Assine Já
terça, 22 de setembro de 2020
Região dos Lagos
19ºmax
16ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 7847 Óbitos: 412
Confirmados Óbitos
Araruama 1514 100
Armação dos Búzios 473 10
Arraial do Cabo 231 13
Cabo Frio 2555 140
Iguaba Grande 640 34
São Pedro da Aldeia 1284 51
Saquarema 1150 64
Últimas notícias sobre a COVID-19
produção

Queda na produção de petróleo da Bacia de Campos aumenta crise

Para especialista, prioridade de investimento no pré-sal de Santos estimula desemprego na região

26 agosto 2017 - 07h50Por Rodrigo Branco | Reprodução
Queda na produção de petróleo da Bacia de Campos aumenta crise

Pilar fundamental na economia dos municípios da Região dos Lagos nas últimas décadas, o petróleo perde protagonismo a cada dia. Em junho deste ano, a Bacia de Campos, que já foi responsável por 80% da produção nacional, teve o percentual reduzido a 51%. Como comparação, o óleo produzido na camada pré- sal da Bacia de Santos representou 43% da atividade petrolífera brasileira.

Por diferentes razões, para os especialistas, a tendência é que ainda este ano a extração nos campos do litoral paulista, sobretudo os de Lula e Sapinhoá, supere o número de barris originários dos poços do Norte Fluminense. Com isso, as cidades da região, já bastante impactadas com a queda no preço do petróleo no mercado internacional e a consequente redução dos royalties, se veem ainda mais em apuros do ponto de vista financeiro.

Para o economista Sérgio Monteiro, a diminuição da importância da Bacia de Campos no cenário acontece por razões naturais, como o amadurecimento dos campos de exploração, alguns com mais de 25 anos; e estruturais, como falta de recursos suficientes para o trabalho, em virtude da crise na Petrobras. Seja como for, Monteiro alerta que o declínio na produção gera uma espécie de ‘efeito dominó’ na cadeia produtiva local.

– Se não há dinheiro para a prospecção, as próprias equipes vão sendo diminuídas, o que gera falta de emprego. Uma coisa leva a outra. Mais crise significa menos emprego, que significa menos renda, que significa menos consumo. E a região vai sendo toda afetada – afirma o economista.

Na opinião do especialista em petróleo e gás e colunista da Folha, Leandro Cunha, os efeitos não serão tão drásticos de imediato. Cunha alerta que se a matriz de desenvolvimento dos municípios não for mudada, pode haver derrocada financeira em até cinco anos. Ele afirma ainda que a Bacia de Campos não será abandonada de uma hora para outra, mas admite a perda de prestígio.

– Ainda há campos grandes, ainda há espaço. Mas a taxa de crescimento da produção da Bacia de Santos está muito mais elevada que a de Campos. No mais tardar, em meados de 2018, (Campos) seja ultrapassada – aposta.

No próximo dia 6, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) promoverá uma audiência pública para tratar da requalificação dos poços da Bacia da Bacia de Campos. Para o deputado estadual Janio Mendes (PDT), a saída para a crise no setor é a formação de uma frente com políticos da região com o objetivo de pressionar a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo (ANP) que, na opinião dele, têm seus próprios interesses.

– Há três anos tenho batido nessa necessidade de formar essa frente. Os poços da Bacia de Campos são ‘poços cansados’. Os da Bacia de Santos são novos e com nova tecnologia. Além disso, sobre os poços de Campos têm uma carga tributá- ria maior e sobre eles incidem mais royalties e participações especiais. Já o pré-sal é da União e não tem participação especial. Para o Governo Federal é mais lucrativo porque no pré-sal os royalties são seus pelo novo marco regulatório, deixando um pequeno percentual para os municípios – explica o parlamentar.

Marquinho:  "Temos que nos readequar à realidade"

Prefeito do município que mais arrecada com a verba compensatória pela exploração do petróleo, Marquinho Mendes (PMDB) afirma que está preocupado com a transição de Cabo Frio para um novo modelo econômico. Segundo o prefeito, atualmente os royalties apenas complementam a receita, diferentemente de outros tempos. O prefeito reclama da flutuação no valor arrecadado mensalmente. Para se ter uma ideia, o município receberá, na próxima segunda-feira, cerca de R$ 1 milhão a menos do que o depositado no mês passado. Marquinho chamou a situação de ‘caixa -preta’.

– Não se sabe as regras adotadas para os repasses. Não conesigo entender o cálculo da ANP e ninguém entende como ele é realizado. Temos que aceitar e entender que o petróleo se trata de um recurso finito. Temos que nos adequar à realidade – disse.

Para Marquinho, a solução dos municípios é trabalhar a arrecadação própria para sair da ‘petróleodependência’.

– Cabo Frio não tem outra saída. Temos primeiro que organizar a cidade e torná-la em cidade turística. Esse é um processo. Temos adotado outras medidas como recuperar a Dívida Ativa, que é uma receita significativa; facilitar a retirada de alvará, o que representa novos investimentos; combater a inadimplência do IPTU. São várias frentes para compensar essa perda – explica.