Com o objetivo de preservar e valorizar os saberes tradicionais da Lagoa de Araruama, com foco especial na atividade salineira e na pesca artesanal, a Coletiva Gecay apresentará, neste início de ano, o projeto “Museu, Pra Quê? Museologia e os Saberes Tradicionais da Lagoa de Araruama”. O lançamento será no dia 17 de janeiro, no Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos, em São Pedro da Aldeia. Haverá roda de saberes, a partir das 13h, com profissionais do sal e da pesca artesanal, mediada por técnicos da área de patrimônio.
Essa roda marcará a abertura da exposição itinerante “Memórias Salgadas, o Sal Corrói a Lembrança Evoca”, que circulará por quatro espaços da região: Museu Regional do Sal Manoel Maria de Mattos, de 17/01/2026 a 30/01/2026; Associação dos Pescadores Artesanais e Sentinelas da Laguna de Araruama, em São Pedro da Aldeia, de 23/02/2026 a 02/03/2026; Museu de Arte Religiosa e Tradicional de Cabo Frio, de 02/03/2026 a 12/03/2026; e Praia do Siqueira, em Cabo Frio (data a definir).
O projeto surge como um desdobramento do evento “Museu, Pra Quê?”, realizado em São Pedro da Aldeia, em 2023, pela Coletiva Gecay. A primeira edição do evento fomentou diálogos sobre museologia, museu vivo e diversas formas de preservar e construir memórias, além de promover uma roda de histórias com pescadores locais.
“Agora, o projeto busca aprofundar e expandir essas reflexões, questionando a utilidade dos museus em contextos nos quais, muitas vezes, se encontram distantes da comunidade local. Pensado a partir da museologia social, o projeto propõe uma abordagem participativa para preservar e valorizar os saberes tradicionais da Lagoa de Araruama, com foco especial na atividade salineira e na pesca artesanal”, diz a organização.
“A Lagoa de Araruama, localizada na Região dos Lagos, é a maior laguna hipersalina em estado permanente do mundo e desempenhou papel crucial no desenvolvimento socioeconômico de São Pedro da Aldeia e da região. A cidade, que cresceu em torno das salinas, foi também moldada pela pesca — práticas que, apesar das transformações econômicas ao longo dos anos, continuam a ser pilares culturais e identitários da região e de suas paisagens. Essas práticas estão conectadas às tradições indígenas que deram origem à extração do sal, antes conhecida como cacimba, e à história dos trabalhadores das salinas, muitos dos quais eram ex-escravizados. Essas comunidades preservaram e transmitiram seus conhecimentos e ofícios, mantendo viva a memória coletiva e a identidade cultural de São Pedro da Aldeia. É essa riqueza histórica e cultural que o projeto busca destacar, ressaltando a relevância da museologia como ferramenta de resgate e valorização dessas tradições”, acrescenta o texto de apresentação do projeto.





