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PROTESTO CONVOCADO

Justiça determina novo despejo da ocupação Casa Inês Etienne Romeu em Cabo Frio

Após apenas 18 dias de ocupação, movimento feminista é retirado de imóvel no centro da cidade; protesto foi convocado para às 18h30 desta quarta-feira (1)

01 abril 2026 - 14h40Por Redação
Justiça determina novo despejo da ocupação Casa Inês Etienne Romeu em Cabo Frio

A Casa de Referência Inês Etienne Romeu, em Cabo Frio, foi alvo de uma nova ordem de despejo na manhã desta quarta-feira (1º). A desocupação forçada aconteceu exatamente 18 dias após o Movimento de Mulheres Olga Benário ter assumido, no último dia 14, o imóvel de um antigo frigorífico abandonado no bairro Guarani. Com o cumprimento do mandado judicial, o funcionamento do centro de acolhimento para mulheres em situação de vulnerabilidade na Região dos Lagos foi novamente interrompido. Um protesto contra o despejo foi convocado para acontecer hoje, às 18h30, na praça do bairro Manoel Corrêa, ao lado do CRAS. A Folha não conseguiu localizar o proprietário do imóvel.

Essa é a segunda vez em menos de um ano que a Casa Inês Etienne é despejada em Cabo Frio. A primeira foi em julho do ano passado. Na ocasião, o Movimento Olga Benário ocupava desde novembro de 2023, um imóvel público, também abandonado, no bairro Itajuru. A primeira ação de despejo (Processo Nº 0042191-81.2025.8.19.0001) foi pedida pelo governo municipal sob alegação de que o imóvel precisava de obras essenciais para a conservação do espaço”, e também “com o objetivo de garantir a proteção da área e sua adequada utilização pela população”. O despejo desta semana teria sido solicitado pelo proprietário do imóvel.

Em vídeo postado nas redes sociais, Pétala Cormann, coordenadora estadual do Movimento Olga Benário e da Casa Inês Etienne Romeu, questionou “o quão perigosas são as mulheres que lutam pelo fim da violência contra a mulher”. 

– Nessa manhã, a polícia veio aqui despejar a Casa de Mulheres Inês Etienne Romeu, com todo aparato e uso da força policial, para (despejar) mulheres que parecem ser muito perigosas e representar uma grande ameaça, simplesmente por ter uma casa para acolher mulheres em situação de violência em um imóvel que estava há anos abandonado, sem cumprir nenhuma função social. Simplesmente pelo fato de que nós estávamos usando esse imóvel para revitalizar e construir essa casa para que possa ter mais um aparelho na cidade para acolher as mulheres em situação de violência. Inclusive, aqui no mandato de despejo, o próprio proprietário diz que a casa estava sendo usada para acolher as mulheres em situação de violência, o que prova como é absurdo as ações que não se importam com a vida das mulheres. Porque quando uma mulher está sofrendo uma situação de violência, quando tem uma mulher vítima de feminicídio, onde estão tantas viaturas de polícia? Onde está tanta polícia para proteger as mulheres que sofrem violência na nossa cidade? Enquanto no nosso país, a cada seis horas, uma mulher morre em situação de violência, morre por feminicídio, e a cada seis minutos, uma mulher é estuprada no nosso país, hoje a polícia só serve para defender os interesses da propriedade privada. Quando o nosso povo precisa, quando o nosso povo está em perigo, onde está a polícia para defender esses espaços? Onde está a polícia para defender as mulheres que sofrem violência? - questionou Pétala.

Em post nas redes sociais, a ativista lembrou que “neste ano em que a ocupação Inês sofre mais um despejo, uma idosa de 70 anos foi estuprada a caminho da UPA, e uma recém nascida de 27 dias foi estuprada pelo pai na mesma cidade”.

– Não abaixaremos a cabeça. Enquanto as mulheres ainda sofrerem violência e as nossas vidas forem menos importantes do que um espaço há anos abandonado, que só servia pra especulação imobiliária, seguiremos em luta - avisou Pétala. Também nas redes sociais, o Movimento Olga Benário lembrou que o novo despejo da Casa de Referência Inês Etienne Romeu aconteceu na “data que marca os 62 anos do golpe militar no Brasil”.

Inês Etienne Romeu foi a única sobrevivente da Casa da Morte, em Petrópolis, um centro de tortura da época da ditadura que aterrorizou o país. “Apesar da repressão, seguiremos em luta por uma sociedade onde as forças do Estado sirvam para proteger nossas vidas e defender o povo”, declarou o Movimento Olga Benário.