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CADÊ O UNILAGOS, GOVERNADOR?

Reabertura do Hospital Unilagos vira jogo de empurra entre Uerj e Secretaria Estadual de Saúde

Um mês após vinda do governador Cláudio Castro, unidade não tem previsão para funcionar

23 abril 2021 - 14h30Por Rodrigo Branco

Um mês após o governador em exercício Cláudio Castro (PSC) anunciar com pompa e aglomeração que o Governo do Estado reabriria o Hospital Unilagos, em Cabo Frio, para o tratamento de pacientes com Covid-19, a abertura de leitos para atender à região não passou de uma promessa. Se Castro tinha a pretensão de reabrir a unidade ainda naquela semana, mais de trinta dias depois, não há prazo para que isso ocorra. Internamente, o Governo do Estado bate cabeça e a ‘batata quente’ passa de mão em mão.

Procurada pela reportagem, a Secretaria Estadual de Saúde disse, por telefone, que a gestão do hospital ficará a cargo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Entretanto, por nota, a instituição de ensino superior respondeu avisando que as questões referentes a esse assunto “devem ser encaminhadas ao governo do estado do Rio, tendo em vista o fato de que é de responsabilidade deles qualquer ação referente ao hospital”. Já a parceria da Uerj para fazer do prédio uma espécie de 'unidade escola' ainda está em processo de tratativas, sem nada consolidado neste momento, de acordo com a instituição.

Com a capacidade de atendimento aos pacientes estrangulada na rede municipal de Saúde, a Prefeitura tentou intervir, mas segundo confidenciou o prefeito José Bonifácio (PDT), acabou escanteado após oferecer ajuda na negociação com a direção da unidade, que é privada, mas chegou ser usada por mais de seis meses no ano passado, ainda na gestão Adriano Moreno, por meio de uma requisição administrativa. Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde afirma não ter novidades. Uma comitiva do governo de Cabo Frio esteve com o governador nos últimos dias, no Palácio Guanabara e voltou apenas com novas promessas.

Em meio ao jogo de empurra no âmbito estadual, o problema da alta ocupação dos leitos está longe de ser resolvido. Em Cabo Frio, por exemplo, a oferta de leitos nas redes pública e privada é de 87%, segundo dados oficiais desta quarta-feira (22). Nos municípios vizinhos, a situação é semelhante, fato que seria amenizado com a abertura dos 20 leitos de UTI e 30 de enfermaria inicialmente prometidos  por Castro.

O médico e especialista em Saúde Pública Marcelo Paiva Paes é cético quanto à reabertura do Hospital Unilagos. Segundo ele, a opção será inviabilizada por questões políticas e jurídicas. O médico acredita que a solução para o aumento da oferta de leitos passa longe de qualquer tipo de associação à rede privada de Saúde.

– As prefeituras teriam que oferecer um consórcio para o estado para o estado dar para elas o Hospital de Barra de São João. Ele é um hospital em que o estado gasta R$ 1,2 milhão para manter fechado. Se a região precisa de leitos, eles estão no Hospital de Barra de São João. Era só as prefeituras terem se organizado num consórcio. Agora, achar que o estado vai contratualizar o Unilagos? Não vai. Aquilo é uma relação privada, que está com briga judicial, não vai ser assim – afirma Marcelão.

Espécie de ‘plano B’ para absorver a demanda, a expansão dos leitos no Hospital Regional Roberto Chabo, em Araruama, também segue travada. Com isso, muitos pacientes são transferidos para outros municípios, por meio da Central Estadual de Regulação. 

Aumento das mortes – A falta de leitos é um fator que aumenta o risco de morte nos pacientes, pela impossibilidade de tratamento adequado da doença. E no quesito ‘óbitos’, há muito o que se preocupar. 
Apenas no município de Cabo Frio, o número de mortes nos quatro primeiros meses deste ano supera o registrado no período de abril a dezembro de 2020. Até o fechamento desta reportagem, o município computa 9.281 casos confirmados de Covid-19 e 462 mortes. Em 2020, foram registrados 211 dessas mortes, ao passo que as outras 251 foram contabilizadas neste ano.

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