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Um ano após primeiro caso de Covid na região, municípios se 'trancam' para frear avanço da doença

Para reverter colapso na Saúde, aposta é nas barreiras sanitárias e no fechamento das praias

30 março 2021 - 14h39Por Rodrigo Branco

No momento em que a Região dos Lagos completa um ano do primeiro caso confirmado do novo coronavírus, registrado em São Pedro da Aldeia [nesta terça-feira, dia 30], os municípios se fecham para o Turismo em meio a um colapso na rede de Saúde, incluindo as unidades hospitalares públicas e privadas. Aquele que é considerado o pior momento da pandemia coincide com o chamado ‘superferiadão’ de Páscoa, criado pelo Governo do Estado a partir da antecipação das folgas previstas para o mês de abril, com o intuito de reduzir a circulação de pessoas nas ruas. 

Com medo da ‘invasão’ de visitantes, todas as Prefeituras resolveram decretar novas medidas de restrição, com direito a reforço no controle de entrada, por meio de barreiras sanitárias instaladas nos acessos. O acesso às praias também está proibido em todos os municípios. A princípio, o período de fechamento vigora até o próximo domingo, 4 de abril, quando será celebrado o Domingo de Páscoa. A falta de leitos disponíveis em praticamente todos os municípios da região demonstra que a situação está longe de ser um exagero. 

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde de Cabo Frio, até esta terça (30), o município tinha apenas uma vaga disponível de UTI das 49 existentes, somadas as redes públicas e privadas, o que representa uma ocupação de 98%. Nos municípios vizinhos, a situação não é diferente. Na última semana, o Governo do Estado enquadrou São Pedro da Aldeia e Iguaba Grande na bandeira vermelha por causa da saturação das respectivas redes hospitalares. 

Na tentativa de amenizar a situação, o governador em exercício Cláudio Castro veio pessoalmente a Cabo Frio, nesta semana, para anunciar a reabertura do Hospital Unilagos, desta vez para atendimento regional de pacientes graves em tratamento contra Covid-19. Ao todo, serão 50 novos leitos, sendo 20 de UTI e o restante de enfermaria, contudo, a unidade ainda não tem data para reabertura. A ampliação de leitos no Hospital Regional de Araruama e a reabertura do Hospital de Barra de São João, por enquanto, ainda são apenas promessas do governo do estado.

Diante do quadro preocupante, nos últimos dias, os prefeitos não somente publicaram decretos como fizeram apelos públicos para que os turistas não venham para a Região dos Lagos. 

– Eu vou me dirigir, de modo especial, ao cidadão do Rio de Janeiro e dos municípios da Baixada Fluminense: não venham para a Região dos Lagos neste feriado de 10 dias. Todas as medidas restritivas de acesso, principalmente ao município de Cabo Frio, já estarão sendo adotadas a partir desta quinta-feira (25). As praias estarão fechadas, tanto para o turista que, por acaso já esteja na cidade, quanto para o morador. E os acessos pelas estradas a Cabo Frio serão bloqueados. Os outros prefeitos da região estão, também, tomando medidas de bloqueio do acesso aos seus municípios, e também do fechamento das praias litorâneas e lacustres. Eu espero a compreensão de todos – pediu enfaticamente o prefeito de Cabo Frio, José Bonifácio (PDT), em vídeo que circulou nas redes sociais nos últimos dias.

No período ‘pré-superferiadão’, algumas das medidas adotadas já causaram impacto no cotidiano dos municípios. Em Búzios, Arraial e Cabo Frio, foram registrados engarrafamentos nos acessos onde estavam montadas barreiras sanitárias. Já a Praia do Forte, em Cabo Frio, registrou movimento muito menor do que o habitual em sinal de respeito ao decreto de fechamento do espaço, porém, as autoridades municipais tiveram trabalho com vários banhistas que resistiam a cumprir a determinação.

Para o médico Marcelo Paiva Paes de Oliveira, as medidas de restrição terão efeito relativo no contexto do surto de Covid-19 na região.

– A população já está descrente das medidas de isolamento, até porque, elas estão paginadas como se feriadão fossem. Tampouco o Poder Executivo adotará uma medida mais enérgica para garantir o isolamento social. Não acredito que as medidas dos próximos dez dias consigam diminuir de forma vertiginosa a contaminação. Até acredito que diminua razoavelmente, mas não vertiginosamente. E com a demora da vacinação, uma diminuição razoável pode não ser suficiente. Se tivéssemos uma vacinação ostensiva, esta diminuição razoável poderia ser suficiente, mas não é o caso – acredita.

Já para o infectologista Charbell Kury, a medida é fundamental para o momento.

