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Coluna

Só o Estado pode expulsar os demônios do futebol

02 abril 2026 - 12h56

Estreou mais uma novela cujo ator principal é a SAF (Sociedade Anônima de Futebol). Agora o caso se passa no Botafogo e outra vez mostra o quanto as regras de compra e venda de clubes ainda precisam de ajustes. O associativo do Botafogo (associação civil tornada acionista na SAF e detentora do patrimônio histórico da entidade) entrou com uma ação contra John Textor, então cabeça da holding Eagle, acionista majoritária do clube.

A ação exige transparência, apresentação de documentos e valores, além de cobrar investimentos não realizados. Há ainda suspeita de fraude e desejo de afastamento de Textor.

A Lei 14.193 de 2021 foi promulgada no Brasil para organizar o processo de venda de clubes, então entidades recreativas sem fins lucrativos, a pessoas, empresas ou fundos com vistas a lucrar através do futebol. A falibilidade da lei é inevitável em qualquer terreno social. Cabe às entidades competentes legislar de modo a ajustá-la para que não permita a recorrência de fraudes e tantos outros problemas econômicos.

O problema da SAF do Botafogo não é um problema do Botafogo. Assim como não foi com o Vasco, com o Cruzeiro e outros. É um problema mais amplo que depende da intervenção do Estado, seja exigindo do Legislativo maior acompanhamento da prática para melhor adequar a lei, seja estabelecendo barreiras e punições duras. Não se enganem, o futebol ainda é terra de quem mais atira – na bola também. E a lei da SAF, do jeito que está, não é xerife para ninguém.