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A cada quatro demitidos no Estado do Rio, um é da Região dos Lagos

Para driblar o desemprego, profissionais arriscam e inovam 

06 maio 2017 - 09h43Por Rodrigo Branco
A cada quatro demitidos no Estado do Rio, um é da Região dos Lagos

Que a realidade econômica do Rio de Janeiro está bastante complicada ninguém discute, mas os indicadores oficiais ajudam a aumentar a preocupação. Na Região dos Lagos, a situação não é diferente. Pelo contrário. Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, em março, de cada quatro trabalhadores demitidos em território fluminense, um mora na região. Na escala Brasil, o quadro é catastrófico: de cada dez vagas de trabalho fechadas no país, oito (80%) são do Estado do Rio de Janeiro.

Somente no mês passado, 104.546 pessoas foram dispensadas dos postos de trabalho em todo o estado, sendo 2.620 (25%) de Cabo Frio e de municípios próximos. A conta fica no vermelho porque no mesmo período, foram contratadas apenas 86.989 pessoas no estado, sendo 1.947 na região. Em todo o estado, o déficit de vagas foi de 17.757.

Estendendo a análise para o acumulado do primeiro trimestre, a situação é a mesma. Nos três primeiros meses de 2017, no total, foram mandados embora 319.951 funcionários, dos quais 51.958 (26%) por essas bandas. Ao mesmo tempo, foram admitidas somente 267.993, sendo 6.754 na região. O levantamento feito pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) leva em conta apenas os municípios com mais de 30 mil habitantes, o que inclui Cabo Frio, São Pedro da Aldeia, Araruama e Saquarema.

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Cabo Frio (Acia), Eduardo Rosa, lamenta a situação. O empresário cobra do poder público projetos que alavanquem a economia na cidade durante todo o ano. Em nível nacional, Eduardo acredita que a reforma trabalhista pode atenuar a situação.

– Vai dar condições de melhorar a empregabilidade, por causa dos contratos temporários, das rescisões mais maleáveis e das fé- rias parceladas. Temos também a Feira Forte aí, que vai injetar mais recursos em Cabo Frio – espera.

Em meio às nuvens negras, há quem tenha otimismo. A coordenadora regional do Sebrae, Ana Cláudia Vieira, acredita no aquecimento do mercado de trabalho entre o fim do ano e o começo de 2018. Para ela, no atual momento, o objetivo principal é sobreviver.

– A gente vive uma crise econômica e o Sebrae tem atuado para ajudar as empresas a se manter no mercado. Reduzir os cursos tem sido muito trabalhado nas empresas e com isso muitas acabam cortando na própria pele – avalia.

 

Eles driblaram o desemprego

O fim da linha com carteira assinada tem obrigado muitos cabofrienses a ir à luta para garantir o sustento da casa. É o caso da jovem estudante Thaís Fagundes, de 20 anos. Ela sequer esperou ser dispensada do emprego de repositora em um hortifruti para pôr em prática seu plano B, que desde novembro tornou-se o principal: vender trufas de chocolate pela cidade. Acompanhada do marido, Thaís circula vendendo as guloseimas, quando não está entregando seus produtos à clientela fixa. Com cursos no currículo, inclusive na área de chocolates, ela já pensa em abrir uma loja.

– Quero fazer um curso profissionalizante para abrir uma microempresa – planeja.

Moradora do Guriri, Priscila Roberta, de 27 anos vende salgados, além de doces. Há cinco meses, ela anda por aí puxando dois pesados isopores sobre um carrinho. Após sair de um mercado, Priscila ficou nove meses em casa. Sustentou os filhos de quatro e sete anos com Bolsa-Família e com a pensão depositada pelo ex-marido. Ela sonha que a atual atividade seja trampolim para trabalhar com Turismo, mas não se afoba.

– Vivo um dia após o outro. Depois só Deus sabe. Mas espero um dia melhorar.

Mais experiente do grupo, o chefe de cozinha Devanílson da Silva, mais conhecido como Chef Dê, de 52 anos, sabe o que quer. Mas principalmente o que não quer. Há 23 anos no ramo, Dê já trabalhou em várias cidades mas fixou residência em Cabo Frio, na Célula-Mater. Ajudou a montar equipes em hotéis famosos, mas hoje vende acarajés na Feira Gastronômica de Búzios. Ele reclama da desva- lorização da profissão.

– Queriam ter ‘chef’ com salário de cozinheiro. Prefiro fazer casamentos em Búzios – diz ele, que diz faturar muito mais hoje como ‘freelancer’.