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Coluna

Amamentar ou não amamentar? Eis a questão

18 dezembro 2020 - 19h12

Ah, a amamentação, não é mesmo? Esse momento tão maravilhoso de olhos nos olhos, você ser o alimento do seu filho, tudo o que ele precisa pra viver está ali, em você! É lindo? É incrível! Mas ao contrário do que as pessoas pensam quando veem aquela mãe plena e serena dando de mamar na rua, nem sempre foi esse mar de rosas! Pelo menos não nos primeiros dias, quiçá nos primeiros meses. A não ser que você seja uma daquelas mães abençoadas pelo universo que tiraram a amamentação de letra (sim, elas existem, conheci duas enquanto estava grávida), você vai se identificar com o que eu vou falar.

Aqui vai o meu primeiro contato com a amamentação: a primeira coisa que eu fiz, foi estudar essas questões todas pela internet. Vídeos, imagens, textos. Na teoria tudo estava maravilhoso, eu achava que ia ser banana com mel, craque no assunto. Doce ilusão. Quando a enfermeira colocou Gael no meu colo e perguntou: “E aí, mamãe? Pronta pra dar de mamar?”, eu estava excitada e agitada pra pegar meu filho no colo e mal pensei no que estava por vir. Aquela moça estranha agarrou nos meus peitos e começou a apertar meu bico freneticamente. Pra minha sorte não demorou muito e o colostro apareceu. Tive medo que ela ficasse ali até que meu peito produzisse milkshake, sei lá. Apertando meu bico até virar uma uva-passa. ela o enfiou na boca no meu filho, que, pra minha sorte, também não demorou muito pra começar a sugar. Ela me disse algumas coisas numa velocidade considerável, e eu olhando pro meu filho mamando pela primeira vez, não dei muito ouvido. Até aí tudo lindo, que momento!

Ele mamou por meia hora, mais ou menos, e soltou sozinho adormecido. Meu primeiro susto: meu bico estava amassado e com um pedaço roxo como sangue pisado.  Não estava doendo, então não dei muita ideia. Porém aquele peito nunca mais seria o mesmo, acreditem. Eu errei em não questionar melhor a enfermeira sobre como eu deveria colocar meu filho pra mamar. Se tem uma dica que eu dou é essa: questionem, peçam ajuda, perguntem pra vó, tia, papagaio. Mas não tentem fazer tudo sozinhas.   Antes mesmo de anoitecer eu já tinha acabado com os dois bicos. Na terceira vez eu já estava sentindo uma dor considerável, fora a dor da cirurgia, fora o mau jeito pra pegar ele, fora a quantidade de gente visitando, fora o susto de num dia estar grávida no outro ser mãe, fora tantas, mas tantas coisas que não consigo nem listar. A primeira noite foi, sem dúvida, a mais difícil da vida. Com sono, cansada, morrendo de dor, num quarto de hospital, meu filho chorando e eu não sabia o que fazer. Eu chorava junto. Eu chorava muito junto.

O primeiro mês da amamentação foi um circo de horrores, cada vez que ele pegava errado machucava ainda mais, meu bico sangrava, todo rachado, com vários pontos roxos, mas meu filho tinha fome, e eu precisava colocar ele pra mamar. Eu nunca senti uma dor parecida com essa em toda minha vida. Eu juro que eu entendo as mães que acabam desistindo, eu mesma pensei em desistir várias vezes. Mas, como um mantra, eu repetia: vai passar.

Os primeiros meses são realmente muito difíceis, absurdamente difíceis, mas aos poucos as coisas entram no lugar e você vai poder aproveitar desse momento incrivelmente lindo que é ser o alimento do seu filho. A pediatra dizendo que ele está engordando e saudável, aquele olhar profundo, não tem preço. Eu passaria por toda dor de novo. Mas se no final das contas você achar que não vai conseguir, mamãe, não se sinta a pior pessoa do mundo. Todas nós sabemos o que é isso, e precisamos aprender a parar de julgar outras mães. Cada uma sabe a sua dor e seus limites e não existe jeito certo ou errado de criar o seu filho!