– Os encontros interpessoais hoje são os maiores causadores da transmissão.

Desde o começo da pandemia, a Região dos Lagos registrou 30.242 casos confirmados do novo coronavírus, com 1.059 mortes computadas, de acordo com dados oficiais das Secretarias Municipais de Saúde. Os números são atualizados em tempo real no site da Folha. Confira a seguir o resumo das principais medidas tomadas por municípios da região:

Cabo Frio – Não é permitido o acesso às praias de Cabo Frio em qualquer horário, inclusive para práticas esportivas individuais e coletivas. Terão barreiras sanitárias nas vias de acesso ao município controlando e impedindo o acesso de veículos de passeios não autorizados. Turistas que estão com reservas nos meios de hospedagem, precisam apresentar os comprovantes. Estão proibidos veículos de turismo e fretamento provindos de outros municípios; meios de hospedagem funcionam com até 50% da capacidade máxima; estão proibidos aluguéis de casas e apartamento por temporada; bares e restaurantes funcionam todos os dias até 22h, limitando a capacidade em 50% e respeitando o distanciamento entre as mesas; etão proibidos passeios de barco, aluguel de lanchas e passeios de trenzinho, embarque e desembarque de passageiros de cruzeiros marítimos, a realização de eventos e atividades que envolvem aglomeração de pessoas. Assim como boates, casas de festas e espaço de dança em bares e restaurantes; está proibida a permanência de pessoas nas ruas e praças públicas entre 23h e 5h.

Arraial – Está proibido o acesso às praias, passeios de barcos, barcos-taxi, bugres, jardineiras, quadriciclos, mergulhos e acesso de turistas; serão três barreiras sanitárias: uma na entrada da Prainha, uma em Monte Alto e outra em Pernambuca. O decreto cancela as emissões de QR Codes por hospedagem, turismo náutico, restaurantes, aluguel de casas e outros serviços. O documento suspende as aulas presenciais em escolas públicas e privadas. O transporte público poderá circular com 50% da capacidade de passageiros. Os estabelecimentos comerciais devem permanecer fechados entre 22h e 5h. No período de dez dias, somente moradores que comprovem residência e trabalhadores vão ter acesso a cidade.

Búzios – Decreto mantém festas, shows e eventos proibidos no balneário; os estabelecimentos comerciais poderão funcionar até meia noite, com atendimento exclusivo em mesas e limite de 50% da sua lotação; proibido permanência e uso geral de todas as praias, exceto a prática de atividades físicas individuais ao ar livre. Passeios de escunas, catamarãs, barco táxis e demais embarcações estão autorizadas a funcionar, limitados a 50% da sua lotação; todos os embarcados, incluindo turistas e tripulantes, devem usar máscara de proteção e manter distância de 1,5m (um metro e meio). Quanto aos veículos de transporte coletivo, deverão obedecer a taxa de ocupação de 50% da capacidade total.

São Pedro da Aldeia – A entrada em São Pedro da Aldeia será controlada por uma barreira de fiscalização, que funcionará 24 horas por dia, para vetar o acesso de turistas à região durante o feriado de 10 dias adotado pelo estado. A operação será instalada na Rodovia RJ-106, na altura da saída da Via Lagos, e seguirá até o dia 4 de abril. Bares, restaurantes e similares deverão funcionar das 8h até as 22h, podendo o cliente permanecer no interior do estabelecimento até as 23h. Está proibido o acesso às praias do município. Estão vedados eventos com a presença de público que envolvam aglomeração de pessoas. Está vedado, ainda, o funcionamento de casas noturnas, clubes, parques, quadras de esportes e áreas de lazer públicas e privadas, piscinas, quiosques em praias, dentre outros. Está proibida a permanência de pessoas em espaços públicos entre 23h e 5h, exceto em caso de deslocamento individual, desde que configurada a intenção de retorno à residência. Hotéis, hostels e pousadas também podem exercer as atividades, desde que respeitada a capacidade máxima de 50% das vagas disponíveis.

Araruama – A Prefeitura determinou que os estabelecimentos autorizados a funcionar no município devem fechar as portas às 18h durante o recesso até o próximo dia 4. Apenas postos de combustíveis, farmácias e estabelecimentos de atendimento à Saúde em geral têm permissão para passar desse horário. Os serviços de delivery estão permitidos.

Os templos religiosos têm permissão para funcionar apenas aos domingos, das 7 às 13h; e às quartas-feiras, das 18h às 22h. De outro lado, estão proibidos, shows, festas, eventos; música ao vivo; piscinas públicas; futebol amador; aglomerações; carros de som que incentivem aglomerações; cinemas; teatros; acesso às praias e os quiosques da orla. 

 

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