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‘Tapete verde’ incomoda moradores 

Problema é resultado da proliferação de algas 

 

11 agosto 2014 - 11h29Por Rodrigo Branco/Foto: Johnny Costa
‘Tapete verde’ incomoda moradores 

O problema tem se repetido frequentemente, mas há pouco mais de uma semana tem indignado os ambientalistas e incomodado moradores e pessoas que caminham à beira da Lagoa de Araruama, na altura das Palmeiras, a menos de um quilômetro do Shopping Park Lagos, em Cabo Frio. Uma grande quantidade de algas verdes formou uma espécie de “tapete” no espelho d’água por conta de reações químicas ocorridas no local. A cena seria apenas curiosa, não fosse causada pela deficiência de saneamento básico na região. 

A situação sempre acontece após período de chuvas, como o observado há cerca de duas semanas. Isso ocorre pelo fato de a concessionária responsável pelo abastecimento de água e tratamento de esgoto na região, a Prolagos, realizar, por contrato, o tratamento do esgoto apenas com tempo seco, conforme explica o líder do Movimento Lagoa Limpa, o ambientalista Daniel Ribeiro.

– O nome desse tapete é eutrofização, que é a proliferação de algas causadas pelo aumento de nutrientes na água, que é resultado do despejo de esgoto sem tratamento na Lagoa de Araruama em dias de chuva. O tratamento em toda Região dos Lagos ocorre apenas em tempo seco – esclarece.

Em nota, a concessionária disse que uma vistoria foi realizada no local e não foi encontrado qualquer indício de mau funcionamento do sistema de coleta a seco. A falha teria, na verdade, se originado nas instalações do próprio shopping.  Uma equipe técnica foi colocada à disposição para a correção do problema, mas as providências já teriam sido tomadas.

O fato é que o cenário não apenas gerou um impacto visual em quem passa de carro ou caminha naquela região. O forte e desagradável odor produzido pela decomposição das algas espalhadas tem incomodado moradores e turistas.

Além disso, a redução do oxigênio da água alterou a biodiversidade local, provocando a mortandade de peixes e crustáceos, conforme pôde atestar a reportagem da Folha dos Lagos, ontem pela manhã. O quadro tem preocupado o Movimento Lagoa Livre, que foi veemente nas críticas.

– O impacto é ambiental e visual, o que é um problema para uma cidade que vive do turismo.  Está na hora de (a lagoa) deixar de ser um receptor de esgoto e voltar a ser o que sempre foi: a maior laguna hiperssalina do mundo e patrimônio da Região dos Lagos – disparou.

Por outro lado, em função de a resposta da concessionária Prolagos ter sido enviada próxima ao fechamento do jornal, também não foi possível entrar em contato com a administração do Shopping Park Lagos.

Coleta a tempo seco – De acordo com a Prolagos, o sistema de coleta de esgoto a tempo seco consiste na interceptação do esgoto presente nas galerias da rede pluvial (que recebe as águas da chuva), evitando que ele seja lançado ‘in natura’ no ecossistema local.

Em seguida, o esgoto coletado é encaminhado para as Estações de Tratamento (ETEs), que em Cabo Frio, ficam na Praia do Siqueira, essa próxima ao “tapete verde” e no Jardim Esperança.

No período de chuvas torrenciais, as comportas são abertas para evitar que as águas transbordem dos reservatórios existentes nas ETEs e inundem as ruas dos bairros próximos.