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​Cooperativa de Mulheres Nativas finca bandeira na pesca de Arraial

Grupo movimenta a economia local produzindo iguarias de peixe e mudas de plantas da restinga

29 outubro 2016 - 10h20Por Texto e foto: Fernanda Carriço
​Cooperativa de Mulheres Nativas finca bandeira na pesca de Arraial

O sonho de quatro mulheres pescadoras de Arraial do Cabo não sairia dos cantos da canoa de pesca se não fossem a coragem e a ousadia para inovar. Em um universo dominado por homens, elas enfrentaram o preconceito e mostraram a que vieram ao criar, em 2014, a Cooperativa de Mulheres
Nativas. O grupo, formado por 22 mulheres, trabalha com a pesca artesanal e com a produção de mudas de plantas da restinga – os dois braços de ação da cooperativa.

Mas a pesca, de fato, é o grande ponto forte, pois além de pescarem, elas beneficiam o pescado e o transformam em diversos produtos, como quibe,
hambúrguer e nuggets de peixe, por exemplo. Tudo fresco e fruto do peixe da Reserva Extrativista Marinha – aliás, esta é uma das exigências previstas em estatuto: o pescado tem que ser da Resex e capturado por mulheres.

– Quando os produtos das mulheres não são suficientes, compramos dos pescadores artesanais – explica Zenilda Maria da Silva, a atual presidente da
cooperativa. 

Na sede que foi alugada a pouco mais de um ano, na rua Epitácio Pessoa, na Praia Grande, elas trabalham para valorizar a igualdade dos direitos. Através da autogestão, sem a figura do patrão, as mulheres produzem e partilham os recursos obtidos. Como dizem, hoje em dia não tem lucro, investem tudo o que faturam para melhorias do espaço. Afinal, os sonhos não param de crescer à medida em que os negócios avançam.

– Queremos incluir o peixe na merenda escolar, como numa Reserva Extrativista não comem peixe nas escolas? Precisamos também falar da nossa tradição em pesca artesanal. Mas para que tudo isso aconteça, necessitamos de patrocínio, de alguém que queira nos apadrinhar – afirma Rejane Ribeiro, que sonha com um futuro galpão de beneficiamento de pesca para ‘desafogar a prefeitura’.

Do Arraial para o Brasil

Se depender da exposição, a Cooperativa de Mulheres Nativas tem os dias contados para ficar no anonimato. Há duas semanas, uma equipe do programa Encontro, da Fátima Bernardes, da Rede Globo de Televisão, passou dois dias filmando a rotina delas, da pesca à cozinha. O episódio está previsto para ir ao ar em novembro.

– A repórter do programa ficou apaixonada. Disseram que não estavam com fome, mas quando servimos peixe, quibe, nuggets e tudo que tinham direito, comeram tudo – relembra Maria Helena de Oliveira e Silva, uma das fundadoras.

Os produtos produzidos na pequena cozinha da sede são artesanais, feitos com ingredientes frescos. A linha de produção espera, para breve, duas novas iguarias: o rocambole de peixe e a linguiça de peixe e lula. O principal objetivo da cozinha é oferecer comida de verdade, sem conservantes artificiais - alimentos que favoreçam a alimentação saudável e que respeitem as tradições culturais do lugar. Um modelo de economia solidária, que valoriza a sustentabilidade social e ambiental.

– Esse é o nosso sonho, começamos do nada e sem nada. Antes os pescadores nos chamavam de gaivotas, hoje nos respeitam. As mulheres que quiserem conhecer nosso trabalho, que venham. Temos muitas pescadoras em Arraial e queremos que a vida destas mulheres mude para melhor – sonha Rejane.

Serviço: Os produtos das pescadoras da cooperativa estão à venda na Rua Epitácio Pessoa, 14, casa 1, Praia Grande, Arraial.
Custam de R$12 a R$15