agora, tomar dinheiro emprestado para consumo, é praticamente um suicídio, pois vai comprometer a renda do tomador com o pagamento das parcelas, mais os juros que estarão sendo cobrados. Claro que existem exceções que devem ser respeitadas, dependendo de cada caso.

A solução para não cair nesta armadilha é tentar postergar a compra, ir juntando o dinheiro e no momento propício efetuar a aquisição, pagando a vista, podendo conquistar descontos extras através de negociação.
Outra regra é separar suas compras por graus de utilidade, classificando-as em consumo e patrimônio. No primeiro caso, ocorre o desaparecimento do bem pelo uso, o aconselhável é que a compra seja feita a vista. No caso do patrimônio, uma vez que o bem será conservado, e por mais que seja utilizado sempre deixará um valor residual, aí, pode ser usado o crediário.

 Repasso uma regra que sempre ensinava em minhas aulas de economia: “O segredo para se conquistar riquezas e ficar rico consiste em gastar menos, não necessariamente ganhar mais”.