Assine Já
terça, 07 de dezembro de 2021
Região dos Lagos
25ºmax
19ºmin
TEMPO REAL Confirmados: 53752 Óbitos: 2196
Confirmados Óbitos
Araruama 12500 448
Armação dos Búzios 6589 73
Arraial do Cabo 1755 93
Cabo Frio 15618 902
Iguaba Grande 5581 147
São Pedro da Aldeia 7054 290
Saquarema 4655 243
Últimas notícias sobre a COVID-19
COBERTOR CURTO

Escassez de doses já afeta vacinação contra Covid em municípios da região

Em Búzios, estoque termina esta semana; e Arraial suspendeu aplicação da CoronaVac 

30 abril 2021 - 10h24Por Rodrigo Branco

Na corrida global pelas vacinas contra a Covid-19, o Brasil largou atrasado. O desdém inicial pelos imunizantes por parte do Governo Federal, ainda no ano passado, tem consequências no presente. Acordos fechados com atraso impactam na chegada a conta-gotas dos imunizantes em todo o país, o que naturalmente inclui o estado do Rio e seus municípios. Na Região dos Lagos, pelo menos dois municípios estão com a aplicação das doses prejudicadas pela escassez ou falta de vacinas.

Em Armação dos Búzios, por exemplo, o estoque de vacinas é suficiente apenas até o fim desta semana, segundo a Prefeitura. No momento, o município utiliza as últimas mil doses para vacinar idosos entre 60 e 63 anos. Entre primeira e segunda doses, já foram aplicadas 6.906 vacinas em profissionais da Saúde, idosos e quilombolas. Sem a chegada de uma nova remessa, a vacinação na península terá que ser paralisada. 

Como já ocorreu em Arraial do Cabo, especificamente com a CoronaVac, imunizante da farmacêutica chinesa SinoVac que é produzido no país pelo Instituto Butantan, de São Paulo. De acordo com a assessoria de Comunicação do governo cabista, a vacinação da CoronaVac está suspensa “devido à insuficiência de doses enviadas pela Secretaria Estadual de Saúde”. O município informou, ainda, que aguarda orientações do Estado sobre providências a serem adotadas, a fim de normalizar a vacinação da CoronaVac o mais breve possível”.

Sem a vacina do Butantan, a vacinação segue apenas com doses do imunizante Oxford/ AstraZeneca, que é produzido nacionalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Prefeitura informou que segue o calendário estadual de vacinação. No momento, os idosos de 62 anos é quem recebem a vacina de Oxford. 
Na terça-feira (27) foram imunizadas mulheres, e na quarta-feira (28), os homens.

Na quinta-feira (29), os profissionais da Saúde começaram a receber a segunda dose da AstraZeneca. 
De acordo com dados oficiais, apenas 1.469 cabistas receberam as duas doses e, portanto, estão devidamente imunizados. Já a primeira dose foi aplicada em 5.562 pessoas ou 18,18% da população de 30.593 habitantes. Pelas projeções feitas pela Secretaria de Saúde, a perspectiva é que todos os moradores estejam imunizados apenas um ano e meio depois do começo da vacinação, em 2022, mas a previsão pode ser revista com ao atual cenário de morosidade.

Cabo Frio e São Pedro alegam normalidade – Nos municípios vizinhos, a ansiedade por receber a sonhada picada da agulha no braço não é menor. Pelo contrário, tem causado até filas e aglomerações, como as registradas em Cabo Frio nos últimos dias, depois que a Prefeitura mudou o sistema de vacinação, que agora ocorre nos postos de Saúde, mas também segue mantido em regime de ‘drive thru’ em dois polos do município.

Apesar do problema, o discurso oficial da Prefeitura é de que não há falta de vacinas. Em nota enviada para a reportagem, o município informou que possui doses suficientes, até o momento, para atender o público que está no período para segunda aplicação do imunizante. As doses são apenas para moradores de Cabo Frio.

A Prefeitura disse ainda que aguarda o envio de novas doses pelo Estado e que a orientação é que as pessoas compareçam para se vacinar com tranquilidade. As unidades funcionam de terça a sexta-feira, de 9h às 16h.
As doses são recebidas com o informe técnico enviado pela Secretaria Estadual de Saúde, que descreve se é para primeira ou segunda aplicação. O município finalizou dizendo que “segue com rigor” os critérios do Plano Nacional de Imunização e todas as determinações do Ministério da Saúde. 

