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Mercado do Peixe

Movimento no Mercado no Peixe decepciona comerciantes

Crise financeira do país é citada como um principal motivo para baixa procura por pescados no local

18 abril 2019 - 20h36Por Texto e foto: Alexandre Filho
Movimento no Mercado no Peixe decepciona comerciantes

O feriadão da Semana Santa chegou e com ele a tradição de sentar à mesa com a família e degustar um bom prato de peixe. Entretanto, apesar do costume se manter firme e forte em muitos lares, comerciantes do Mercado do Peixe de Cabo Frio se decepcionam com o movimento do local, fenômeno que segundo eles vem piorando gradativamente ano após ano.                                                                                                                    

Na manhã de ontem, o Mercado do Peixe recebia dezenas de clientes que pesquisavam preços e buscavam o melhor exemplar de pescado para servir no almoço de hoje e durante os dias que se sucedem. Porém, segundo o proprietário da Peixaria do Nei, Volnei Oliveira, que há 42 anos trabalha no local, o movimento não é nada se comparado ao visto em anos anteriores, o que o faz estar desesperançoso com as vendas. Volnei culpa a crise no país pela baixa procura dos clientes.  

– Minha expectativa de vendas para esta Semana Santa não é das melhores, não, principalmente por conta da crise financeira do país. Estamos em recessão, passando por problemas, e além do desemprego, quem tem dinheiro está economizando. Há alguns anos atrás, em quinta-feira pré Semana Santa você não conseguiria nem entrar aqui de tanta gente, mas há muito tempo que isso só vem diminuindo. Para se ter uma ideia, a minha expectativa é de vender 300kg de camarão nesse feriado, enquanto há 15 anos atrás eu vendia até uma tonelada, quando eu vendia até em atacado – disse ele.

Quem também está decepcionado com o movimento apresentado até agora é o proprietário da Peixaria Pai e Filho, Jeremias de Almeida, que há 18 anos trabalha no mercado. 

– Eu acredito que o movimento não vai ser tão bom quanto o ano passado, até porque estamos em crise, e podemos tirar como parâmetro o carnaval, que foi fraco. Além disso o peixe não é um produto barato. Mas também temos opções mais baratas, em conta, então muitas pessoas optam por esses produtos, que são os que mais saem, como anchova, cação, pardo e dourado – declarou ele, que espera que mais clientes  cheguem para comprar nesta sexta. 

– Amanhã é que as pessoas vêm para fazer as compras mesmo – finalizou. 

Para Carlos Alberto dos Santos, que trabalha há 39 anos na Peixaria do Neném, apesar de sempre vender bastante durante a Semana Santa, a diminuição gradativa da procura pelos pescados reside em dois fatores fundamentais: a mudança de hábitos dos brasileiros durante a Semana Santa e o aumento dos preços dos pescados. 

– Pela minha experiência eu digo que Semana Santa sempre vende muito peixe, é uma tradição que ninguém tira. Só que muita gente mudou os hábitos, a tradição, e amanhã (hoje) já pensa em fazer um churrasquinho e tomar sua cervejinha, por isso o movimento diminuiu com o tempo. Além disso o preço do peixe aumentou, então quem gosta de comer o produto tem que pagar caro. No geral, apesar do movimento ter diminuído em relação a outros anos, as vendas estão sendo satisfatórias para mim, e creio que se não chegar barco amanhã (hoje), o balcão vai ficar vazio – declarou.

E se os preços não estão tão convidativos, os comerciantes explicam quais são os peixes com os preços mais atraentes e, portanto, os mais populares entre os clientes. Entre eles estão a anchova, com preço médio de R$ 21 o quilo, o cação, custando em média R$ 25 o quilo, além do pardo e do dourado, que saem em média por R$ 18 e R$ 24 o quilo, respectivamente. 

Vindos de Brasília e passando a Semana Santa em Cabo Frio, o casal Celso e Célia Berbereia, 69 e 64, foi ao Mercado do Peixe atrás de um pescado para preparar uma receita de Peixe Cozido com Pirão para o almoço desta sexta-feira.                                                                                                  

– Nós gostamos muito aqui do Mercado do Peixe, tem muita opção. A receita que escolhemos para a Semana Santa será um peixe cozido com pirão. Por isso viemos aqui para escolher o pescado, e estamos na dúvida entre o namorado, olho de cão e dourado. Vai ser um dos três – disse Celso. 

Natural de Uberlândia, Cristiane Távora, 50, também estava no mercado à procura de camarão para cozinhar o prato preferido da família que veio curtir o feriado em Cabo Frio. 

– Todos os anos eu procuro fazer algo diferente, e esse ano eu decidi cozinhar um camarão na moranga, prato preferido da família. Exatamente por isso que vim aqui no Mercado do Peixe, pela primeira vez, para poder comprar o camarão para a receita – explicou. 

Camarão com sotaque nordestino – Como o defeso do camarão proíbe até o dia 31 de maio a pesca das espécies rosa, sete barbas, branco, santana ou vermelho e barba ruça no litoral do Rio de Janeiro, quase todos os estandes do Mercado do Peixe trazem a iguaria – a um preço médio de R$ 35 –  oriunda do Rio Grande do Norte, onde é criada em cativeiro.

– O camarão não é congelado, mas é um produto criado em cativeiro, originário de carcinicultura, e vem do Nordeste. É de excelência e chega em dois dias de viagem –  disse Jeremias de Almeida, comerciantes do Mercado do Peixe.