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Musical sobre Noel Rosa estreia no próximo dia 20 em São Pedro da Aldeia

Espetáculo "Não Quero Choro Nem Vela" reúne artistas da Região dos Lagos para celebrar os 115 anos do Poeta da Vila; montagem percorrerá o estado após primeira exibição no Teatro Átila Costa

07 março 2026 - 10h05Por Redação
Musical sobre Noel Rosa estreia no próximo dia 20 em São Pedro da Aldeia

A vida, a poesia e o legado de um dos maiores nomes da Música Popular Brasileira vão ganhar os palcos da Região dos Lagos este mês. Produzido em Cabo Frio, o espetáculo teatral musicado “Não Quero Choro Nem Vela: Vida e Obra de Noel Rosa” tem sua estreia oficial confirmada para o próximo dia 20, às 20h, no Teatro Municipal Dr. Átila Costa, em São Pedro da Aldeia. Durante duas horas a montagem vai celebrar o aniversário de 115 anos do compositor, propondo um encontro sensível com a trajetória do "Poeta da Vila", revisitando clássicos que atravessam gerações. Os ingressos custam R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia), e estão à venda pelo site Sympla. A classificação indicativa é 16 anos.

Com texto assinado pelo roteirista Geraldo Afonso e direção do ator Daniel Ericsson (do filme “Ainda Estou Aqui”), a produção da Samburá Multiartes é fruto de anos de pesquisa. O título é uma referência direta à música “Fita Amarela”, carregando uma forte carga simbólica sobre a filosofia de vida de Noel, que faleceu precocemente aos 26 anos.

– Noel Rosa, ao invés de preservar a saúde, preferiu viver intensamente. Não se preocupava com a morte. O que realmente queria era “uma fita amarela gravada com o nome dela”. Na sua curta passagem por este mundo, foi boêmio contumaz. Homem de muitas mulheres, minou sua saúde desfrutando da vida noturna na Lapa e participando de serenatas pelos bairros de Vila Isabel, Tijuca e adjacências, além de ser viciado em bebidas geladas, de preferência a cerveja Cascatinha. Quando estava em Belo Horizonte, na casa da tia Carmem, em busca da cura para a tuberculose, o que disse para tia reflete sua filosofia de vida. A tia o aconselha: “Você tem que se cuidar, Noel”. Ao que ele lhe respondeu: “Quem muito se cuida, pouco vive” - relembra Geraldo.

O roteirista revelou que o espetáculo começou a ganhar forma em meados do ano passado, originalmente como uma peça em três atos que se mostrou inviável pelo alto custo. O desafio atual foi sintetizar as 259 músicas registradas e a biografia densa do artista em uma apresentação dinâmica.

– Foi difícil escolher 26 músicas para o espetáculo. A vida dele daria uma série na Netflix. Sua infância, a passagem pelo Colégio São Bento, os prostíbulos aos 15 anos, a briga musical com Wilson Batista e as mulheres que foram suas paixões. Noel tinha três grandes paixões na vida: a música, a boemia e as mulheres – contou o roteirista.

A montagem destaca a potência artística da Região dos Lagos. Segundo o diretor Daniel Ericsson, o processo de seleção do elenco buscou artistas que tivessem familiaridade com a música, o canto ou a dança para materializar o texto de Geraldo.

– Nossa região tem pouco fomento à cultura, o que nos deixa talvez com a falsa impressão de escassez artística. Não é o caso. Temos uma profusão de artistas de primeira categoria. Alguns são artistas solos em suas carreiras, e no nosso processo os talentos convergem para o bem maior que é o espetáculo. Quero aproveitar ao máximo o talento de cada um a serviço do espetáculo – explicou o diretor.

No palco estarão Kéren-Hapuk, Roberta Sant’Anna, Manuela Dominato, Diego Vivas, Yuri Vasconcellos, Simon Soul e Gustavo Seabra. A sonoridade do universo de Noel ganha vida com os músicos Miguel R. Hevia e Vitalino. Para Daniel, o musical funciona como uma ponte entre o passado e o presente.

– O espetáculo apresenta situações de vida boas e difíceis vividas pelo artista. Suas dores são a tinta com a qual ele escreve suas letras e seus amores são as notas com que desenha suas melodias. É um elo entre o então e o agora. Tudo o que se conta é perspectiva das personagens que travaram contato com a pessoa Noel Rosa, de modo que ao mesmo tempo o mito é desmistificado, revelando a humanidade – destacou Daniel.

Após a estreia em São Pedro da Aldeia, o musical seguirá em circulação por teatros e clubes da Região dos Lagos, Região Serrana, Niterói e Rio de Janeiro. Para isso, a produção busca captação de apoio financeiro junto ao empresariado local. O diretor lamenta, no entanto, a falta de equipamentos na cidade de origem do projeto.

– Nossa estreia oficial será no dia 20 de março, no teatro de São Pedro da Aldeia, já que em Cabo Frio não temos um equipamento público para isso. É uma pena que na cidade onde o espetáculo está sendo construído não haja um teatro ativo - avaliou o diretor.