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Cabo Frio chora perdas na Cultura

Nos últimos dez dias, cidade se despediu de cinco figuras marcantes da área 

08 abril 2016 - 10h29Por Rodrigo Branco
Cabo Frio chora perdas na Cultura

Sid, mestre de bateria da Antiga Abissínia, foi a mais recente perda na cena cultural da cidade (Reprodução)

Desde a última semana, Cabo Frio vem sofrendo a morte de figuras expressivas na comunidade cultural da cidade. A mais recente perda é a do mestre de bateria Sidney Oliveira, o mestre Sid, da escola Antiga Abissínia, que foi sepultado nesta quinta-feira (7) em meio à consternação da família e de amigos. A causa da morte não foi divulgada, mas mestre Sid estava internado e passava por problemas de saúde.

A contundência do surdo de marcação já tinha sido a trilha sonora de outra perda importante para o mundo do samba nos últimos dias. Uma das figuras mais conhecidas do carnaval da cidade, o ex-presidente da escola Vermelho e Branco, Paulo Assunção Trindade de Oliveira, o Paulo Chuchu, morreu aos 59 anos na manhã de terça-feira, após sofrer um infarto fulminante, em casa, no Centro.

A comunidade do bairro União, conhecido como Cortiço, e os integrantes do agremiação prestaram a última homenagem a Paulo Chuchu, decretando luto, manifestado nas paredes da quadra.

Legado – Mas não foi apenas no samba que a cultura cabofriense teve perdas significativas. No último dia 31, a cidade se despediu de um de seus principais intelectuais, o professor Francisco Affonso Santa Rosa, de 85 anos.

Affonso trabalhava há 22 anos no cargo de diretor de Cultura no Legislativo, mas já tinha sido vice-reitor, chefe de gabinete, assessor parlamentar, assessor do executivo e assessor de ministro, quando trabalhou no Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio.

Um dos fundadores do colégio Cabo Frio, Affonso tinha poemas, crônicas e histórias publicadas e foi membro da Academia Cabofriense de Letras.
Ainda na esfera legislativa, morreu no último fim de semana o ex-vereador e ex-secretário Walter Bessa, de 80 anos, que lutava contra um câncer de pulmão. Além da longa vida pública, Bessa também era conhecido por sua produção intelectual.

No mesmo dia que Affonso, o uruguaio Gerardo Campana, de 70 anos, teve um ataque cardíaco dentro de um supermercado e não resistiu. Campana nasceu em Montevidéu e era conhecido artista plástico na cidade, onde morava há muitos anos.

À Folha, o ex-secretário municipal de Cultura, José Facury Heluy comentou que, independentemente do setor em que atuavam, todos deixaram marcas na história da cidade.

– Acho que a morte dessas pessoas ligadas à Cultura, de diferentes vertentes, deixou um vácuo. Cada um a seu modo contribuiu para a produção cultural da cidade. Uns mais ligados à cultura erudita, como o Afonso Santa Rosa e o Walter Bessa e outros mais ligados à cultura de base, como é o caso do samba. Isso é muito triste, mas fica a imortalidade. Eles certamente deixaram um legado para a cidade.

(*) Matéria atualizada em 08/04 às 12:35h.

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