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Fernando Comilão joga duro com Marquinho, Silas e Alfredo

Candidato à Alerj afirma ter sido abandonado politicamente

07 agosto 2014 - 17h08Por Sérgio Meirelles
 Fernando Comilão joga duro com Marquinho, Silas e Alfredo

Em plena campanha, em busca dos votos que poderão lhe garantir uma vaga de deputado estadual nas próximas eleições, o empresário Fernando do Comilão (PSDB) deu uma pausa no trabalho para falar com exclusividade com a Folha dos Lagos sobre política regional, estadual e seus planos para Assembleia Legislativa (Alerj), caso seja eleito em outubro. Sem papas na língua, Comilão diz que é o único candidato de Cabo Frio que pensa em cumprir seu mandato até o fim e que os adversários Marquinho Mendes (PMDB) e Silas Bento (PSDB) estão com o pensamento na eleição municipal de 2016. Evangélico, Comilão conta com os votos desse segmento religioso na região. Mas, garantiu que, se eleito, trabalhará para todos, sem fazer distinção quanto à religião, opção sexual e raça dos eleitores.

 Folha dos Lagos – Essa é a segunda vez que o senhor tentará se eleger deputado estadual. Acha que dessa vez conseguirá o mandato?

Fernando do Comilão – Na campanha de 2010, cometi um erro. Trabalhei 70% do tempo fora de Cabo Frio. Nesta campanha será diferente. Dedicarei 90% do tempo a buscar votos em Cabo Frio e 10% fora do município.

Folha – Por que o senhor quer ser deputado estadual? Comilão

 – É preciso acabar com essa prática de os governos municipais e estadual não investirem o que tem que ser investido na saúde, educação e segurança. Os recursos destinados a estes setores são desviados para outras finalidades. A consequência disso é o que estamos vendo nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com a falta de material e pessoal. O mesmo se passa na educação. Quero ser deputado para acabar com isso e fazer com que o dinheiro seja aplicado no lugar certo.

 Folha– E com relação à segurança pública, o que senhor pensa em fazer? Comilão – Há quase dez anos se fala em implantar um batalhão da PM na região. Mas até hoje isso não passou de uma ideia. Quando eleito, vou trabalhar arduamente para que o governo estadual crie o batalhão o mais rápido possível. Folha – Mas o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) disse recentemente que iria criar o batalhão, mas ele ainda não assinou o decreto transformando o que disse em realidade...

Comilão – Vou cobrar do governador, seja ele quem for. A região hoje sob a responsabilidade do 25º BPM (Cabo Frio) é muito grande. Um batalhão em Araruama ou Iguaba Grande dividiria a responsabilidade pela área.

Folha – O PSDB, seu partido, tem dois candidatos do mesmo município: o senhor e o vice-prefeito Silas Bento, concorrendo a deputado estadual. Isso não pode acabar atrapalhando os interesses de um ou de outro?

Comilão– Desde 2010, tenho a promessa do presidente da executiva regional do PSDB, Luiz Paulo Correi da Rocha, de que eu seria o candidato do partido. Mas,de uma hora para outra, o Silas(Bento) decidiu lançar a candidatura dele. È um direito dele. Mas não vou desistir do meu objetivo, que é ser deputado estadual.

Folha – O que aconteceu para de repente esbarrar comum colega de partido que também está interessado em disputar o mesmo cargo?

 Comilão – Não sei. Mas uma coisa eu tenho certeza. Caso seja eleito, ele (Silas) não cumprirá o seu mandato de deputado até o fim. Porque seu maior objetivo é se eleger prefeito de Cabo Frio em 2016. Eu, não. Quero ser deputado estadual e respeitar os eleitores que me escolheram para representá-los na Alerj. Ou seja, cumprindo meu mandato até o fim.

 Folha – Então, há candidatos que estão usando a eleição atual apenas para ganhar visibilidade para as eleições municipais? Comilão – É isso mesmo. O Marquinho (Mendes, candidato a deputado estadual pelo PMDB) também temos olhos voltados para as eleições municipais de2016. É outro que, se eleito, deixará o cargo no meio do mandato. Isso não é bom porque a representatividade da região na Alerj ficará ainda mais fraca.

Folha – Mas o senhor e o Marquinho não eram aliados políticos?

Comilão - Eu também pensava que éramos. Quando ele era prefeito e eu vereador, fui líder do governo na Câmara. Apoiei todas as suas decisões, mesmo às vezes sendo contrário a algumas delas. Hoje, quem precisou do apoio dele fui eu. Mas ele me virou as costas.

Folha – O senhor se sente abandonado politicamente?

Comilão – Sim. Mas não vou ficar sozinho nessa disputa. Vou encontrar alguém com que possa me aliar ainda na campanha. Houve um episódio chato em2012, por exemplo. O Alfredo Gonçalves era o candidato à sucessão do Marquinho, na eleição para prefeito, mas em cima da hora o jogo virou e o candidato do grupo virou o Janio. Eu fui fiel ao Alfredo e fiquei do lado dele. Fui o único, aliás, e fui achincalhado em uma reunião da Câmara por isso. E aí ele me apunhalou pelas costas. Foi para o lado do Alair e apoiou o Vinícius Corrêa a fazer campanha em lugares que eu também fazia. Ou seja, me deixou de lado e apoiou um concorrente direto meu.

Folha – Os segmentos sociais que representam a minoria como os homossexuais, os adeptos das religiões afro-brasileiras se sentem preocupados em eleger um candidato assumidamente evangélico porque temem algum tipo de discriminação.O que o senhor teria a dizer sobre isso? Comilão – Tenho as minhas convicções religiosas. Mas não posso e não devo confundir as coisas. Se eleito, pretendo trabalhar para todos os que me elegeram e para o bem do estado. Atenderei a todos sem fazer distinção alguma.