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Associação Comercial de Cabo Frio desiste de ação bilionária contra a China

Entidade pedia “reparação ao povo brasileiro por causa de novo coronavírus”

24 abril 2020 - 17h17Por Rodrigo Branco

A Associação Comercial e Industrial de Cabo Frio (Acia) desistiu da ação que pedia indenização de R$ 420 bilhões do governo chinês por causa da crise econômica provocada pelo novo coronavírus. A informação foi passada em primeira mão para a Folha pelo advogado Anselmo Ferreira de Melo da Costa, que entrou com a ação na 16ª Vara Federal do Distrito Federal.

De acordo com o advogado, o motivo dado pela Acia para a desistência foi “não prejudicar a pacificação e harmonia existente os países” e “ não criar nenhum tipo de prejuízos a acordos e negociações positivas de investimentos que a China possa vir a fazer no Brasil”.

A entidade pedia “reparação ao povo brasileiro por causa do novo coronavírus”. Desde a sua divulgação, a notícia ganhou manchetes, inclusive, de veículos da imprensa nacional. Nas redes sociais da Folha, muitos internautas criticaram a atitude e chegaram a ironizar a iniciativa da entidade. A reportagem tentou entrar em contato com a presidente da Acia, Patrícia Cardinot, mas ela não atendeu às ligações.

Apesar da desistência da Acia em participar, a ação contra o país asiático continua, tendo à frente a organização religiosa Templo do Senhor, que tem sede no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

A notícia, que chegou a ser publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, foi motivo de polêmica. Uma das críticas foi feita por Pedro José, que é de Cabo Frio e estuda Relações Internacionais na UFRJ. Em texto publicado na plataforma medium, o jovem de 21 anos analisou que, "ainda que a ação não fosse considerada inepta, ainda que fosse de competência da justiça brasileira (o que argumento não ser), não existe fundamentação para narrativa de que o coronavírus seja um plano chinês para distorcer os mercados globais e gerar grande demanda de máscaras e equipamentos respiratórios". 

"Caso o vírus tivesse surgido em outro país, seria ele o centro das atenções no comércio internacional pela compra dos seus excedentes de produção e equipamentos já utilizados. E, em qualquer cenário, é impossível imaginar qualquer dinâmica de comércio internacional sem forte participação chinesa. Não há a necessidade de uma costura política para que a China seja a principal beneficiada dessa demanda, afinal, é onde se concentram as principais manufaturas têxteis, de peças de aço e boa parte das indústrias de insumos médicos. Assim como também não há indícios de violações às normas do comércio internacional nesse sentido. Portanto, a justificativa da presidente da ACIA de Cabo Frio de que a China deveria ser judicialmente responsabilizada por ser a principal beneficiária econômica é também equivocada. Qualquer afirmação nesse sentido não é técnica, e não passa de teoria da conspiração, o que não é compatível com o processo jurídico, nem com a atuação de uma instituição tão importante quanto a ACIA".

 

 

 

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