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Coluna

Consumismo

21 março 2022 - 13h43

Içami Tiba (1941 – 2015), médico e psicodramatista, a respeito do consumismo, assim se expressou: “E o grande drama é que o consumista nunca é feliz, pois desvaloriza o que tem para sofrer com o que ainda não tem”. Considerando que o consumismo é um estilo de vida orientado por uma crescente propensão ao consumo de bens e serviços, em geral supérfluos, e em razão de um comportamento social alimentado pelos meios de comunicação, as empresas investem em divulgação com o objetivo de incrementar mais consumo e alavancar vendas. O grande problema para o consumidor, claro, é que esta prática pode encaminhar para um quadro de “oniomania”, que é um transtorno de compra compulsiva,
considerada como uma doença.

Um dos casos clássicos de consumismo foi o da primeira dama das Filipinas, no período de 1965 a 1986, Imelda Marcos. Noticiou-se que ela possuía cerca de 3.000 pares de sapato, além de centenas de obras de arte e uma infinidade de joias de diversos modelos. Era conhecida como Borboleta de Ferro tal sua influência no governo do marido Ferdinando Marcos (1917 – 1989). Em função das suas extravagâncias em consumo, ficou conhecida como “Maria Antonieta, com sapatos”, numa alusão à Rainha consorte da França Maria Antonieta (1755 – 1793).

A maioria dos produtos não perecíveis teria uma durabilidade muitas vezes superior à que nos oferecem nos dias atuais, se não fosse ao que se chama de “obsolescência programada”. Por essa prática, os produtores reduzem deliberadamente a vida útil dos produtos com o objetivo de fazê-los girar mais vezes. Uma lâmpada fluorescente, or exemplo, apresenta uma durabilidade de 6.000 horas, mas a tecnologia, cada vez mais evoluída, poderia triplicar essa durabilidade, o que não interessa aos fabricantes. Na cidade americana de Livermore, na Califórnia, existe uma lâmpada incandescente, sob a guarda do corpo de bombeiros local, que foi acesa em 1901, e assim permanece ininterruptamente até hoje. Qual o segredo dessa lâmpada? Simples, foi fabricada com filamento oito vezes mais grosso. Feito com carbono, esse filamento apresenta
alta durabilidade.

Os primeiros automóveis produzidos pela fábrica Ford, saíam da linha de produção somente na cor preta. Como uma segunda venda para o mesmo consumidor estava demorando muito tempo, o fabricante resolveu oferecer cores alternativas, isso gerou uma motivação psicológica no cliente para troca do veículo antigo por um novo.

Esse fenômeno chamado consumismo é tão instigante que consegue desviar a atenção das pessoas diante de problemas
de maior relevância. Içami Tiba, estudando o comportamento dos consumidores, assim se expressou: “Não se pode
controlar o próprio povo pela força, mas se pode distraí-lo com o consumismo”.

O combustível da economia é o consumo. Determinados bens exercem sobre as pessoas um fascínio hipnótico. E as
empresas exploram esse comportamento, promovendo mudanças constantes a fim de influenciar os consumistas a adquirirem um novo modelo, como uma nova tendência de moda, entre outros atrativos. Aparelhos celulares, automóveis,
relógios, roupas, calçados, são alguns exemplos de produtos que provocam dependência  de consumo. Quando do lançamento de modelos mais avançados de smartphones consumidores chegam a ficar na fila em porta de lojas por mais de um dia para serem os primeiros a adquirirem, mesmo já sendo possuidores de outro aparelho.

Uma das causas do fomento do consumismo tem sua origem na Revolução Industrial que teve inicio na segunda
metade do século XVIII (1760) na Inglaterra, e provocou grande desenvolvimento tecnológico, se espalhando
pelo mundo. A produção passou do sistema artesanal para o da produção em massa, gerando aumento substancial
dos itens produzidos. Com isso houve a necessidade de provocar aumento do consumo para absorver o que se produzia.
A solução foi diminuir a durabilidade dos bens, criar novos atrativos ou funções para os que já existiam, motivando uma nova compra.

Um caso interessante, que se transformou em “case” em aulas de Economia, oi vivenciado pela Colgate. A empresa precisava aumentar sua produção de creme dental em 30%, por isso contratou um consultor para resolver o problema. O profissional pediu uma semana para encontrar a solução. Ao final do prazo, reuniu a diretoria e apresentou a seguinte proposta: “Vocês vão aumentar o orifício do tubo por onde sai a pasta de dente em 30%. Quando o consumidor espremer
para utilizar o produto vai sair mais quantidade, logo o consumo será aumentado na mesma proporção”. Esta
estratégia é chamada de “consumismo induzido”.

Evidente que todo tipo de “consumismo” é incentivado e comemorado pelas empresas que vendem bens e serviços. Adam Smith (1723 – 1790), considerado o “pai” da economia moderna, escreveu que: “O consumo é a única finalidade e único propósito de toda produção”.

*Clésio Guimarães é empresário, professor, administrador de empresas e representante do CRA-Conselho Regional de
Administração.