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Prefeitura não paga e agonia continua

Servidores seguem sem receber benefícios e podem recorrer à Justiça

10 agosto 2015 - 08h00

Rodrigo Branco

 

Com a parcela do auxílio-doença atrasada há oito dias, o caso do servidor José Gessé da Silva Santos, 58, destacado na capa da Folha de anteontem, está longe de ser isolado. Ou­tros funcionários da Prefeitura seguem sem receber o benefí­cio, repassado ao mesmo após o quinto dia útil do mês, prazo final para o pagamento, e têm passado por dificuldades. O próprio Gessé mudou-se tem­porariamente para a casa da sobrinha, nas Dunas, por estar com o aluguel atrasado de sua casa, no Jardim Esperança.

– Ontem (anteontem), liguei para lá, mas até agora continua sem previsão de pagamento. Fico com vergonha de olhar para ele (dono do imóvel onde mora). Eles deveriam dar uma notícia. Não é nada contra os contratados, mas tenho que ver os meus direitos – desabafa Gessé, que não descarta recor­rer à Justiça para receber os R$ 1.100 que tem direito.

Na mesma situação que Ges­sé está a professora concursada Débora de Oliveira Naval, 39. Recuperando-se de uma cirur­gia no joelho e com problemas de diabetes e hipertensão, Dé­bora precisa do dinheiro repas­sado ao Ibascaf para pagar as despesas com remédios, que chegam a R$ 200 mensais. Hoje ela conta apenas com o salário recebido por lecionar na rede pública de São Pedro de Aldeia.

– É uma situação muito com­plicada. As contas estão ven­cendo e não sei quando vou receber. Pior é que talvez não paguem o benefício integral. O cartão de crédito não quer saber se a Prefeitura não me pagou. A luz se não é paga, eles cortam. Isso fora os juros – reclama.

Não bastasse bancar o pró­prio tratamento, há servidores municipais que têm pago para trabalhar, ou seja, precisam tirar do próprio bolso o dinheiro da passagem, pois o vale-transpor­te não é pago aos funcionários há dois meses. Caso da também professora Marinete Guima­rães, 62, que mora no Alecrim e dá aula no Jardim Excelsior.

– Como a passagem é de in­termunicipal, gasto R$ 9 todos os dias, fora os sábados letivos. Falaram que vão pagar no fim do mês, mas as dívidas não es­peram – lamenta Marinete, cujo gasto mensal com transporte é de R$ 216.

Segundo a diretora do Sepe- Lagos, Denise Teixeira, uma assembleia está marcada para o próximo dia 20 para saber quais providências serão tomadas. Vale lembrar que no caso da Educação, o Governo Federal destina verbas específicas para o pagamento dos profissionais. Além disso, é descontado men­salmente pela Prefeitura um va­lor para a Previdência.

– Vivemos um verdadeiro ab­surdo. Salários em dias diferen­tes fazendo distinção de quem realiza o mesmo trabalho, falta do pagamento de todo o pesso­al que está em licença médica. Nossos profissionais estão ado­ecendo e quando mais precisam não tem dinheiro para comprar seus medicamentos – critica.

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