quarta, 28 de janeiro de 2026
quarta, 28 de janeiro de 2026
Cabo Frio
29°C
Magnauto
MEIO AMBIENTE

Filhotes de tubarão aparecem em Cabo Frio e biólogo descarta risco a banhistas

Espécie conhecida como cação (ou tubarão rabo seco) foi registrada nos canais Palmer e do Itajuru; ocorrência é comum nesta época do ano e indica reprodução próxima à costa

27 janeiro 2026 - 12h23Por Redação
Filhotes de tubarão aparecem em Cabo Frio e biólogo descarta risco a banhistas

O registro de filhotes de tubarão, esta semana, em Cabo Frio, chamou a atenção de moradores e levantou dúvidas sobre riscos à banhistas. Da espécie cação (ou tubarão rabo seco), o primeiro animal chegou a ser capturado no Canal Palmer, próximo à Praia do Siqueira, e logo foi devolvido à água. No dia seguinte, outro foi visto no Canal do Itajuru, próximo à ponte Feliciano Sodré. À Folha, o biólogo Eduardo Pimenta disse que o mesmo filhote pode ter sido avistado duas vezes. Mas ele não descarta a possibilidade de que existam outros filhotes já que, segundo explicou, a presença de tubarões é um fenômeno natural desta época do ano na costa da Região dos Lagos.

–  Determinar a idade, realmente, eu não vou nem arriscar, mas é um exemplar muito jovem. E esses exemplares de cação, ou tubarões, como também são chamados, se afastam da costa no inverno, e se aproximam muito nessa época de primavera e verão. E eles se aproximam (as matrizes, os parentais) para se reproduzirem. Com certeza, as matrizes se reproduziram aqui próximo à costa porque ele é um exemplar juvenil, e se aproximou ainda mais porque ficou muito mais seguro, e adentrou o canal do Itajuru. Então é possível que existam outros, sim - explicou Pimenta.

Embora afirme que existe a possibilidade de que tubarões adultos estejam rondando a costa de Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo neste período reprodutivo, o biólogo, tranquilizou com relação aos riscos de ataques na orla da Praia do Forte, ou mesmo no Canal do Itajuru e Lagoa de Araruama.

– Os tubarões são muito estigmatizados pelo filme Tubarão, assim como aranhas, cobras… Pinguim, tartaruga, golfinho, baleia, todo mundo ama. Mas os tubarões, ou cações, de uma maneira geral, têm uma carne muito apreciada pela culinária a nível mundial. Na verdade eles são mais ameaçados do que ameaçam a humanidade. Eu digo que o maior risco, neste caso, seria na hora de tirar o anzol dele: ele tem dentes muito afiados e pode morder, mordiscar um dedo, uma mão, mas pelo tamanho dele não é uma mordida fatal - afirmou, lembrando que não existem registros de ataques de tubarões significativos aqui na nossa região.

O caso mais recente foi em 1997, em Búzios. A vítima do ataque foi o empresário João Pedro Portinari Leão, sobrinho-neto do pintor Cândido Portinari (1903-1962). Autor do livro “A Isca”, ele conta na publicação que praticava windsurf (a cinco quilômetros da Praia de Manguinho) quando foi atacado por um tubarão branco. Segundo relatos, o animal abocanhou a perna esquerda de João, e submergiu carregando o rapaz ao fundo do mar. O windsurfista conseguiu se soltar, retornando à superfície. Mesmo com a perna ferida, ele conseguiu velejar de volta à terra firme e ser socorrido.

Para Eduardo Pimenta, o fato da água oceânica e lagunar ser rica em alimentos e microrganismos pode explicar o surgimento de filhotes de cação do Canal do Itajuru.

– Essa região de Búzios, Cabo Frio e Arraial do Cabo sempre foi uma região de muita ocorrência dos tubarões, dos cações. Por ser um exemplar jovem ainda, juvenil, ele se aproxima cada vez mais da costa para poder se proteger, e nessa maré enchente ele acabou adentrando a lagoa. Tem sido mais comum a ocorrência de espécies oceânicas dentro da Lagoa de Araruama, e isso é muito positivo. Mostra que a Lagoa de Araruama, através da abertura dos canais e da dragagem do Canal do Itajuru, tem renovado suas águas. Isso é muito bom para as condições de balneabilidade, e para a entrada de larvas, pós-larvas, juvenis e peixe na Lagoa de Araruama, aquecendo a cadeia produtiva pesqueira de dentro da lagoa - explicou.

Pimenta alerta, no entanto, que ao avistar um filhote de tubarão na orla lagunar, o procedimento padrão é que ele seja devolvido imediatamente ao corpo hídrico.

– Qualquer ação de transportar para outro local requer um procedimento muito mais complexo. Então, o melhor é pegar e soltar logo imediatamente o corpo hídrico - contou.