Do mesmo modo, a Secretaria de Saúde de São Pedro da Aldeia informou que há estoques de vacinas contra a Covid-19 na cidade. A vacinação ocorre tanto na aplicação da primeira dose quanto para a segunda, de acordo com o cronograma previamente analisado e definido diante de notas técnicas do Governo do Estado.

Atualmente, o município imuniza idosos de 62 anos ou mais e trabalhadores da saúde atuantes e que residam da cidade, além do público que está dentro do prazo para recebimento da segunda dose. A vacinação aos grupos prioritários estabelecidos pelo Ministério da Saúde acontecerá de acordo com o envio de novas vacinas pelo estado.

Em Cabo Frio, já foram aplicadas 26.921 doses, como a primeira; e 9.558, como a segunda. Já em São Pedro da Aldeia, 14.814 pessoas receberam a primeira dose e 9.647 as duas. 

O infectologista Charbell Miguel Haddad Kury diz que cada esfera da administração pública tem suas responsabilidades, mas lembra é o Ministério da Saúde é que define a política de vacinação, ao comprar as vacinas, definir os grupos prioritários, fazer o modelo e as fases de aplicação e distribuir as doses para os estados.

Segundo o especialista, a falta de vacinas ocorre pela opção que alguns municípios fizeram de usar todo o estoque disponível como primeira dose, sem a garantia de receber a segunda em tempo hábil para aplicação, entre 14 e 28 dias. A recomendação foi feita em março pelo então ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello. Apesar do eventual atraso na aplicação da segunda dose, o doutor e mestre em microbiologia e professor da Faculdade de Medicina de Campos dos Goytacazes recomenda a aplicação ainda que passe o período de 28 dias. 

– A partir desse mês, estamos visualizando a falta de vacinas da segunda dose porque o Ministério da Saúde está tendo uma dificuldade do abastecimento, fruto da dificuldade do encaminhamento do insumo farmacêutico ativo (IFA), que vem da China para o CoronaVac. A principal dificuldade é o CoronaVac. Isso fez que 50% dos municípios da Brasil que anteciparam a segunda dose como primeira tivesse o problema. Agora a gente aguarda a chegada de segundas doses para terminar a aplicação. Caso alguém tenha perdido o prazo de 28 dias, não se preocupe. Basta chegar a vacina e tomá-la independente do prazo. Vacina não é contada por prazo, é contada por vacina computada. Ou seja, se teve a primeira dose feita, computa a primeira dose. Se a segunda dose passou o prazo de 28 dias, não perde eficácia – explica o médico.

Estado e União se manifestam – Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (SES), por meio da Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SVS), informa que aguarda informações do Ministério da Saúde quanto à distribuição de uma nova remessa de segunda dose de CoronaVac, assim como orientação quanto à possibilidades da ampliação do intervalo de aplicação entre a primeira e a segunda dose do imunizante.

Alguns municípios já comunicaram extraoficialmente à secretaria que não têm mais doses de vacina para aplicação e terão que suspender a vacinação. A Subsecretaria de Vigilância em Saúde ressalta que, caso ocorra essa suspensão, será temporária até que nova remessa de imunizantes seja enviada pelo MS para o estado.

A pasta disse ainda que, desde o início da campanha de vacinação, envia rotineiramente ofícios aos municípios, orientando que sejam seguidos os grupos prioritários elencados pelo Plano Nacional de Imunização, tendo em vista a irregularidade no fornecimento de vacinas pelos laboratórios produtores, o que tem gerado o fornecimento de doses em volumes menores. 

Até o último domingo (25), o estado distribuiu 5.848.680 doses de vacina contra Covid-19, sendo 3.691.400 para primeira aplicação e 2.157.280 para a segunda.

Por sua vez, a Ministério da Saúde informou que a orientação é que Estados e municípios sigam à risca o Plano Nacional de Operacionalização da vacinação contra a Covid-19. De acordo com o ministério,     os informes técnicos são definidos semanalmente com representantes da União, estados e municípios, a partir do número de doses da vacina contra a Covid-19 entregues pelos laboratórios”. 

O Ministério da Saúde finalizou a nota recomendando que aqueles que não tomaram a segunda dose dentro do prazo estabelecido, completem o ciclo vacinal com os imunizantes do mesmo laboratório, assim que disponível.

Descubra por que a Folha dos Lagos escreveu com credibilidade seus 30 anos de história. Assine o jornal e receba nossas edições em casa.

Assine Já*Com a assinatura, você também tem acesso à área restrita no site.