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Cabofrienses mostram indignação com a Copa do Mundo no Brasil

Eles criticam gastos com a competição

26 maio 2014 - 21h06

No país do futebol, a Copa do Mundo ainda não está em primeiro plano. O clima de indignação é unânime entre os cabofrienses, que não esqueceram os gastos astronômicos com a competição. Os altos preços cobrados nos ingressos, que deixarão muitos brasileiros do lado de fora dos estádios, também foram questionados. A maior preocupação dos moradores está na melhoria dos serviços básicos como educação, saúde e, principalmente, segurança. Além disso, o comércio também não é movimentado pela chegada de turistas e sofre com a baixa temporada.

– Não registramos nenhum aumento no faturamento. Não vejo nenhum clima de otimismo nas ruas também. Nós, comerciantes, não podemos depender do turismo de má qualidade de Cabo Frio. Não tem turista na cidade. O fator mais prejudicial para os lojistas, sem dúvidas, é a greve dos vigilantes bancários. A população está sem dinheiro e nós sofremos por causa disso. É uma lógica bem simples – diz o consultor de vendas Júnior Bui, 37.

O vendedor Ítalo Trigo, 39, lamenta pelas críticas não terem começado antes da escolha do Brasil como país-sede. 

– Não adianta mais reclamar de nada. Temos que confessar que está tudo preparado. Não adianta mais protestar agora. Mas lamento, por mais uma vez, que o nosso país se importe mais com um hexacampeonato do que com os pilares básicos da nossa sociedade: educação e saúde. A chegada das seleções no nosso país vai trazer muito dinheiro, mas a corrupção irá fazer ele desaparecer logo. O que deveria ser motivo para comemorar vai se transformar em rios de dinheiro público jogados no lixo.

O respeito pela população é mais um dos pedidos dos insatisfeitos com o atual governo.

– Não damos valor aos problemas sociais que enfrentamos. Eles deveriam receber caráter de urgência. Estamos passando por uma onda de violência terrível em todo o estado e as pessoas se preocupam com futebol. Não me interessa em saber quem vai ser campeão. Isso não muda a vida de nenhum brasileiro. Queremos respeito – protesta o gerente de restaurante Elielson de Oliveira, 27, indignado.

A ineficiência do poder público em obras de melhorias também entrou na lista de queixas dos cabofrienses. 

– É engraçado como agora o dinheiro aparece com facilidade. Definitivamente, nós, brasileiros, estamos em segundo plano para os políticos. Realizar obras superfaturadas é muito fácil. O que nunca vejo é alguém se mobilizar para ajudar a população. Então, o clima de pessimismo é explicável. Todos estão decepcionados com o nosso país – afirma o vidraceiro Fabrício Costa, 39.

As manifestações organizadas  para protestar durante a maior competição esportiva do mundo também deixam os moradores impacientes.

– Só vemos vandalismo e bagunça com o patrimônio público – conta a autônoma Janaína Batista, 38.