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Venda casada gera polêmica no cinema do shopping de Cabo Frio

Procon autua Cine Araújo e consumidores reclamam de proibição da entrada com alimentos

25 julho 2014 - 11h18Por Nicia Carvalho
Venda casada gera polêmica no cinema do shopping de Cabo Frio

É um filme tão conhecido quanto as atrações da ‘Sessão da Tarde’ – e repleto de polêmica. Roteiro: clientes não podem entrar com alimentos nas salas do cinema, podendo consumir apenas os que são postos à venda pelo estabelecimento. Desta vez, aconteceu no  Cine Araújo, no Shopping Park Lagos, em Cabo Frio. Por conta disso, o Procon autuou esta semana o cinema por venda casada. A defesa deverá ser apresentada em quinze dias. A prática, segundo o advogado Vitor Martins, é comum, embora lei federal regulamente a questão.

A reportagem da Folha tentou contato com a direção do cinema, mas não não teve retorno.

– A atividade fim do cinema é reproduzir filmes, e não vender alimentos. Não pode proibir. É crime, previsto em lei federal – explicou Vitor Martins.

Segundo ele, o prejuízo que as empresas têm com os poucos clientes que reclamam é ínfimo comparado com o lucro que a prática oferece.

– Muitos consumidores não reclamam, não requerem indenização. Por isso, muitas empresas continuam fazendo venda casada – afirmou.

 Além da proibição da entrada no cinema com alimentos comprados, o estabelecimento também foi autuado por extintor de incêndio com data de validade vencida, ausência de bebedouros disponíveis aos consumidores, falta de informação de preço nos produtos e ausência de exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) para consulta dos clientes.

Reprovação – Bryan Gomes, 16, estudante do primeiro ano do ensino médio, reprovou a atitude do cinema.

– É uma palhaçada isso. As coisas são caras. A gente está lá para ver filmes. Se pode entrar com alimentos, por que tem que ser o deles? – questiona .

Faz coro a manicure Amanda Rangel, 22.

– Todo mundo tem direito de comprar o que quiser, seja onde for. Não concordo com a prática do cinema – opinou a manicure.

O programador Douglas Braga, 18, critica a proibição e também os preços praticados.

– Todo mundo sabe que pipoca dentro do cinema é muito mais caro. Totalmente errado proibir e cobrar preços abusivos – disparou. A universitária Gabrilea Koch, apesar de ainda não ter sido proibida de entrar com alimentos no cinema, aprovou a medida do Procon.

– Claro que não é certo. E, se acontecesse comigo, iria reclamar. Primeiro porque é contra a lei. Segundo, eles estão me obrigando a comprar onde é mais caro – enumerou.

Outra que também passou por constrangimentos foi a estudante do primeiro ano do ensino médio Laura Rozendo, 15. Segundo ela, um funcionário barrou a entrada com alimentos.

– Tivemos que comer tudo ali na porta do cinema para que pudéssemos entrar. Acho errado – opinou. As amigas Amanda Ribeiro e Victória Badini, ambas de 15 anos, reclamam dos altos preços dos produtos à venda na bombo-nière e também dos ingressos.

– Vou muito ao cinema, tanto aqui no centro como no shopping. E nos dois lugares é muito caro a pipoca e o ingresso – queixou-se Amanda.

– Acho uma exploração com os clientes, além de falta de respeito. Já pagamos o ingresso, que não é barato. Não poder consumir fora dali é um roubo – disparou Baldini.